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sexta-feira, 23 de março de 2012

Álcool em filmes influencia o comportamento dos adolescentes

O Globo


Pesquisa com 6.500 adolescentes americanos mostrou que cenas que mostram bebidas ou nas quais os personagens tomam drinques têm efeito decisivo sobre eles

BOSTON, Massachusetts — Adolescentes que veem muitos filmes em que os personagens consomem álcool têm duas vezes mais chance de começar a beber do que aqueles que assistem a poucas produções com cenas deste tipo, revela uma pesquisa publicada no jornal on-line “BMJ Open”. Pior: estes adolescentes também têm maior tendência (63%) a abusar do álcool, diz o estudo. As constatações levaram os pesquisadores a sugerir que Hollywood adote as mesmas restrições ao álcool que já vem fazendo ao tabaco em seus roteiros.

O grupo trabalhou com uma mostra significativa de 6.500 jovens americanos, com idades entre 10 e 14 anos, que responderam a perguntas sobre seu consumo de álcool durante dois anos. As perguntas levavam em conta também os fatores que os influenciavam, incluindo filmes, publicidade, ambiente doméstico, comportamento dos colegas e vontade de se rebelar. Os jovens foram convidados a apontar, aleatoriamente, filmes que tinham visto nos últimos cinco anos. Os títulos foram escolhidos entre cem blockbusters de cada ano, e mais 32 sucessos de bilheteria do início de 2003, ano da primeira pesquisa.

O tempo de exibição de cenas em que apareciam bebidas alcoólicas ou pessoas tomando drinques foi medido em cada um dos 532 filmes. Ao final, descobriu-se que muitos adolescentes tinham assistido a cerca de quatro horas e meia de imagens relacionadas ao consumo de álcool, e que este índice, em alguns casos, chegava a oito horas.

Além disso, cerca de um em cada dez jovens (11%) disseram ter um produto, como uma camiseta ou um chapéu, em que aparecia uma marca de bebida alcoólica. Quase um em cada quatro (23%) disseram que seus pais bebiam álcool pelo menos uma vez por semana em casa, e 29% afirmaram que as bebidas ficavam ao seu alcance, em casa.

Ao longo dos dois anos de pesquisa, a proporção de adolescentes que haviam começado a beber mais do que dobrou, de 11% para 25%, enquanto a proporção daqueles que começaram a beber em excesso, isto é, bebiam pelo menos cinco drinques em uma única sessão triplicou de 4% para 13%.

Pais que bebiam em casa e a disponibilidade de álcool em casa foram fatores associados ao hábito de beber, mas não ao de abusar de álcool. Exposição a cenas com álcool nos filmes, ter um produto com a marca de uma bebida, ter amigos que bebem e rebeldia foram relacionados às duas situações.

Constatou-se ainda que a presença de álcool nos filmes respondia por 28% da proporção de adolescentes que começaram a beber entre uma pesquisa e outra, e por 20% dos que passaram a exagerar no consumo de álcool. A associação não estava relacionada apenas a sequências com personagens tomando drinques, mas também à exibição de cenas em que os produtos apareciam.

“Mostrar cigarros em filmes é proibido nos Estados Unidos, mas é legal que em metade dos filmes de Hollywood haja referência a álcool, independentemente de sua classificação”, disseram os pesquisadores.

Eles ressaltaram que o aparecimento de cigarros em filmes caiu desde que o tabagismo virou um assunto de saúde pública, e sugeriram que a política para o álcool na tela fosse a mesma.

Hollywood tem responsabilidades também fora do país, dado que metade da renda dos seus filmes vem do mercado internacional, acrescentaram. “Como uma gripe, as imagens de Hollywood começam numa região e depois se espalham pelo mundo afora, onde também podem afetar o comportamento dos adolescentes com relação à bebida”, escreveram.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Fumante passa por cinco fases antes de decidir parar

Fantástico - Dr. Dauzio Varella
A tomada de decisão para largar o cigarro resulta de um processo que costuma levar anos ou décadas para se completar. Especialistas demonstram que, do ponto de vista didático, é possível reconhecer cinco estágios pelos quais a maioria dos fumantes passa antes de jogar fora o maço.

