quarta-feira, 19 de setembro de 2012
De bem com a natureza - Brotos
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Insônia e Depressão podem estar Relacionadas a um mesmo Tipo de Gene

Em um estudo com gêmeos, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, descobriram que univitelinos que sofriam de insônia eram significativamente mais propensos que irmãos não idênticos a desenvolver transtornos depressivos. No entanto, não foram identificados genes envolvidos no surgimento dos dois distúrbios.
A pesquisa, no entanto, reforça a hipótese de que ambos têm origem genética. É provável que a resposta esteja nas informações que determinam a produção dos neurotrasmissores serotonina e noradrenalina, que agem tanto no ciclo do despertar do sono quanto na regulação do humor.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Enxaqueca pode explicar dificuldade de aprender
A neurologista Thaís Villa e a psicóloga Andrea Moutran, do Setor de Investigação e Tratamento das Cefaleias (SITC), avaliaram as funções cognitivas, como capacidade de concentração e de memorização, de 60 crianças de 8 a 12 anos, metade delas diagnosticada com enxaqueca. Por meio de testes aplicados individualmente, ao longo de dois anos e a cada dois meses, as pesquisadoras constataram que as que tinham crises de cefaleia se revelaram mais dispersas e com dificuldade de processar e reter informações.
Na infância, as crises de enxaqueca se manifestam em episódios curtos, de cerca de duas horas. Elas costumam aparecer por volta dos 5 anos e não raro são motivo de faltas à escola. “O que não significa que as dores persistirão ao longo da vida – elas desaparecem espontaneamente até o final da adolescência em mais de 40% dos casos”, diz Thaís. Os resultados mostram que o diagnóstico de transtornos de aprendizagem deve levar em conta se a criança sofre de enxaqueca ou de outro tipo de cefaleia, o que pode direcionar as intervenções.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
A História da Água Engarrafada
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Em busca da Cura_9/9
Matéria dividida em 9 postagens – nos dias 05, 07, 10, 12, 14, 17, 19, 21 e 24 de Outubro
Por Pierangelo Garzia - Revista Mente & Cérebro n° 220, maio/2011, págs. 28 a 35
Saúde na palma da mão
A imposição de mãos, praticada em algumas religiões e em terapias complementares, tem efeitos positivos sobre o sistema imunológico. Pelo menos é o que revela um estudo conduzido pelo biólogo Ricardo Monezi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A técnica consiste em colocar as mãos sobre uma área, sem encostá-las, com o objetivo de restabelecer a saúde e o equilíbrio do organismo. A pessoa que aplica o tratamento deve estar consciente da ação e mentalizar o restabelecimento do bem-estar do “paciente”.
Monezzi estudou os resultados da prática de mãos em 60 camundongos machos e sadios. Um terço do grupo recebeu o tratamento durante 15 minutos, por quatro dias consecutivos. Outros 20 tiveram luvas colocadas sobre as gaiolas pela mesma quantidade de tempo (para simular a imposição) e o restante dos animais, que integravam o grupo de controle, não foram submetidos a nenhum procedimento específico. Ao final do experimento, foram retiradas amostras do baço (que armazena células de defesa) dos animais para análise. Os fragmentos foram colocados em tubos de ensaio para confronto co células tumorais. O pesquisador observou que os roedores que passaram pela imposição demãos apresentaram aumento do número de células de defesa, como linfócitos e monócitos. Além disso, essas células revelaram o dobro de potencial para destruir as tumorais. As alterações não foram verificadas nos camundongos que receberam a simulação de tratamento nem no grupo de controle. O estudo não foi realizado em humanos para descarta a possibilidade de efeito placebo, ou seja, uma resposta condicionada do organismo. Faltam porém mais estudos que esclareçam esses resultados.
