Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O dilema das aulas particulares_5/5


Por Daniela Macedo – daniela.macedo@abril.com.br
Revista Veja, 11 de Abril, 2012 – pgs 116 a 118



Estudar por lazer

Parece sonho, mas alguns alunos gostam, e muito, de estudar. Quando há facilidade em aprender e interesse maior da criança por uma matéria específica, os pais chegam a um (agradável) impasse: investir no talento do filho com atividades relacionadas à disciplina preferida, ou abordar outras áreas do conhecimento a fim de manter o equilíbrio? Segundo os especialistas, todo incentivo é bem-vindo. Ou seja, se a criança gosta de literatura, de fato vale estimular o escritor potencial que há nela. Mas não sem antes considerat algumas questões;

- É importante garantir que a acriança tenha um tempo reservado às brincadeiras, sem responsabilidade de cumprir horários e tarefas

- Os pais não devem descuidar das outras áreas acadêmicas,. Ou seja, as atividades extras não devem sobrecarregar a criança nem afetar as notas de outras disciplinas.

- O ideal é diversificar, mesmo que dentro da área de interesse da criança. Se ela demonstra fascínio pelas aulas de artes, pode frequentar cursos de desenho, pintura e música. Para as que têm facilidade em matemática, há curso de informática, robótica e até aeromodelismo.

- Ensinar os colegas de escola que precisam de uma mãozinha na matéria é um excelente exercício, já que criar explicações para fazer o outro entender reforça o conhecimento. Também para o amigo-aluno há vantagens. “É mais fácil aprender quando se é ensinado por alguém da mesma idade”, diz a psicopedagoga Neide Noffs, da PUC-SP.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O dilema das aulas particulares_4/5


Por Daniela Macedo – daniela.macedo@abril.com.br

Revista Veja, 11 de Abril, 2012 – pgs 116 a 118




Transtorno ou travessura?

Os especialistas alertam para o excesso de diagnósticos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) entre crianças na fase escolar.
Com tantos estímulos – celulares, games, computadores -, as crianças multitarefas podem se entediar facilmente ao realizar tarefas que consideram monótonas. Quando obrigadas a permanecer sentadas por várias horas na sala de aula, então, a perda de paciência e concentração é quase inevitável – e, na esteira dela, vem as notas baixas. Daí para suspeita de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é, hoje em dia um passo. O questionário mais comumente usado para diagnosticar o distúrbio, porém, não é unanimidade entre os especialistas. A psicóloga Marilene Proença, da Universidade de São Paulo, explica: as perguntas não são contextualizadas nem sofrem adaptação para diferentes faixas etárias. Ou seja, questão como tem dificuldade de esperar sua vez?” e “fala em excesso:”, além de subjetivas, servem para avaliar crianças de 3 a 12 anos, que têm noções de tempo muito diversas e estão em estágios de sociabilidade distintos. Marilene Proença é membro da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional e do Fórum sobre Medicalização, grupo composto de pediatras, professores e outros profissionais de saúde e educação, que discute o uso de medicação para tratar comportamentos. “O limite ente atitudes típicas da infância e um distúrbio neurobiológico é em parte cultural nem sempre objetivo”, dia a psicóloga. O tratamento envolve medicamentos que têm forte impacto sobre o sistema nervoso central e podem causar efeitos adversos como dor de cabeça, náusea e taquicardia. “Um diagnóstico impreciso de TDAH implica usar medicação para resolver um problema que na maior parte das vezes é pedagógico”, diz Marilene. A recomendação, portanto, é de cautela: se houver suspeita de TDAH, o ideal é buscar o veredicto de vários profissionais antes de decidir-se pelo emprego de medicamentos.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O dilema das aulas particulares_3/5


Por Daniela Macedo – daniela.macedo@abril.com.br
Revista Veja, 11 de Abril, 2012 – pgs 116 a 118


Dificuldade em habilidades básicas

A criança até parece levar jeito para o raciocínio matemático – mas, na hora de resolver a lição, não sabe nem por onde começar. O problema talvez não esteja na matemática, mas sim no português: é o enunciado das questões que ela não entende. Nesses casos em que a dificuldade de aprendizado não está associada ao conteúdo da matéria, é claro eu as aulas de reforço daquela disciplina não vão adiante nada.
Se os professores da criança não se tocaram desse fato comum da vida, é sinal de que eles é que não estão prestando atenção na aula. Converse, cobre, insista e encoraje: reforços bem direcionados em geral bastam para por tudo de volta nos trilhos. “Os professores e pedagogos têm de ser capacitados para identificar dificuldades com habilidades básicas como leitura e interpretação de texto ou compreensão de sentenças matemáticas”, explica Neide Noffs, coordenadora do curso de psicopedagogia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

Defasagem de conteúdo

Segundo os especialistas, trata-se da única situação em que aulas particulares são benéficas. A defasagem acontece principalmente quando a criança muda de escola e passa a frequentar uma instituição mais exigente, ou quando se afasta por período longo, por doença ou outro problema familiar. Nesse caso, as aulas de reforço são a melhor solução para o aluno alcançar o nível dos colegas. Outra possibilidade: o aluno diz que vai mal em química porque “detesta” a matéria. Aí, volta-se ao segundo item deste guia, aquele referente ao empenho; não se poder fazer só aquilo que se gosta, e o emprego do alunos é estudar...

