segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Pesquisadores de universidades paulistas criam programa de prevenção de transtorno mentais em jovens
Fonte: Revista Mente&Cérebro
31 de julho de 2012
Cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP) lançaram um projeto para criar um centro de apoio sociopsicológico para acompanhar jovens expostos a fatores de risco para desenvolver dependência química e transtornos mentais, como convivência com violência e drogas.
Chamado provisoriamente de “Espaço Cuca Legal”, o futuro centro de tratamento vai dispor de atividades socioeducativas, como oficinas de leitura, teatro, música e esportes, com acompanhamento de equipe multidisciplinar. Os pesquisadores acreditam que a orientação sobre comportamentos sexuais saudáveis, o estímulo a atividades físicas e esportivas e socioculturais e a conscientização sobre os riscos do consumo de álcool, drogas e o tabagismo na adolescência, podem mudar o comportamento dos jovens e inibir ou retardar o desenvolvimento do surto psicótico.
Um projeto piloto será feito com jovens na região de Vila Maria, zona Norte de São Paulo, que possui cerca de 300 mil habitantes e onde foi criada uma área de capacitação. A ideia é dividir a região em seis áreas (50 mil pessoas cada), que serão mapeadas por agentes de saúde para identificar os casos mais emergentes e encaminhá-los para atendimento no centro de prevenção,
Cerca de 30% dos paulistas apresentam algum distúrbio psíquico, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Centros de pesquisas de várias partes do mundo indicam que patologias, como depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar, eclodem principalemente durante a adolescência, entre os 10 e 24 anos. A falsa impressão de que os jovens são sempre muito saudáveis, além do estigma das doenças mentais, contribuem para retardar o diagnóstico e o início do tratamento, o que agrava o problema e traz repercussões por toda a vida.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Maconha faz mal?
| por Sérgio de Paula Ramos* | | | |
| Zero Hora Sou dos que pensam que não cabe a um especialista determinar como uma sociedade deve se comportar frente a este ou àquele tema. Nosso dever é dar informações científicas e permitir que, em posse delas, a própria sociedade decida sobre seus caminhos. Outro fato relevante é que maconha, na história natural de um dependente químico, é a segunda droga de experimentação, sendo a primeira o álcool; daí porque se diz que ambas são drogas de entrada para as demais. Igualmente, é de se destacar o fato de que quanto mais uma droga for oficial ou oficiosamente liberada, maior será seu consumo e os problemas decorrentes dele. Perguntados sobre por que experimentaram maconha, os jovens respondem que por curiosidade e pressão do grupo. Já com os não experimentadores a resposta é que não experimentaram porque é proibido e faz mal. Tais fatos estão muito bem documentados por uma plêiade de trabalhos científicos de todos os quadrantes. Em ciência, primeiro fazemos uma observação, depois usamos uma metodologia consistente para verificar se nossa observação procede; depois, ela é compartilhada por outros pesquisadores, até que se transforme num consenso. Não é o caso desse trabalho, publicado há 11 anos pelo Dr. Dartiu Silveira, citado pelo jornalista Marcos Rolim. Sua amostra foi pequena, seu tempo de seguimento insuficiente, e as demais variáveis não neutralizadas. Tais imprevidências impossibilitaram que a comunidade científica compartilhasse das conclusões do autor e, decorridos todos esses anos, desconheço outro trabalho que tenha chegado aos mesmos resultados; e mais, tampouco tenho informação de que algum serviço de dependência química no mundo esteja se regendo por essa orientação terapêutica, de sugerir que uma porta de saída para o crack seja usar maconha. Aliás, no passado, cometia-se a ingenuidade de se achar que cachimbo ajudaria o tabagista a parar de fumar ou que calmantes, tipo diazepínicos, ajudariam alguém a parar de beber. Portanto, a título de resumo, o uso de maconha por jovens é deletério, sua liberação aumentará o consumo e os problemas dele decorrentes. Em posse de tais informações, que a sociedade decida o que quer fazer. Até lá, o debate robusto e elegante ajudará; e que não se tome como atitude antiética lembrar fato verdadeiro e de conhecimento público. * Psiquiatra e psicanalista, coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus |
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
A erva que leva à psicose
Estudos mostram que a maconha apressa o surgimento – e agrava os sintomas – de doenças mentais como a esquizofrenia
A esquizofrenia é um distúrbio psiquiátrico que afeta sete em cada 1.000 pessoas no mundo, com sintomas como alucinações, desvios de percepção, discursos confusos e isolamento voluntário. Acredita-se que metade dos casos tenha origem genética, mas ainda não se desvendou por completo sua patogenia. Uma das principais linhas de pesquisa relaciona a esquizofrenia ao consumo de maconha. Muitos estudos concluem que a droga pode estimular e ampliar os sintomas da doença. Essa tese ganhou força há duas semanas com a divulgação de uma pesquisa conduzida na Holanda. Um grupo de médicos avaliou o comportamento de oitenta usuários da droga – 42 deles portadores de distúrbios psicóticos, como a esquizofrenia. Eles foram acompanhados por seis dias. A cada 85 minutos, tinham de responder a um questionário sobre em que estágio do efeito da droga se encontravam e qual era o seu estado de espírito naquele momento. Nos usuários com psicoses, os efeitos colaterais da maconha, como as alucinações, continuaram a se manifestar e até se intensificaram após – e não apenas durante – o período ativo da droga.
O estudo concluiu que os pacientes esquizofrênicos são mais sensíveis aos efeitos da maconha. Disse a VEJA a psiquiatra Cécile Henquet, que conduziu o estudo holandês: “Embora o uso da droga tenha também seus efeitos positivos nos pacientes com esquizofrenia, como a perda de timidez, após horas do consumo as manifestações psicóticas aparecem em escala aumentada. Por isso, a exemplo do que concluiu um recente estudo americano, podemos sugerir que o consumo de maconha antecipa a manifestação da esquizofrenia”.
Há tempos a maconha é apontada como vilã para os portadores de distúrbios psiquiátricos. Estudos realizados há uma década nos Estados Unidos já mostravam que os esquizofrênicos usuários da droga eram hospitalizados com mais freqüência, respondiam menos a medicamentos e tinham dificuldade em completar testes de memória. A própria composição química da maconha sustenta essas teorias. Um componente chamado tetraidrocanabinol causa alucinações e, quando administrado em altas doses pode provocar crises de paranóia. Entretanto, outro componente químico presente na droga, o canabidiol, tem efeito contrário, antipsicótico. É nele que se baseiam aqueles que vêem na maconha uma erva medicinal. Em estados americanos em que a droga é legalizada para fins terapêuticos, como Califórnia e Nova York, existem cursos em universidades que estudam os efeitos medicinais da maconha e ensinam como cultiva-la. Para a maioria dos cientistas, difícil mesmo é engolir que uma droga que agrava as psicoses possa fazer bem.
Carolina Romanini
Revista Veja – edição 2176, de 04.08.2010 – pg. 125.