PARA SABER MAIS
Crer faz bem? - Paola Emilia Cicerone. Grandes Temas Mente e Cérebro – Fé: o lugar da divindade no cérebro, págs.18-21
O Poder da Oração – Daniela Ovadia. Grandes Temas Mente e Cérebro – Fé: o lugar da divindade no cérebro – págs. 22-29
No limite da vida – Detlef B.Linke. Grandes Temas Mente e Cérebro – Fé: o lugar da divindade no cérebro – págs. 64-73
Travessias do sofrimento – J.D.Nasio – Mente e Cérebro n° 188, págs.52-55, setembro de 2008
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Em busca da Cura_8/9
Matéria dividida em 9 postagens – nos dias 05, 07, 10, 12, 14, 17, 19, 21 e 24 de Outubro
Por Pierangelo Garzia - Revista Mente & Cérebro n° 220, maio/2011, págs. 28 a 35
A psicanálise e a busca dos sentidos
Nos últimos anos, muitos especialistas têm discutido as nuances do conceito de religião. “Podemos defini-la como um sistema de significados centrado no sagrado que se torna a lente através da qual percebemos a realidade.”, propõe a psicóloga Israela Silberman, professora da Universidade Columbia, em artigo publicado no Journal of Socias Issues. Esse sistema, formado por crenças e expectativas, influencia a vida dos indivíduos, nas relações consigo mesmo e com os outros. E, para muitos, confere sentido à própria história do nascimento à morte e além.
No ensaio, O futuro de uma ilusão, de 1927, Freud diz que a religião surge da fragilidade humana e do reconhecimento, por parte do homem, de que é indefeso frente às forças da natureza e aos próprios anseio, que tantas vezes não compreende. William James aborda em As várias formas de experiência religiosa, de 1902, os aspectos da vivência psicológica, notando como isso pode ser fonte de serenidade para alguns e de tormento para outros. E Abraham Maslow descreve a tendência do homem a viver experiências transcendentais, consideradas de caráter religioso.
Em 1909, durante o VI Congresso Internacional de Psicologia, o pesquisador Theodore Flourmoy propôs dois princípios metodológicos para esse campo da psicologia: o da exclusão da transcendência (que prevê a abstenção dos juízos de valor metafísicos do conteúdo da crença) e o da interpretação biológica da religiosidade (segundo a qual a relação humana com sua crença deve ser estudada como um processo psicofísico, que se expressa por meio de comportamentos observáveis e interpretáveis).
“Freud sustentou que a origem do pensamento religioso estava vinculada, para cada indivíduo, às relações com o próprio pai”, diz o psicanalista Mario Aletti, professor e presidente da Sociedade Italiana de Psicologia da Religião. “Posteriormente, a psicanálise passou a valorizar ambas as figuras parentais e a trabalhar com a idéia da existência de outras relações simbólicas de filiação, nas quais o pai representa a ordem e o limite, mas também a promessa e a possibilidade de desenvolvimento”. O processo psicológico individual que nos leva a definir a ideia de Deus e inevitavelmente antropomorfizado, traduzido em uma linguagem metafórica e simbólica. “É comum que o crente identifique o ser divino com a idéia que tem de si mesmo, nesse sentido, a fé uma busca contínua por um objeto que é por definição latente, presente – mas não atingível, salienta o psicanalísta.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Em busca da Cura_7/9
Matéria dividida em 9 postagens – nos dias 05, 07, 10, 12, 14, 17, 19, 21 e 24 de Outubro
Por Pierangelo Garzia - Revista Mente & Cérebro n° 220, maio/2011, págs. 28 a 35
Critérios do vaticano
Mesmo aceitando e prevendo que os milagres possam ocorrer, nos últimos anos a Igreja Católica tornou-se bastante criteriosa e severa em relação à confirmação desses fenômenos. Os procedimentos são cada vez mais passíveis de submissão ao método de investigação histórica e científica: coleta de testemunhos pessoais e clínicos e inúmeros exames médicos. Além disso, o caso é confiado a comissões de profissionais, formadas por especialista não necessariamente católicos.
Já no século 18, o papa Bento 14 redigiu diversos critérios – que depois foram modificados para se tornar mais austeros – de forma que os casos considerados “milagrosos” se limitavam , em média, a um a cada dois anos. Segundo as indicações de Bento 14, antes de tudo deveria ser considerada a existência de uma doença grave e ser descartada a suspeita de que a cura tivesse ocorrido por outros motivos (como um tratamento anterior que começasse a surtir efeito); o paciente deveria se recuperar de repente e de forma completa, não deveria ter recaídas. Além disso, cada caso que, na opinião dos doutores da Igreja, pudesse atender a esses requisitos, posteriormente deveria ser submetido ao exame de uma comissão de especialistas.