A primeira é a Fase de pré-contemplação, quando os fumantes não pensam em mudar seu comportamento e racionalmente veem mais vantagens em fumar do que deixar de fazê-lo. Já a Fase de contemplação acontece quando o fumante sente no corpo alguns problemas causados pelo fumo, tenta reduzir o número de cigarros, mas ainda não se convenceu completamente de que vale a pena ficar livre da dependência.

Na Fase de preparação, o fumante já sabe que o cigarro é seu inimigo, pensa seriamente em largar, mas ainda lhe falta coragem para adotar medidas radicais. É na Fase da ação que finalmente o fumante se confronta com sua condição de dependente e toma a decisão de parar. Muitos dos que estão nesta fase chegam a marcar data para fumar o último cigarro. Mas a etapa mais difícil é mesmo a Fase de manutenção, porque muitos hábitos associados ao fumo precisam ser modificados.

Agora, se houver recaídas, não há problema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os fumantes fazem, em média, três ou quatro tentativas antes de conseguir parar de fumar definitivamente.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fumo causa 50% dos casos de câncer na laringe, diz especialista

Terra.com
THAÍS SABINO
Entre as doenças que o tabagismo pode provocar, estão complicações cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, enfisema pulmonar, bronquite e problemas respiratórios. No entanto, a principal delas é o câncer. De acordo com o oncologista do Hospital Nove de Julho, Ricardo Caponero, "80% dos pacientes de câncer de pulmão são fumantes e 50% dos casos de câncer na laringe estão relacionados ao uso do tabaco".
"A pessoa corre risco a partir do primeiro cigarro. Quanto mais ela fumar e mais tempo, há mais chances de desenvolver câncer nas vias aéreas", explicou. "É como atravessar a rua: na primeira vez, você já corre risco de ser atropelado, mas, quanto mais vezes atravessar, são mais chances de isso acontecer", comparou Caponero.


O oncologista Luiz Adelmo Lodi, da Oncomed de Belo Horizonte, reforçou que não existe uma quantidade mínima de cigarros que seja segura a saúde e que os índices de desenvolvimento de câncer em fumantes é alto. "Do total, 10% de quem fuma vai desenvolver câncer e 90% de quem tem câncer nas vias aéreas é fumante", afirmou Lodi. O profissional completou que 30% dos fumantes morrem da doença.
O pneumologista coordenador das ações de tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Ricardo Meireles, explica que a fumaça do cigarro, tabaco, charuto ou narguilé contém cerca de 4.700 substâncias tóxicas, das quais 60 são comprovadamente cancerígenas. "Esses componentes atuam na alteração celular, levando ao crescimento desordenado das células, o que origina o tumor", disse.
Tabaco e álcool
Segundo Meireles, a associação do fumo às bebidas alcóolicas aumenta em 50% as chances de câncer na cavidade oral e laringe, em relação às pessoas que só fumam ou só bebem.
"A irritação local causada pela fumaça e pelo álcool potencializa os riscos do desenvolvimento de câncer", afirmou o oncologista Valdir de Paula Furtado, do Instituto de Hematologia e Oncologia de Curitiba. O hábito de combinar os dois fatores é mais comum na população de baixa renda. A falta de higiene bucal aumenta ainda mais o risco de câncer na região.

O oncologista Caponero explica que em qualquer região do corpo é possível fazer cirurgia para a retirada do tumor, no entanto, existem lugares onde o tratamento com medicamentos é mais aconselhado com o intuito de preservar o órgão. "No caso da laringe, a operação é muito mutiladora, pois pode afetar as cordas vocais e deixar o paciente sem voz para sempre", exemplificou.
Corrente sanguínea e metástase

Apesar de os pulmões dos fumantes serem os mais afetados por tumores, o tabagismo pode desencadear doenças em outros órgãos, quando é absorvido pela corrente sanguínea. O pneumologista do INCA Ricardo Meireles citou pâncreas, rins, estômago, útero, mamas e bexiga como regiões em que o surgimento do câncer está relacionado ao fumo. "Se as toxinas caem na corrente sanguínea, elas podem provocar alteração celular em vários órgãos e causar metástase", disse.