O momento para começar

Em geral, os pais aflitos recorrem às aulas particulares aos 45 minutos do segundo tempo, como uma medida desesperada para salvar o ano letivo. “É um erro grave deixar as aulas de reforça para o último bimestre, pois os conteúdo que ao aluno deixou de aprender nos primeiros meses seria justamente a base para o resto do ano. Em esse conhecimento básico, as dificuldades nos meses seguintes são inevitáveis”, diz o professor Garcia. Os colégios que oferecem aulas de reforço e plantões de dúvidas aos alunos com rendimento insatisfatório, procuram resolver o problema assim que ele surge. No Vértice, em São Paulo, e no pH, no Rio de Janeiro, por exemplo, o reforço entra em cena assim que aparecem as primeira notas baixas, nos primeiros meses do ano letivo. Trocando em miúdos, o primeiro bimestre é o da avaliação. o segundo, o da ação.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O dilema das aulas particulares_2/5


Por Daniela Macedo – daniela.macedo@abril.com.br
Revista Veja, 11 de Abril, 2012 – pgs 116 a 118




Participação dos pais

O primeiro passo para entender por que seu filho está indo mal é acompanhar muito de perto a vida escolar dele. Oferecer um espaço tranquilo para que ele estude, supervisionar seus boletins, conferir sua lição de casa e as anotações feitas em aula, nos cadernos – além de ouvir com atenção o que ele tem a dizer sobre a escola e os professores -, são deveres dos pais. O objetivo não é pressionar o aluno a se destacar dos colegas nem fazer a lição de casa por ele; é dar amparo para que ele progrida por seus próprios esforços. É uma boa ideia também estimular o interesse pelas matérias nos horários de lazer, comprando livros ou visitando exposições. Finalmente, é fundamental que os pais conversem regularmente como os professores, para conhecer em profundidade o método do colégio e o comportamento do filho no ambiente escolar. “O sucesso do aluno depende da parceria dos pais com a equipe pedagógica!”, diz Rui Alves, diretor de ensino no do Colégio PH, do Rio de Janeiro.

Empenho do aluno

É preciso avaliar – e reconhecer – quando é a própria criança ou adolescente quem cria barreiras para o aprendizado, ao negligenciar o que é dito em sala de aula, ignorar as lições de casa e recusar-se a participar de atividades organizadas pelo colégio. Escassez de anotações ou informações incorretas no caderno são sinais de desorganização e desatenção. “Na maioria das vezes, é a falta de disciplina do aluno o motivo de seu baixo rendimento”, diz Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice, em São Paulo. A saída, aí, é estabelecer uma disciplina para a criança e acompanhá-la passo a passo, todos os dias ,até que ela tenha se tornado uma segunda natureza. Vai dar um trabalho danado, mas vale a pena. A lição fica para a vida toda.

Metodologia de ensino da escola

A explicação para o desânimo do aluno pode estar no método da escola. Se em casa a criança usa o computar ou o tablet, joga games e tem acesso à internet, é natural que se sinta entediada quando a obrigam a passar horas copiando frases da lousa. “A metodologia deve ser compatível com a realidade do aluno. Uma criança cercada de tecnologia precisa de dinamismo para motivá-la”, diz Silva Colello, a USP. Ou seja: não adianta, por exemplo, tentar compensar o ambiente liberal de casa escolhendo uma escola rigorosa e conservadora. O único resultado será tornar a criança infeliz e desconfortável. O especialista lembra ainda que irmãos podem não se adaptar à mesma instituição de ensino. “Muitas vezes, a escola que é boa para um filho é ruim para o outro”. Nesses casos, em vez de tentar mudar o filho, pode ser mais produtivo mudar de colégio.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O dilema das aulas particulares_1/5


Por Daniela Macedo – daniela.macedo@abril.com.br
Revista Veja, 11 de Abril, 2012 – pgs 116 a 118


O baixo rendimento de um aluno ao longo do ano consuma levar a família a una corrida contra o tempo, para que ele não perca o ano letivo, sobrecarrega-se o filho com aulas particulares no quarto bimestre.

A atitude, porém, é reprovada pelos especialista em educação. Além da pressão psicológica e do cansaço físico que acarretam, as aulas particulares podem enfraquecer o compromisso da escola com o ensino. “Não mais do que 3% a 7% das crianças apresentam alguma dificuldade real de aprendizado – decorrente, por exemplo, de problemas de visão ou audição, dislexia ou algum tipo de comprometimento neurológico”, diz Silva Colello, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
Fora esse universo restrito, cabe à equipe pedagógica da escola atender de forma eficaz os alunos com diferentes ritmos de aprendizado, elaborando estratégias de ensino diversificadas e oferecendo plantões ou aluas de reforço. 

A seguir, especialista comentam os pontos que deem ser avaliados quando as notas vêm baixas.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Quietos sim. E daí?_8/8


Por Susan Cain – Escritora e Consultora empresarial formada em direito pelas Universidades de princeton e Harvard. Este artigo foi adaptado do original “O Poder dos Quietos” (Agir, 2012) com a autorização da Editora.

Da revista Mente & Cérebro n° 233, Junho/2012

Coisa demais para o cérebro resolver

Há alguns anos, o neurocientista Matthew Lieberman, na época um aluno de pós-graduação em Harvard, propôs o seguinte experimento: 32 pares de introvertidos e extrovertidos, todos desconhecidos uns dos outros, conversaram por alguns minutos ao telefone. Quando desligavam, pedia-se que preenchessem questionários detalhados, avaliando como haviam se sentido e se comportado durante o diálogo. “O quanto você gostou de seu parceiro?” “O quanto você foi amigável?” “O quanto gostaria de interagir com essa pessoas novamente?”. Também foi pedido que os voluntários se colocassem “na pele” de seus parceiros de conversa: “O quanto acha que ele gostou de você?”, “O quanto ele foi sensível a você?”, “Quão encorajador lhe pareceu?”.