É impossível não perceber que, quanto mais rigorosas as investigações, menos são os milagrs provados. Alguns casos, porém, permanecem inexplicáveis – pelo menos para o conhecimento médico atual. “Embora o número de curas apresentadas para análise pelo comitê seja baixo, é indiscutível que, todos os anos, muitas pessoas voltas de peregrinações convencidas de terem obtido grandes benefícios; seus sintomas desapareceram ou ficaram ‘adormecidos’ por algum tempo”, afirma o historiador Bian Inglis.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Em busca da Cura_6/9

Por Pierangelo Garzia - Revista Mente & Cérebro n° 220, maio/2011, págs. 28 a 35
A melhora repentina d Antonia Raco, 51 anos, moradora de Lucca, Itália, com diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), surpreendeu os médicos. “Seu quadro atual não é explicável com os meios de que disponho cientificamente”, declarou o neurologista Adriano Chiò delle Molinette, de Turim. A paciente, que havia passado quatro anos em uma cadeira de rodas em razão da doença neurodegenerativa para a qual, até hoje, não existe cura, recomeçou a andar depois de uma peregrinação a Lourdes. “Acredito que ainda vamos encontar uma explicação científica para o que aconteceu, um caso como este deve incentivar pesquisadores a reconsiderar a as formas “atípicas” da patologia para identificar eventuais quadros com possibilidade de regressão”, afirmou o médico, ressaltando que Antonia apresentava uma forma primária e mais comum da doença.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Em busca da Cura_4/9
Matéria dividida em 9 postagens – nos dias 05, 07, 10, 12, 14, 17, 19, 21 e 24 de Outubro
Por Pierangelo Garzia - Revista Mente & Cérebro n° 220, maio/2011, págs. 28 a 35
A medicina reconhece casos de pacientes terminais que, contrariando prognósticos, sobreviveram por muitos anos – um mistério que a ciência ainda não consegue explicar
O milagre, por sua própria natureza, seria algo único e imprevisível. Porém, segundo o psicanalista italiano Emilio Servadio, que há anos estuda o tema, essa definição é duvidosa, pois está vinculada a um contexto histórico particular. O senso comum considera “milagre” qualquer fato que cause surpresa por ultrapassar o limite da previsão esperada dos acontecimentos ou por aparentar ir além das possibilidades da ação humana. Servadio contradiz esse conceito: para ele, a surpresa pode ser provocada por um truque ilusionista, como o aparecimento totalmente incompreensível de objetos nas mãos do mágico. Ele lembra que há pouco mai s de um século, voar com veículos mais pesados que o ar teria sido considerado um empreendimento impossível, talvez milagroso, assim como hoje pode parecer, por exemplo, a cura espontânea de uma doença grave. Logo, o milagre é um fenômeno que não pode ser explicado segundo as leis naturais conhecidas, de forma que ele só pode ser constatado em outro momento histórico, após complexa investigação. Não podemos deixar de pensar, portanto, que no caso de uma cura aparentemente milagrosa tenham interferido fatores próprios do organismo que apenas uma profunda investigação clínica – talvez, mas não necessariamente – esclareceria. Afinal, o avanço da medicina se baseia atualmente no estudo das doenças, mas também no processo de melhora, e ainda Ana manutenção do estado de saúde por meio da prevenção.
