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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Estímulos Urbanos causam Hipersensibilidade ao Estresse

Milhares de rostos desconhecidos, congestionamentos diários, criminalidade. Viver nas grandes cidades implica uma série de desafios neurais. O psiquiatra Andreas Meyer-Linderberg, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, reuniu estudantes da zona rural, de pequenos centros urbanos e de metrópoles, e pediu que resolvessem uma prova simples de matemática, com um detalhe: enquanto faziam a tarefa eram pressionados por um pesquisador da equipe do psiquiatra, que enfatizava a importância do teste e criticava o desempenho de todos os voluntários.

Os resultados obtidos por meio de imagens do cérebro dos participantes mostram que, nos habitantes das capitais, houve maior atividade na amígdala e n córtex cingulado anterior, regiões envolvidas no controle das emoções e na resposta a estímulos estressores. Em artigo publicada na revista Nature, Meyer-Linderberg sugere que os moradores de centro s urbanos desenvolvem uma espécie de “hipersensibilidade” em áreas associadas ao estresse. O pesquisador pretende estudar se há alguma relação entre essa reação acentuada e o surgimento de transtornos psíquicos – cuja incidência é proporcionalmente maior em metrópoles – e de doenças mentais em pessoas com predisposição genética.

Fonte: Revista Mente & Cérebro n° 228, janeiro/2012, pág. 76

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_5/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011

Questionário

No último ano você:

- Ficou mais preocupado em jogar videogame, ler sobre os jogos ou planejar a próxima oportunidade de jogo?

- Gastou mais tempo e dinheiro com jogos para atingir o mesmo grau de satisfação de antes?

- Tentou impor limite no tempo de jogo? Em caso afirmativo, obteve sucesso?

- Ficou irritado ou ansioso quando tentou reduzir o tempo?

- Usou os jogos como forma de escapar de problemas?

- Já mentiu para familiares ou amigos sobre o tempo de jogo?

- Já cometeu algum ato ilegal ou antissocial para conseguir acesso a jogos?

- Negligenciou afazeres domésticos ou escolares para ficar mais tempo jogando?

- (Para estudantes) Já teve mau rendimento em prova ou dever de casa por ter passado muito tempo jogando?

- (Para não estudantes) Suas atividades no trabalho já foram prejudicadas por você ter passado muito tempo jogando?

- Precisou de ajuda financeira de familiares ou amigos por ter gastado muito com acessórios, jogos ou taxa de internet?

Avaliação:

Conte 1 ponto para cada “Sim”, 0 ponto para cada “Não” e 0,5 para cada “Às vezes” (com exceção do item 3, que rende 1 ponto apenas se tentou limitar e não obteve sucesso. Acima de 5 pontos pode-se considerar jogo patológico. (Gentile 2009).

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_4/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011


Entrevista

Douglas Gentile, Diretor do Laboratório de Pesquisa de Mídia da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos.

Graduado em psicologia pela Universidade de Nova York, mestre e doutor em psicologia infantil pela Universidade de Minnesota. Atualmente é professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Iowa.

O psicólogo Douglas Gentile coordenou um estudo com mais de 3 mil crianças de Cingapura em idade escolar. A pesquisa, publicada na última edição da revista Pediatrics, constatou que um em cada dez menores era viciado em jogos e a maioria não conseguia se livrar do problema. O artigo também aponta que, embora as crianças já tivessem propensão a desvios de comportamento, o uso excessivo de videogames aparentemente agravou esses transtornos.

- Como o sr. Define o vício em jogos eletrônicos?

Na minha opinião, é um transtorno do controle dos impulsos. Ou seja, o jogador sabe que deveria fazer sua tarefa, mas não consegue frear o impulso de continuar jogando. Isso significa que não é algo nos jogos que é “viciante”, mas que a pessoa permitiu que o hábito tomasse proporção exagerada.

- Para a maioria dos pais, é difícil distinguir a brincadeira prolongada da condição patológica. Como ajudá-los?

Medir o tempo gasto em uma atividade não é maneira adequada de diagnosticar um vício. Por exemplo, muitas pessoas bebem muito álcool, mas não são alcoólatras. Para ser um vício, um adicto deve fazer algo de forma a prejudicar sua vida. E também prejudicar múltiplas área de sua vida, não apenas uma ou duas.

O sr. Acredita que o vício em jogos é um sintoma de uma condição pré-existente?

A princípio pensamos que era um sintoma de outros problemas, como depressão ou fobia social, mas descobrimos que é o oposto. Parece que a depressão, a ansiedade e as fobias sociais pioraram quando o vício piorou e melhoraram assim que o vício melhorou.