Lieberman e seus colaboradores compararam as respostas e ouviram os diálogos e fizeram seus próprios julgamentos a respeito de quanto os participantes se sentiam um em relação ao outro . Eles descobriram que os extrovertidos eram muito mais preciosos do que os introvertidos em perceber se seus parceiros haviam gostado de falar com eles. 

Essas descobertas sugerem que pessoas com esse traço são mais eficientes em decodificar pistas sócias do que os introvertidos. Em um primeiro momento, isso não pareceu surpreendente, já que prevalece a hipótese popular de que extrovertidos são melhores na leitura de situações sociais. Por meio de um desdobramento de sua experiência,a porém, Lieberman mostrou que essa hipótese não está correta.

O neurocientista e sua equipe pediram a um grupo de pessoas que ouvissem as gravações das conversas que haviam acabado de ter – antes de preencher um questionário. Eles descobriram que nesse grupo não havia diferença entre introvertidos e extrovertidos em sua habilidade de ler pistas sociais . Por quê? A resposta é que os indivíduos que ouviram as gravações puderam decodificar pistas sociais sem ter de fazer mais nada ao mesmo tempo. Mais: introvertidos são decodificadores bastante bons, até melhores que os extrovertidos. Mas esses estudos mediam quão bem os mais retraídos observam dinâmicas sociais – e não quanto se envolvem nelas, já que isso impõe demandas ao cérebro muito diferentes das exigidas na observação. Participar requer uma espécie de cumprimento mental de várias tarefas ao mesmo tempo: a capacidade de processar muitas informações de curto praz de umas só vez sem se distrair ou se estressar demais. Esse é o tipo de funcionamento neurológico no qual extrovertidos geralmente têm facilidade.

Considere que a mais simples interação social, mesmo entre duas pessoas, requer a realização de uma impressionante quantidade de tarefas: interpretar o que o outro está dizendo; interpretar sua linguagem corporal e as expressões faciais; sutilmente se revezar entre falar e ouvir; responder ao que a outra pessoa disse; perceber se está sendo compreendido; determinar se é bem recebido e, se não, encontrar uma forma de melhorar a situação ou retirar-se dela. Pense no que é necessário para processar tudo isso de uma só vez! E isso numa conversa com uma só pessoa. Agora pense na quantidade de tarefas simultâneas que é necessária em uma configuração de grupo. Por isso, quando introvertidos assumem o papel de observadores, escrevem romances ou se atêm a uma teoria, por exemplo, não estão demonstrando falta de vontade e ou de energia – simplesmente estão fazendo o que sua constituição manda.

Para Saber Mais.
O Poder dos Quietos – Como os tímidos e introvertidos podem mudar os mundo que não pára de falar. Susan Cain. Agir, 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quietos sim. E daí?_7/8


Por Susan Cain – Escritora e Consultora empresarial formada em direito pelas Universidades de princeton e Harvard. Este artigo foi adaptado do original “O Poder dos Quietos” (Agir, 2012) com a autorização da Editora.

Da revista Mente & Cérebro n° 233, Junho/2012


Lentidão e cachos

Em 1921, o psiquiatra suíço Carl Jung, criador da psicologia analítica, publicou um livro bombástico: Tipos psicológicos. A obra foi fundamental para a popularização dos termos “introvertido” e “extrovertido” como os pilares da personalidade. Pessoas que se adequam ao primeiro grupo são atraídas pelo mundo interior do pensamento e do sentimento e os demais pela vida externa: outras pessoas e o ambiente lhes parecem mais atraentes. Enquanto os introvertidos focam no significado que tiram dos eventos ao seu redor, extrovertidos mergulham nos próprios acontecimentos, de forma mais concreta. É como se os retraídos recarregassem suas baterias ficando sozinhos e os expansivos o fizessem por meio da socialização.

Um fato a ser considerado é que não há uma definição geral para introversão ou extroversão – não se trata de categorias unitárias, como “cabelos cacheados” ou “40 anos”, que permitem perceber claramente quem se enquadra em uma delas. Por exemplo, a introversão pode se entendida tanto como sinal de uma rica vida interior quanto como falta de autoconfiança e de capacidade de socialização. Além disso, alguns argumentam que as ideais de Jung são datadas, enquanto outros concordam entusiasticamente com elas.

Ainda assim, os profissionais tendem a concordar em vários pontos importantes:

1. Introvertidos e extrovertidos diferem quanto ao nível de estímulo externo de que precisam para funcionar bem.

2. Há diferenças na forma de trabalhar. Extrovertidos tendem a terminar tarefas rapidamente, tomam decisões rápidas (e às vezes drásticas) e sentem-se confortáveis com muitas tarefas ao mesmo tempo: gostam da “excitação da caça” por recompensas como dinheiro e status. Já os introvertidos costumam ser mais lentos e ponderados, gostam de focar em uma atividade cada vez e podem ter um grande poder de concentração, além de serem relativamente imunes às tentações da fama e fortuna.