Embora as crenças (ou descrenças) sejam aspectos importantes da vida de uma pessoa – e em grande parte determinem sua relação consigo e com os outros, influindo em hábitos que afetam sua saúde e até no grau de adesão ao tratamento -, anamneses (relatórios detalhados de sintomas de histórico do paciente) e fichas clínicas invariavelmente trazem informações limitadas sobre essa área. Raros são os serviços de saúde que levam em conta a relação do doente com sua fé. De acordo com alguns cientistas, esses dados deveriam ser observados. E a intervenção milagrosa, considerada como algo pouco provável – mas plausível. Para o físico nuclear Furio Gramatica, responsável pelo pólo tecnológico do hospital católico Instituto de Internação e Tratamento de Caráter Científico Santa Maria Nascente (RCCS, do italiano Instituto Di Ricovero e Cura a Carattere para a Pesquisa Nuclear, de Genebra, o Cern (a sigla vem do antigo nome da organização Conseil Europeenne pour La Recherceh Nucléaire), ele cita um de seus livros preferidos, Planolândia, um romance de muitas dimensões, escrito em 1822 e pulicado no Brasil pela Conrad, em 2002. O autor, o reverendo Edwin Abbott, apresenta em sua obra um mundo plano, onde os habitantes são figuras geométricas para as quais a realidade tem duas dimensões. Um dia, um quadrado inteligente e sensível sente uma batida de alguma coisa que não vê, um fenômeno aparentemente inexplicável para a concepção de realidade daquele mundo; trata-se de uma bola. Dessa forma, o protagonista descobre que sua concepção de realidade é míope. Ele passa então a difundir esta notícia excepcional entre seus semelhantes, mas ao mesmo tempo é tomado por louco e é preso. E mesmo restrito a quatro paredes, está livre para acreditar na existência de uma realidade mais ampla que transcende a experiência quotidiana.
Gramatica observa que assim como na física, a religião se baseia no raciocínio de que o universo é constituído por matéria e energia e essas categorias estão intimamente relacionadas. “Mas a realidade não é constituída somente pelo mundo das moléculas; na religião consideramos também a dimensão espiritual, que confere sentido `s outras duas”, afirma. Para o físico, o milagre é uma intromissão – incomum – do futuro no presente, um intercâmbio tangível, lícito e Inteligível. Ele não vê contradição entre ciência e fé, entre leis da natureza e milagres. O que falta, provavelmente, é entender melhor o universo – dentro e fora de nós.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Em busca da Cura_3/9
Matéria dividida em 9 postagens – nos dias 05, 07, 10, 12, 14, 17, 19, 21 e 24 de Outubro
Por Pierangelo Garzia - Revista Mente & Cérebro n° 220, maio/2011, págs. 28 a 35
Não raro, mesmo nos dias de hoje, ao ter de passar por intervenções clínicas é comum que pacientes e seus familiares – mesmo aqueles que não seguem uma religião específica – recorram a orações. Não por acaso a prece terem sido foco de muitas pesquisas sobre saúde e espiritualidade. Embora até o momento não tenha sido constatada uma relação comprovadamente inequívoca entre “orações por intercessão” (feitas por um grupo religioso para uma pessoa em especial e recuperação da saúde, a possibilidade de que haja efeito psicológico benéfico na prece parece bastante provável. As pesquisas de Koening indicam que a prática costuma trazer sensação de bem-estar, confiança e relaxamento. Ele acredita que o ato de rezar estimula mecanismos sutis do psiquismo que, se forem compreendidos mais a fundo, poderiam adquirir grande importância no tratamento das enfermidades. Em um estudo com 337 pacientes que estavam internados nos setores de clínica geral, cardiologia e neurologia do centro médico da Universidade Duke, quase 90% contaram que rezavam. Mas de 40% consideravam a fé como a principal fonte e conforto, esperança e significado, o que lhes oferecia melhores condições para enfrentar a doença. Esse ponto de vista foi ainda mais expressivo entre pacientes com doenças crônicas ou em estado considerado terminal.