Há algum conselho que o sr. pode dar para os pais?

Estabeleça limites claros tanto no tempo de jogo (recomendo não mais de uma hora por dia) quanto no conteúdo (os jogos devem ser apropriados para a idade e não devem incluir ações violentas).

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_3/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011

Sem temor

Para Quézia Bombonatto, da Associação Brasileira de Psicopedagogia, os pais não podem ter medo de colocar limites. O ponto de equilíbrio, diz, vai depender dos valores de cada família.

Como o cérebro de crianças e adolescentes ainda não está totalmente formado, eles têm mais dificuldade para controlar seus impulsos, explica a neuropsicóloga Adriana Foz. “Os pais precisam estar próximos para ampara-los, assim como cuidam de um bebê que está aprendendo a andar”. No caso de crianças menores, continua, cabe aos pais determinar quando, como e para que usar o computador. Com os adolescentes é preciso manter o diálogo. “O mundo digital oferece inúmeras oportunidades de desenvolvimento cognitivo, aprendizagem e diversão. Não temos como negar, nem omitir, mas aprender a fazer um uso saudável e agregador”.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_2/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011


Número mágico

Segundo o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, do Ambulatório de Tratamento de Dependências Não Químicas da Unifesp, não existe um “número mágico” que caracterize a dependência. “Há pessoas que vão sofrer prejuízos com duas horas diárias de uso e outras que podem jogar oito horas e continuar bem. É preciso olhar o contexto”, diz. A relação disfuncional com o jogo, contínua, é sintoma de um problema anterior.

Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP, concorda. Ela realiza um trabalho de orientação por e-mail a dependentes de internet e jogos eletrônicos e conta que o primeiro passo para a recuperação é identificar a dificuldade que levou ao uso abusivo.

Geralmente são jovens introvertidos que não se sentem muito prestigiados na vida real, mas nos jogos conseguem ser os melhores”, conta. Também costumam estar subjacentes problemas de autoimagem e de comunicação com a família.

Proibir o uso do computador ou do videogame, diz Rosa, não é a solução. “O melhor que os pais podem fazer é ter uma atitude preventiva. Para isso é preciso conhecer as possibilidades do mundo virtual, aproximar-se do jovem, acompanhar o uso das tecnologias e ajuda-lo a discriminar o bom do ruim”.

A administradora Angélica tem procurado colocar essa ideia em prática com a filha Gabriela. “Para entrar em um site novo de jogo, ela precisa me avisar antes para eu avaliar o conteúdo. As conversas no MSN também devem ser gravadas e, de vez em quando, dou uma olhada”. Angélica conta que a interação com pessoas desconhecidas por meio dos jogos é o que mais a preocupa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Internet favorece agilidade mental de idosos

Neuroimageamento revela que após experiência tecnológica atividades de algumas regiões cerebrais aumentam


Não importa a idade nem a experiência prévia com mouse e teclado, o uso da internet faz bem ao funcionamento cerebral – e os resultados já aparecem depois de poucas semanas de treino. É o que constata um estudo realizado por neurocientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles apresentado na última reunião da Sociedade de Neurociências, em Chicago. Eles acompanharam um grupo de 24 pessoas saudáveis de 55 a 78 anos, sem familiaridade com computadores. Elas passaram por duas semanas de treino, nas quais fizeram exercícios de navegação e busca na internet durante uma hora todos os dias. Sua atividade cerebral foi analisada duas vezes, antes e depois do experimento, por meio de ressonância magnética funcional. Os resultados foram comparados aos de outro grupo que já usava computador diariamente. O neuroimageamento revelou que, após a experiência tecnológica, houve aumento da atividade de regiões do cérebro responsáveis pela linguagem, leitura, memória, habilidades visuais e tomadas de decisão. Além disso, o nível de atividade cerebral se equiparou ao do grupo que já lidava com computadores cotidianamente.

Fonte: Revista Mente e Cérebro, 15 de Janeiro de 2010, nº 204
Fonte da Imagem: © monkey business images/shutterstock

Comentário:

Sempre que puderem, as pessoas com mais de 50 anos, não só devem fazer uso da internet, mas também ter uma ocupação, um trabalho, leitura, aprender línguas, fazer palavras cruzadas e jogos do tipo xadrez, com uma certa disciplina em relação a horário. Também é recomendável ter compromissos sociais e praticar atividades físicas. Manter sempre uma atividade mental contribui para retardar ou até evitar as temidas demências (Alzheimer) das pessoas idosas.