As vias urinárias são afetadas, principalmente, pois fazem parte dos órgãos excretores do corpo, portando, as toxinas passam pela região. De acordo com o oncologista Ricardo Caponero, 30% dos cânceres de bexiga também estão associados ao tabagismo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Que tal não jogar sua bituca no chão?

Campanha explica como o ato de jogas as bitucas de cigarro no chão pode ser prejudicial para o ambiente

Atitude Sustentável - Gisele Eberspacher
A cena se repete em várias cidades, mas principalmente naquelas que proibiram o fumo dentro de lugares públicos. A pessoa fuma na calçada e, naturalmente, joga a bituca na calçada.

Placa que fez Aurelio refletir: na Califória, a multa para quem joga lixo em ambienes públicos é de $ 1.000 (Foto: Aurelio Abreu Guzzoni).
O que muitas pessoas não percebem é que, além de ser lixo, a bituca é um lixo tóxico, que contém alcatrão. Além disso, quando jogadas acesas, podem ainda causar incêndios.A ONG Cigarette Litter calculou que anualmente são jogadas cerca de 4.5 trilhões de bitucas em espaços públicos.


Vendo esse cenário, Aurelio Abreu Guzzoni resolveu se mobilizar para mudar um pouco essa situação. “A ideia começou a surgir a partir de viagens à Califórnia, nos EUA. Lá, eu notei diversas placas nas vias, que alertavam existir multa de mil dólares por jogar qualquer tipo de lixo em espaço público. Comecei a perceber que aqui em São Paulo o hábito de arremessar bitucas em espaço público é feito por quase 100% dos fumantes que estão em veículos no trânsito, por exemplo”.
Para mostrar essa situação, Aurelio gravou imagens dessas situações enquanto andava pela cidade no vídeo acima.

Além da divulgação do vídeo e ações em redes sociais, uma maneira que Aurelio usa para propagar a ideia é conversando pessoalmente com os próprios fumantes. “É claro que há resistência, pois são justo os fumantes que tendem a argumentar que não há lixeiras na cidade, e que a bituca pode até causar incêndio no restante do lixo. Com isso explicamos que o cigarro deve ser apagado por completo, e que mesmo sem porta-bitucas, garrafas de plástico vazias podem servir perfeitamente e as tampas inclusive eliminam o problema do cheiro impregnar no estofado ou nas roupas”, explica Aurelio.
A iniciativa conta com o apoio da ONG “Hold on to your Butt”, que faz um trabalho semelhante em San Diego, na Califórnia. É importante ressaltar que nenhum dos projetos é contra o ato de fumar, mas incentiva apenas que o descarte das bitucas seja feita de modo mais sustentável e segura.

Fonte: UNIAD

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Amigos, pais e baladas influenciam jovens a começar a fumar, diz estudo

G1

Levantamento da Unifesp aponta início do uso do cigarro aos 14 anos. Pesquisa ouviu 2.691 estudantes de escolas particulares de São Paulo.

Um levantamento feito com estudantes do ensino médio de escolas particulares da cidade de São Paulo constatou que muitos adolescentes experimentam o uso do cigarro aos 14 anos de idade, e os fatores que levam os jovens a começar a fumar varia entre homens e mulheres.



A pesquisa foi feita pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que ouviu 2.691 estudantes das escolas particulares, pertencentes às classes socioeconômicas A, B e C.