Entretanto, na contramão dos indícios dos benefícios da crença espiritual, um estudo publicado no The American Heart Journal em 2006 sugere até que as preces podem, em alguns casos, afetar pacientes de maneira negativa. Conduzido pelo cardiologista Herbert Benson, do Mind Body Institute da Universidade Harvard, o trabalho durou dez anos, durantes os quais foram avaliados 1.800 pacientes que passaram por cirurgias cardíacas em hospitais americanos. Eles foram divididos em três grupos: os integrantes do primeiro sabiam que pessoas rezavam por eles; outro grupo recebia as preces sem saber, e os participantes do último grupo, de controle, não tinham pessoas orando por sua saúde. Voluntários de congregações cristãs direcionavam (usando os prenomes dos pacientes e as iniciais dos seus sobrenomes) a prece “por uma cirurgia bem-sucedida com uma recuperação rápida, saudável e sem complicações”. Ao fim do experimento, os pesquisadores compararam os resultados dos três grupos e não detectaram diferenças na recuperação dos pacientes. Observaram, porém, que os que sabiam que receberiam orações tiveram mais complicações pós-operatórias, como arritmias cardíacas. Segundo os pesquisadores, essa reação pode ter sido causada não pelos efeitos da prece em si, mas pela ansiedade e expectativa de uma melhora rápida favorecida pelas orações.
Ao longo da história, cientistas, teólogos e pessoas comuns se perguntaram o que pode ser definido como “milagroso”. Segundo o geneticista Massimo Pigliucci, da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, podemos chamar de milagre, por exemplo, casos de pacientes terminais de câncer que, apesar do prognóstico de poucos meses de vida, conseguem viver em boas condições por vários anos. Tais registros, no entanto, são bastante raros. “Essas estatísticas são feitas com base em grandes populações de pacientes: sobreviver além da média simplesmente significa que, por uma série de motivos complexos, como idade, estado geral de saúde, genética, pura sorte ou qualquer fator que nossa ciência ainda não consegue supor, a posição na curva que descreve a mortalidade causada por uma doença simplesmente se desvia da média, afirma Pigliucci.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Em busca da Cura_1/9
Matéria dividida em 9 postagens – nos dias 05, 07, 10, 12, 14, 17, 19, 21 e 24 de Outubro
A Ciência ainda não explica o que os religiosos chamam de “Milagre”, mas estudos têm mostrado que, em alguns casos, a fé pode estimular habilidades mentais e ajudar a melhorar a saúde.
Por Pierangelo Garzia - Revista Mente & Cérebro n° 220, maio/2011, págs. 28 a 35
“Seria preciso um milagre”. Ouvir essas palavras de um médico quando os recursos científicos já não são suficientes para combater uma doença costuma trazer enorme desalento. Nessas horas, independentemente da crença, muitos de nós gostaríamos de contar com uma intervenção providencial e inexplicável. No campo da medicina, a palavra “milagre” refere-se à remissão espontânea e surpreendente de uma patologia grave, degenerativa ou terminal. Algo extremamente raro e improvável, porém possível, como demonstram alguns casos. O registro mais recente de cura se explicação científica é o da dona de casa italiana Antonia Raco, de 51 anos. Diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa, a paciente afirma que deixou de manifestar sintomas - que foi atestado pelos médicos – após ter feito uma peregrinação ao santuário de Lourdes, na França.
Episódios como esse, em geral associados à tradição cristã, costuma causar alvoroço ao serem divulgados pela mídia. Mas também há testemunhos de curas e materializações entre seguidores do guru indiano Sathya Sai Baba e entre adeptos das práticas espirituais que requerem a ação de curandeiros. A maioria das hipóteses científicas para explicar esses processo gira em torno do poder a sugestão, da reação emocional que pode desencadear respostas físicas ou de relações entre mente, cérebro e corpo ainda desconhecidas. Afinal, seguindo a leitura “científica” e laica, se a emoção pode nos deixar doentes, ela também poderia nos curar. Durante a maior parte do século 20, inúmeros profissionais da área de saúde mental afirmaram categoricamente que seguir alguma religião – e ter fé – tinha efeitos irrelevantes sobre o bom funcionamento do organismo. Práticas religiosas muitas vezes foram vistas como sintoma ou fator de deflagração de surtos psicóticos. Embora em certas circunstâncias de fato essa relação exista e ao longo da história santos, líderes espirituais e místicos fundadores de religiões tenham exibido comportamentos que hoje poderiam ser classificados como psicopatológicos, tal relação não pode ser generalizada. A despeito das polêmicas – ou talvez até motivados por elas -, a partir dos anos 1970 surgiram cada vez mais estudos que vinculam espiritualidade e saúde.