segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_4/11

PREPARO EMOCIONAL E AUTOCONTROLE


A inteligência emocional da criança é determinada até certo ponto pelo temperamento – isto é, os traços de personalidade com os quais se nasce - , mas ela também é moldada pelas interações da criança com os pais. Essa influência começa nos primeiros dias de vida, quando o sistema nervoso imaturo da criança está se formando. A experiência que a criança tem com a emoção enquanto seu sistema nervoso parassimpático ainda está em formação pode ser muito importante para o desenvolvimento do tônus do seu vago – e, por conseguinte, para seu bem-estar emocional – no futuro.

Os pais têm uma excelente oportunidade, portanto, para influenciar a inteligência emocional dos filhos, ajudando-os desde o berço a aprender técnicas calmantes de comportamento. Por mais indefeso que seja um bebê, ele é capaz de ver, pelo modo como reagimos ao seu desconforto, que a emoção tem direção; que é possível passar de um estado de intensa agonia, raiva e medo a um estado de conforto e recuperação. Os bebês cujas necessidades emocionais não são levadas em conta, por outro lado, não têm a oportunidade de aprender isso. Quando choram de medo, tristeza ou irritação, apenas ficam mais assustados, tristes e irritados ainda.


OS CINCO PASSOS FUNDAMENTAIS DA PREPARAÇÃO EMOCIONAL


Empatia: A Base do Trabalho de Preparação Emocional

Imagine como seria ser criado numa casa em que não há empatia. Imagine essa casa como um lugar em que seis pais esperam que você esteja sempre alegre, feliz e calmo. Nela, a tristeza ou a raiva são consideradas sinais de fracasso ou prenúncios de desastre. Mamãe e papai ficam ansiosos quando você está “de moral baixo”. Dizem que preferem vê-lo satisfeito e otimista, “olhando para o lado bom”, nunca se queixando, nunca falando mal das pessoas ou das coisas. E você, sendo apenas uma criança, conclui que seus pais têm razão. Quem tem mau humor é mau. Então você faz o que pode para não decepcioná-los.

E o que você aprende crescendo nesse ambiente de fingimento? Bem, primeiro aprende que seus pais são completamente diferentes de você, porque não parecem ter todos esses sentimentos ruins e perigosos que você tem. Você aprende que, por ter esses sentimentos, você é o problema. Sua tristeza estraga tudo. Sua raiva é um constrangimento para o clã. Seus medos atrapalham a família. A família provavelmente seria perfeita se não fosse você e suas emoções.

Com o tempo, você aprende que é bobagem falar com seus pais sobre a sua vida interior. E isso faz com que você se sinta só. Mas você também aprende que desde que você finja estar alegre, todo mundo convive otimamente bem.

Obviamente, isso pode confundir – especialmente à medida que você vai crescendo e vendo cada vez mais provas de que às vezes a vida é uma chatice. Chega o dia do seu aniversário e você não ganha o brinquedo que estava querendo. Seu melhor amigo arranja outro melhor amigo e deixa você sozinho na fila da cantina. Você põe aparelho nos dentes. Perde a sua avó predileta.

E, no entanto, você não deveria ter esses sentimentos negativos todos. Então você vira uma mestre do disfarce. Melhor ainda, faz tudo o que pode para não sentir. Aprende a evitar situações que gerem conflito, raiva e dor. Em outras palavras, evita relacionar-se intimamente com as pessoas.

Mas, e se as coisas fossem diferentes? E se você fosse criado numa família em que a prioridade, em vez da alegria, fosse a compreensão e a empatia? Imagine se seus pais perguntassem “Como vai você?” porque realmente quisessem saber a verdade. Talvez você não se sentisse impelido a responder “Vou bem”, todas as vezes, porque saberia que eles agüentariam se você dissesse “Hoje o meu dia foi brabo”. Eles não tirariam conclusões precipitadas, nem ficariam achando que cada problema era uma catástrofe que eles precisavam consertar. Simplesmente ouviriam o que você tivesse para dizer e depois fariam o possível para compreender a ajudar você.

Em sua forma mais básica, empatia é a capacidade de sentir o que o outro sente. Como pais dotados de empatia, ao ver nossos filhos chorarem, conseguimos nos ver no lugar deles e sentir sua dor. Ao vê-los irritados, batendo o pé, podemos sentir a frustração e a raiva que eles sentem.

Como a empatia pode ter tanta força? Creio que por fazer que os filhos vejam os pais como alidados.

Quando procuramos compreender a experiência de nossos filhos, eles se sentem amparados. Sabem que estamos do lado deles. Quando deixamos de criticá-los, de fazer pouco do que sentem, ou de tentar desviá-los de seus objetivos – eles nos dão entrada. Abrem-se conosco. Dão opiniões. Suas motivações ficam menos misteriosas, o que, por sua vez, faz que haja mais compreensão.

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