Vale lembrar que nossa personalidade molda também nossos estilos sociais. Extrovertidos são pessoas que darão vida a um jantar entre amigos e rirão generosamente de suas piadas. Eles tendem a ser assertivos, dominantes e necessitam muito de companhia. Eles pensam em voz alta e rapidamente; preferem falar a escutar, raramente se encontram sem palavras e ocasionalmente vomitam palavras que nunca quiseram dizer. Sentem-se confortáveis em conflitos, mas não com a solidão. Os introvertidos podem ter várias habilidades sociais e até gostar de festas e reuniões de negócios, mas depois de um tempo desejam estar em casa, de preferência de pijama. Eles preferem devotar suas energias sociais aos amigos íntimos, colegas e família. Ouvem mais do que falam e muitas vezes sentem que se exprimem melhor escrevendo do que falando. Tendem a não gostar de conflitos, têm horror a jogar conversa fora, mas apreciam discussões profundas. E podem ser reclusos ou misantropos, mas a maioria é perfeitamente amigável, acredite.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem_7/12

Indicadores Precoces

Contando para trás

Se uma criança é diagnosticada como dislexia, há uma possibilidade razoável de que ela possa ter também algum tipo de dificuldade em matemática e deveríamos estar prevenidos para essa possibilidade.

Um indicador muito simples (e simplista) das possíveis dificuldades com números é a inabilidade para contar para trás de dois em dois ou de três em três, começando por exemplo de 30, ou falar qual número está 5 lugares antes de 21.

Como os disléxicos freqüentemente têm falta de compreensão dos traços gerais, da ordem e da estrutura do sistema numérico, eles freqüentemente têm que começar de 0 ou 1, em qualquer tarefa de contar ou calcular.

Por exemplo: eles não podem responder a 7 + 8 sem primeiro contar até 7 e então adicionar 8, em vez de começar de 7 e continuar contando. Se lhes perguntarmos a resposta de 6 x 6, os disléxicos freqüentemente podem responder se começam de 1 x 6 =,2 x 6 =,etc.

Tabuada

Uma das maiores preocupações que pais e professores mencionam é a dificuldade que os disléxicos têm para aprender a tabuada. Isso é verdade, e sabendo disso parece francamente fútil procurar forçar o resultado.

A idéia da tabuada é reduzir o tempo dos cálculos, mas, como freqüentemente prolonga o tempo para os cálculos dos disléxicos (realmente aumenta o tempo que leva, pois adiciona angústia), a sugestão é que a insistência nesse aspecto do cálculo seja eliminada.

É melhor dar para os disléxicos materiais auxiliares como esquadros, linhas numeradas, ou calculadoras, em vez de obrigá-los a grandes esforços.

O valor da posição

Um outro problema é a falta de compreensão do valor da posição no sistema numérico. A confusão nesta área é frequentemente disfarçada nos primeiros anos, pois as crianças aprendem as regras apropriadas para somar e subtrair e podem usá-las se estas são apresentadas de uma forma especial - são mecanicamente aprendidas. Se essa colocação é mudada, ou se é necessário usar conhecimento dos números, a pessoa freqüentemente carece de flexibilidade para usar seu conhecimento de outra forma, e sua dificuldade de compreensão se torna visível.

Reagrupando ("transportando") números

Ambos os problemas, os da memória em curto prazo e os da dificuldade de compreensão do sistema de valor da posição, podem dificultar ao disléxico:

a) lembrar-se de reagrupar (transportar);

b) lembrar-se de qual número escrever embaixo e qual carrega(transportar).

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Crônica de Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão.

O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo... Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.

Então?

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário.

Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim. Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém.... Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!

Autor: Roberto Freire

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Casamento

por José Ângelo Gaiarsa


O segredo da felicidade


Não dá para pensar num casamento feliz para todo o sempre. O segredo da felicidade é perceber quando ela chega na nossa vida, e aproveitá-la até que esse momento se esgote.

Casamento não foi feito para amor nem pra felicidade

O casamento foi feito para impedir o desenvolvimento das pessoas. Criança desenvolve, adolescente desenvolve, e depois você fica maduro e aí não muda mais… Pais e mães não podem se desenvolver muito, sair de casa, procurar cursos, não podem. Em todas as civilizações conhecidas o adulto é tido como o ideal da educação, a criança tem que se tornar igual ao adulto, e aí ela está educada… Isso é um horror!!! Casamento não foi feito para amor nem pra felicidade, mas para garantir o patrimônio e a continuidade do patriarcalismo, porque criança não tem direito nenhum.

Casamento

Casei cinco vezes e diria que um casamento que dura de quatro a sete anos pode ser interessante, dependendo da pessoa, circunstâncias e tudo mais. A segunda: hoje o que eu consideraria ideal, eu diria que é poder ter duas, três, quatro mulheres, amigas, eventualmente coloridas, e elas também terem dois, três, quatro homens. Eu acho que era a solução. Mesmo os bons amigos você não tem vontade de ver sempre. Há certos dias em que você diz: “Ih! Se ele vier aqui hoje vai ser um saco”. E quando se está casado é a mesma coisa.

Autor: José Ângelo Gaiarsa

segunda-feira, 4 de julho de 2011

É hora de procurar ajuda? 4/4

Quarta postagem de 4 matérias que entrarão nos dias 27, 29 de Junho e 01, 04 de Julho.


por Robert Epstein

Doutor em psicologia pela Universidade Harvard


Fonte: Revista Mente&Cérebro - edição 216 - Janeiro 2011 - págs 48 a 53


Teste – Sentir, pensar e agir

Para conhecer o teste completo basta acessar o site http://DoYouNeedTherapy.com. A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:

1- TRANSTORNOS DO CONTROLE DE IMPULSOS

(a) Às vezes não sou capaz de controlar a minha raiva
(b) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes, traz
grandes problemas
(c) Estou preocupado com as apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quanto ao jogo

2- ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

(a) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer
minhas necessidades
(b) No ano passado tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, de drogas ou de cigarros
(c) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas

3- DEPRESSÃO MAIOR

(a) Nas últimas duas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias de que costumava gostar
(b) Há cerca de 15 dias venho pensando com frequência que quero morrer
(c) Pelo menos durante as duas últimas semanas, venho me sentindo deprimido quase todos os dias

4- FOBIAS ESPECÍFICAS

(a) Tenho medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
(b) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade de desenvolver o meu trabalho ou em conduzir a minha vida de maneira normal
(c) Tenho muito medo de um objeto ou uma situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico

5- FOBIAS SOCIAIS

(a) Sinto medo de ficar perto de outras pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irracionais ou excessivos
(b) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
(c) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas

6- TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO

(a) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meios radicais, para evitar ganho de peso
(b) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como ou me exercito de uma forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
(c) Não estou disposto ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o peso saudável

7- TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

(a) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
(b) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiência terrível ocorrida no passado
(c) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado

8- TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA

(a) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
(b) No mínimo nos últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de acontecimentos e atividades diferentes
(c) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído

9- TRANSTORNO BIPOLAR

(a) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
(b) Meu humor muda rapidamente, de depressivo a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
(c) Durante o ano passado o meu humor mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

10- TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

(a) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos, sem conseguir parar
(b) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
(c) Acredito que esses pensamentos possam ser irracionais ou exagerados. Faço ou penso repetidamente

PONTUAÇÃO

Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que a sua saúde mental esteja muito bem. Caso contrário, lembre-se de que esta não é a versão completa do teste e, ainda que fosse, sua aplicação não tem peso diagnóstico. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com os problemas. Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por situação de angústia que poderia ser mais bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria dos problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar desse desconforto.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

É hora de procurar ajuda? 3/4

Terceira postagem de 4 matérias que entrarão nos dias 27, 29 de Junho e 01, 04 de Julho.


por Robert Epstein

Doutor em psicologia pela Universidade Harvard


Fonte: Revista Mente&Cérebro - edição 216 - Janeiro 2011 - págs 48 a 53



Em busca de um diagnóstico


Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta (Da redação).

quarta-feira, 29 de junho de 2011

É hora de procurar ajuda? 2/4

Segunda postagem de 4 matérias que entrarão nos dias 27, 29 de Junho e 01, 04 de Julho.


por Robert Epstein

Doutor em psicologia pela Universidade Harvard


Fonte: Revista Mente&Cérebro - edição 216 - Janeiro 2011 - págs 48 a 53



O QUE É NORMAL?

Quando trabalhei como editor-chefe da
Psychology Today, com frequência os leitores me pediam que sugerisse testes de triagem para pessoas com problemas de saúde mental. Procurei por esse material no intuito de ajudar homens e mulheres a encontrar respostas às perguntas como “Será que este meu sentimento de desânimo é normal?”, “Por que eu grito com a minha mulher e meus filhos o tempo todo, mesmo não querendo fazer isso?”, “Será que perdi o controle da bebida?”. Encontrei milhares de testes “caseiros” na internet, mas nenhum havia sido validado cientificamente. Pior ainda, muitos serviam como veículos de marketing para vídeos, livros ou serviços, encaminhando o leitor que respondesse às questões direto para um setor de vendas. Não parecia existir nenhum teste amplo, confiável, favorável ao consumidor, que ajudasse alguém a refletir melhor sobre si mesmo.

Assim, desenvolvi o teste Triagem Epstein em Saúde Mental (Epstein Mental Health Inventory) (EMHI), baseado na quarta edição do
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), compêndio no qual médicos americanos se baseiam para fazer diagnósticos. O teste cobre 18 problemas psiquiátricos comuns nos Estados Unidos, como depressão maior, fobias, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que selecionei usando dados preponderantes do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estados Unidos, entre outras fontes. Para cada distúrbio são considerados três critérios do DSM-IV, que reescrevi em linguagem para leigos.


A ferramenta, porém, não tem o papel de diagnosticar ninguém. Seu objetivo é alertar para possíveis riscos de um transtorno, estimulando a busca por ajuda psicológica. O mais importante é ajudar as pessoas a se sentir e viver melhor, pois minha experiência tem mostrado que qualquer meio legítimo de levá-las a consultar um psicoterapeuta é válido. No ano passado, Laura Muzzatti, aluna da Universidade da Califórnia em San Diego, e eu apresentamos uma avaliação da EMHI usando uma amostragem de 3.403 pessoas que fizeram o teste depois de ele ter sido colocado na internet, em 2007. Verificamos que os resultados previram sete fatores importantes relacionados à saúde mental. A avaliação incluía o grau de felicidade declarado; o quanto se sentiam ativamente responsáveis por seu sucesso pessoal e profissional; se estavam empregados; se fizeram terapia em alguma ocasião, se alguma vez já haviam sido hospitalizados por problemas comportamentais ou emocionais e se, na época do teste, estavam em terapia. A pontuação não diferia de acordo com etnia, mas variava segundo o gênero: a pontuação das mulheres foi 17% mais elevada que a dos homens, parecendo apresentar mais problemas de saúde mental, um resultado consistente com os de outros estudos. Ou, pelo menos, foram mais sinceras e analíticas ao responder o questionário.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

É hora de procurar ajuda? 1/4

Primeira postagem de 4 matérias que entrarão nos dias 27, 29 de Junho e 01, 04 de Julho.