O estudo permitiu comprovar que a influência dos amigos, a relação com os pais e a presença dos jovens nas “baladas” são fatores importantes na iniciação ao cigarro. De acordo com a pesquisa, pais fumantes influenciam tanto meninos quanto meninas. “A relação dos jovens em casa também é um fator que se mostrou preponderante”, explica Zila Van der Meer Sanchez, uma das coordenadoras da pesquisa. “No caso das meninas, quanto menos atenção dos pais maior é o risco de ela começar a fumar. Já os meninos são influenciados pelos amigos e por uma eventual morte dos pais.”

Ainda de acordo com a pesquisa, o contato dos jovens do ensino médio com o cigarro ainda é esporádico. Entre os entrevistados, 14% tinham fumado pelo menos um cigarro nos últimos mês. A maioria usou o cigarro no máximo 5 dias no mês. Apenas 3% dos entrevistados fumavam todo dia.

Os dados da pesquisa foram coletados em 2008, antes do início da lei antifumo em São Paulo, que foi promulgada no ano seguinte. A prevalência do cigarro nas baladas mostrou que enquanto a chance de fumar entre os meninos aumentava em mais de 800% quando a frequência a baladas é intensa, nas meninas sobe para 1.400%.

O Cebrid prepara um novo levantamento sobre uso de tabaco, álcool e drogas entre os jovens. Os números preliminares mostram que no ensino médio das escolas públicas, por exemplo, a incidência é um pouco maior, de 17,5% comparada aos 14% registradas nas escolas particulares. E a iniciação ao cigarro nas escolas públicas se dá em média aos 13 anos e seis meses.

Fonte: UNIAD

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Os riscos da liberalização

Folha da Tarde
A liberalização de substâncias como a maconha destoa de todo o esforço da sociedade para o efetivo controle sobre outras drogas, inclusive as lícitas.

Basta observar o posicionamento restritivo em relação ao tabaco, que ofereceu benefícios amplos para a população e reduziu custos do Estado com a saúde.
Está claro que a liberalidade para com a maconha vai produzir mais usuários, pois a média dos candidatos ao uso, quando se depararam com o ilícito, recua, ao passo que na liberação, todo o tecido social passa a perceber como benigna uma substância que de fato não é. O consumo do álcool e tabaco serve como exemplo dessa perspectiva.

A equivocada convenção social de que existem drogas que não representam perigo resulta em um grande problema de saúde pública. E atualmente a maconha é um grande problema dessa ordem no mundo inteiro, por ser a droga mais consumida entre as ilícitas.
A substância é também uma das principais portas de entrada para o consumo de outras drogas, assim como ocorre com o tabaco, principalmente entre os jovens.
Argumentos como o de que a maconha poderia ter fim medicinal não justificam a liberalização, já que existem alternativas que não implicam o uso da substância ou seu extrato. Nesse sentido, é importante que não fiquem margens para que os pareceres e opiniões sejam interpretados de maneira equivocada, validando o consumo de drogas ilícitas.
Ao cogitarmos a liberalização é necessário lembrar que o consumo de substâncias lícitas ou ilícitas tende a desenvolver um processo de “evolução”. A estimativa é de que 1 em cada 10 usuários de maconha torna-se dependente em algum momento quando o consumo de estende por 4 a 5 anos.

Vale lembrar que a substância, fora a dependência, pode causas câncer de cabeça, pescoço e pulmão e uma série de outras complicações. A mais preocupante segue sendo o risco de psicose em sujeitos vulneráveis, com ou sem história familiar de esquizofrenia. Para esses indivíduos suscetíveis, a maconha pode acarretar a antecipação e o agravamento de uma doença muito grave.
As políticas públicas de combate às drogas e tratamento de dependentes, além do envolvimento da sociedade, são fundamentais para avanços.
Medidas como a distinção entre quem comercializa a droga e o usuário, que necessita de tratamento, são benéficas, mas isso não pode justificar a liberalização. Se esse fosse o caso, teríamos que liberar qualquer substância que o próprio usuário produzisse? É no mínimo preocupante.
Carlos Salgado, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).