por Robert Epstein

Doutor em psicologia pela Universidade Harvard


Fonte: Revista Mente&Cérebro - edição 216 - Janeiro 2011 - págs 48 a 53


Grande parte das pessoas enfrenta, em algum momento da vida, transtornos de saúde mental que podem ser tratados; é o caso da depressão e do estresse, mas a falta de informação e o preconceito ainda fazem com que adultos e crianças sofram sozinhos em vez de procurar um profissional qualificado

Vinte e três milhões. Este é o número de brasileiros que necessitam de acompanhamento na área da saúde mental. Desse total, pelo menos 5 milhões sofrem com transtornos graves e persistentes, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse universo encontram-se crianças e adultos que sofrem de patologias como depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios de atenção e hiperatividade e dependência de álcool e drogas. Aproximadamente 80% das pessoas que sofrem com esses transtornos não recebem nenhum tipo de tratamento. Mas a situação não é prerrogativa do Brasil. Ainda de acordo com a OMS, um em cada quatro americanos passa por um transtorno psiquiátrico diagnosticável em algum momento da vida. Exageros à parte, no decorrer de nossa existência muitas vezes nos perguntamos se somos mentalmente saudáveis e se não estaria na hora de buscar ajuda profissional. A preocupação faz sentido: de fato, quase metade da população do planeta apresenta algum tipo de transtorno durante a vida. Infelizmente, porém, em cerca de dois terços dos casos os problemas comportamentais e emocionais jamais são diagnosticados e acompanhados, embora muitos deles possam ser tratados de maneira eficaz. Mais de 80% das pessoas com depressão grave, por exemplo, são capazes de se beneficiar significativamente da combinação de medicação e terapia.


O preconceito, porém, ainda é um empecilho para a busca de auxílio especializado. Não raro, ouve-se até mesmo de pessoas razoavelmente bem informadas que “psicoterapia é coisa para louco”. A postura defensiva pode se mostrar de várias maneiras, como pela desqualificação dos profissionais ou de si próprio. Para muitos prevalece, por exemplo, a ameaça de que “o psicoterapeuta saberá mais sobre mim do que eu mesmo; descobrirá segredos dos quais nem suspeito”. Pode também surgir a fantasia onipotente de que “ninguém pode me ajudar”. Ou ainda o pensamento persecutório referenciado na opinião alheia: “O que os outros vão pensar se souberem que vou a um psicólogo?”. Qualquer que seja a forma como se apresente, a resistência não aparece por acaso: em geral, é inerente à própria patologia e tem a ver com o funcionamento psíquico da pessoa. E, infelizmente, às vezes persiste por muito tempo, até que o paciente decida buscar ajuda.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A METÁFORA DA BORBOLETA_6/6

A metáfora da borboleta e a psicopedagogia.

Nikos Azanizaki


Esta pequena história nos faz pensar num dos aspectos do trabalho psicopedagógico, ou seja, sobre o respeito ao aluno e às necessidades de aprendizagem de cada criança. A lagarta passa por um longo processo de transformação para virar borboleta e poder voar. A lagarta se alimenta muito para crescer. Este "alimenta-se para crescer" do ponto de vista da psicopedagogia são as experiências que a criança vai adquirindo em contato com as pessoas, os objetos e o mundo em geral. Há que se selecionar os "alimentos estímulos" mais apropriados para este crescimento. Depois, ao formar o casulo, a lagarta entra em repouso. Este tempo é necessário para que haja uma assimilação e uma acomodação das experiências, para que o sujeito as possa tomar como suas, fazendo e refazendo, como se construísse o seu casulo. Mas, a o tempo de sair do casulo e poder voar. Tempo de mostrar, de expressar, de comunicar. As formas de mostrar o que se sabe são variadas, às vezes são desenhos, ou são novas brincadeiras, ou, até novas perguntas. Só que cada lagarta tem seu tempo de casulo e seu tempo de ser borboleta. Não há como forçar e nem como acelerar os tempos, sem o risco de perdermos o vôo da borboleta!

Os comentários sobre a história da borboleta foram feitos por Erzsebet Mangucci - autora do livro Vivendo a Leitura e a Escrita, da Solução Editora.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A METÁFORA DA BORBOLETA_5/6

A METÁFORA DA BORBOLETA

“Lembro-me de uma manhã em que eu havia descoberto um casulo na casca de uma árvore, no momento em que a borboleta rompia o invólucro e se preparava para sair. Esperei bastante tempo, mas estava demorando muito, e eu estava com pressa. Irritado, curvei-me e comecei a esquentar o casulo com meu hálito. Eu o esquentava e o milagre começou a acontecer diante de mim, a um ritmo mais rápido que o natural. O invólucro se abriu, a borboleta saiu se arrastando e nunca hei de esquecer o horror que senti então: suas asas ainda não estavam abertas e com todo o seu corpinho que tremia, ela se esforçava para desdobrá-las. Curvado por cima dela, eu a ajudava com o calor do meu hálito. Em vão. Era necessário um acidente natural e o desenrolar das asas devia ser feito lentamente ao sol - agora era tarde demais. Meu sopro obrigara a borboleta a se mostrar toda amarrotada, antes do tempo. Ela se agitou desesperada, alguns segundos depois morreu na palma da minha mão. Aquele pequeno cadáver é, eu acho”, o peso maior que tenho na consciência. Pois, hoje entendo bem isso, é um pecado mortal forçar as leis da natureza. Temos que não nos apressar, não ficar impacientes, seguir com confiança o ritmo do Eterno."

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A METÁFORA DA BORBOLETA_4/6

A metáfora do vidro e a psicopedagogia

O hábito de ficar dentro dos vidros acaba se tornando cômodo para algumas crianças, elas se adaptam à forma do vidro e acabam se sentindo até desconfortáveis fora dele. Quanto mais elas se moldam ao vidro menos trabalho dão aos adultos. Outras, porém, sofrem porque são diferentes e esta diferença não é levada em conta; elas não recebem nenhum tipo de ajuda e de estímulo.

Mas, será que é isso que se quer do processo educacional? Todo mundo pensando igual e fazendo tudo igual?

O vidro filtra o que o professor fala e também o que fala o aluno. A comunicação e portanto as relações entre eles não são espontâneas. Ouvir é diferente de escutar ativamente, é muito diferente! Em se tratando de crianças e adolescentes, há que se fazer um esforço extra para entender exatamente o que eles querem dizer! Mesmo assim, com todo nosso esforço e atenção, quantas perguntas deixaram de ser formuladas e quantas outras deixaram de ser respondidas!

As crianças que ficaram tempo demais dentro de vidros adoram as aulas de educação física. O corpo do aprendiz faz parte dele, é através do corpo que ele fala, que expressa seus sentimentos e que ele aprende. Assim há muitas maneiras de aprender e todas elas devem ser colocadas à disposição do aprendiz.

Um dia teremos a revolução dos vidros, e a diferença, não mais a mesmice, será valorizada! A Psicopedagogia lida essencialmente com a aceitação dessas diferenças, tentando entendê-las. É através da busca de novos caminhos que ela pretende dar um novo significado à aprendizagem.

Comentários sobre o texto feito por Erzsebet Mangucci - Psicopedagoga

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Inteligência Emocional_Aprendendo a lidar com as emoções

Necessidade

Alfabetização emocional

Equilíbrio entre a racionalidade e a compaixão

Aumento da auto-consciência

Aprender a lidar com sentimentos aflitivos

Manter otimismo e perseverança, apesar das frustrações

Aumentar a capacidade de empatia e envolvimento

Estimular a cooperação e a ligação social

Autocontrole

Zelo e persistência

Capacidade de nos auto-motivar

Inteligência Emocional

Capacidade de conhecer-se: reconhecer sentimentos de raiva e ansiedade, a tristeza e a alegria, ter empatia com esses sentimentos nos outros. A Inteligência Emocional engloba também empatia, otimismo, iguala o sucesso no trabalho e na vida pessoal, no amor.

A auto-motivação é a base da Inteligência Emocional. Não basta formidáveis aptidões intelectuais (não importa o quanto é alto o seu QI). O indivíduo dotado de Inteligência Emocional é capaz de:

  • Auto-controle emocional, abandonando estados e espírito negativos e permitindo-se novas perspectivas

  • Controlar seus impulsos, tolerando frustrações e impedindo que pensamentos negativos ou preocupações excessivas prejudiquem a capacidade de raciocínio.

  • Ter crenças positivas sobre os fatos da vida e enfrentar os desafios.

  • Saber interpretar os canais não verbais da comunicação, percebendo como o outro se sente.

  • Saber avaliar as emoções das outras pessoas, coordenando os estados de espírito e marcando o início da sintonia no relacionamento inter-pessoal.

  • Ter adequada e consistente auto-estima.

Assim, é dotado de Inteligência Emocional quem conhece os seus pensamentos equilibrando-os e não apenas suprindo-os em fase de desconforto.

Aplicação de técnica

Cérebro

  • Cérebro pensante

  • Neocórtex (sede do pensamento)

  • Cérebro raiz (regula as funções básicas)

  • Sistema límbico

quarta-feira, 9 de março de 2011

Escritório, doce escritório_5/5

Mais importante do que ter um local de trabalho bem decorado é fundamental ter um lugar com a “cara” da pessoa que o ocupa - Autonomia para organizar e personalizar seu próprio espaço torna profissionais mais felizes, saudáveis e produtivos

por S. Alexander Haslam e Craig Knight

SOB CONTROLE

Outros fatores além do projeto e das armadilhas de um local de trabalho, como a acústica, podem afetar o desempenho profissional. Um estudo de 2009, da Universidade de Turku, na Finlândia, avaliou como os funcionários se saíram em tarefas cognitivas em ambientes variados com relação a sons. A equipe descobriu que, quando os trabalhadores ouviam sons irrelevantes de fala por perto (imagine um rádio ligado na mesa do colega ao lado), o desempenho em tarefas de compreensão de leitura e memorização de números declinava, assim como o conforto dos participantes. Os pesquisadores especulam que o ruído pode perturbar a memória, além de estimular o estresse; por isso recomendam paredes altas entre as estações de trabalho e uso de materiais que absorvam o som.

Mostrar aos empregados como manipular os ambientes de trabalho em benefício próprio tem vantagens distintas. Em um estudo de 2009, do Liberty Mutual Research Institute for Safety, em Hopkinton, Massachusetts, avaliaram-se os efeitos de oferecer um curso de treinamento em ergonomia aos funcionários e fornecer cadeiras de escritório altamente ajustáveis. Aqueles que receberam o treinamento e a cadeira não apenas correram menos riscos de problemas com músculos e ossos, como se sentiram melhor na situação do trabalho em geral.

Na verdade, oferecer ou negar controle sobre as condições de trabalho dos funcionários tem implicações significativas para seu bem-estar e costuma deflagrar a chamada “síndrome do prédio doente”, com sintomas como irritação nos olhos, nariz, garganta e pele, fadiga, náusea, dores de cabeça e tonturas. A patologia geralmente é atribuída a propriedades físicas do local de trabalho, como problemas de ventilação, aquecimento ou sistemas de ar-condicionado. Mas, em 1989, uma grande pesquisa da Universidade de Copenhague desafiou esse conceito. Os cientistas descobriram que as reclamações são duas vezes mais comuns entre profissionais que estão em posições inferiores e, portanto, exercem pouco controle sobre seus ambientes.

A relação entre a falta de autonomia em relação ao próprio espaço e a síndrome do edifício doente é verdadeira até em ambientes sofisticados, “favoráveis ao funcionário”, como a de uma agência de turismo no Reino Unido, estudada pelo pesquisador Chris Baldry, professor de administração da Universidade de Stirling, na Escócia. Aparentemente, o lugar parecia promissor: áreas com cores fortes eram enfeitadas com palmeiras. Mas um espaço no estilo Panaopticon, o chamado Controle da Missão, permitia que os gerentes monitorassem clandestinamente os funcionários. Estes, por sua vez, reclamavam constantemente da sensação de sufocação e da tosse seca.

A impressão de estar sendo vigiado também está ligada à produtividade. Cientistas da Universidade de Chung-Ang, em Seul, pesquisaram quase 400 trabalhadores e descobriram relação entre o controle percebido pelos funcionários em seus locais de trabalho e sua capacidade de concentração. Nesse estudo, o “controle” foi definido, parcialmente, como ter a possibilidade de mexer na mobília dentro do ambiente profissional e individualizar os enfeites, da mesma forma como nosso escritório incrementado. As respostas da pesquisa indicam que quando as pessoas sentiam que tinham poder de decisão sobre os aspectos físicos de sua área de trabalho os efeitos negativos do barulho e de outros fatores de distração eram reduzidos. O fato é que quando nos sentimos desconfortáveis ficamos menos envolvidos com as atividades. Mas se trabalhamos em espaços aos quais nos sentimos conectados ficamos mais felizes e produtivos – e até mesmo mais saudáveis. Ou seja: felicidade nos torna mais comprometidos e criativos. Pena que alguns patrões ainda não sabem disso...

Fonte: Revista Mente&Cérebro
S. Alexander Haslam e Craig Knight Haslam é professor de psicologia social da Universidade de Exeter, na Inglaterra. Knight é pesquisador, pós-doutorando em psicologia e diretor do Center for Pychological Research into Identity and Space Management, em Exeter.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Escritório, doce escritório_4/5

Mais importante do que ter um local de trabalho bem decorado é fundamental ter um lugar com a “cara” da pessoa que o ocupa - Autonomia para organizar e personalizar seu próprio espaço torna profissionais mais felizes, saudáveis e produtivos

por S. Alexander Haslam e Craig Knight

© erin siegal/reuters/latinstock
Na sede da Google, na Califórnia,
funcionários são incentivados a decorar local
com brinquedos e objetos de antiquário de preferência inusitado

Do seu jeito é melhor

Para investigar como a aparência de uma sala influencia o trabalho, o pesquisador pediu a voluntários que executassem tarefas em quatro locais. O escritório “básico” continha apenas os equipamentos essenciais. O “incrementado” foi decorado com plantas e arte. No “particular”, as pessoas tiveram liberdade para arrumar plantas e quadros como quisessem. No espaço “retomado”, o pesquisador desfez os toques pessoais. Os funcionários do ambiente “particular” foram os mais satisfeitos e produtivos.

Este último cenário pode aparentemente não ter relevância na vida real, mas, na verdade, é surpreendente como esse tipo de interferência se torna um incômodo. Recentemente, entrevistamos um gerente de tecnologia da informação (TI) em um banco importante de Sydney, Austrália, cujo projeto e decoração tinham sido mudados 36 vezes nos últimos quatro anos. “Eu me sinto como um peão no tabuleiro de xadrez, e todos ao meu redor pensam o mesmo. É uma das principais coisas sobre as quais conversamos no escritório: o que vão inventar da próxima vez. Essa situação não é nada divertida, aliás, é bem estressante”, declarou

Nossos estudos, publicados em junho na
Journal of Experimental Psychology: Applied, mostram que a produtividade do trabalhador aumenta quando sua autonomia é valorizada. As pessoas em um escritório incrementado trabalharam 15% mais rapidamente e com menos erros em comparação àquelas que estavam no escritório básico e reportaram menos queixas relacionadas à saúde. “As pinturas e as plantas realmente alegraram o local” foi uma observação típica em relação ao escritório incrementado. Um participante avaliou, referindo-se ao escritório básico: “Parecia um cenário, sem nada fora do lugar; não dava para relaxar num lugar daqueles”. A produtividade e o bem-estar aumentaram ainda mais – cerca de 30% – no ambiente customizado pelos participantes. “Foi demais; adorei. Que escritório maravilhoso”, disse um dos voluntários. No entanto, quando as escolhas pessoais foram ignoradas, seu desempenho e bem-estar caíram para os mesmos níveis demonstrados no escritório básico. “Eu me senti sabotado”, declarou um dos empregados do escritório “retomado”. “Gastei um tempão arrumando a sala para nada... Sinceramente? Tive vontade de bater em quem mexeu no ‘meu espaço’ ”, afirmou outro funcionário.

Fonte: Revista Mente&Cérebro
S. Alexander Haslam e Craig Knight
Haslam é professor de psicologia social da Universidade de Exeter, na Inglaterra. Knight é pesquisador, pós-doutorando em psicologia e diretor do Center for Pychological Research into Identity and Space Management, em Exeter.