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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Para manter as aparências

Passar pelos chamados sonhos de consumo sem ceder a eles pode evitar dívidas, ganho de peso desnecessário e sensação de impotência


por Daisy Grewal
30 de julho de 2012
Revista Mente&Cérebro




Em algum momento, todos ansiamos por nos sentir importantes, poderosos e populares. O desejo por prestígio é um dos aspectos mais essenciais na orientação do comportamento humano – o lugar que ocupamos na escada social pode determinar, entre outras coisas, com quem nos casaremos e quanto tempo viveremos, por exemplo. No entanto, pesquisas recentes sugerem que algumas tentativas para subir na hierarquia social podem ter o efeito contrário em relação ao esperado: certas atitudes, como ostentar grifes ou comer nos restaurantes mais caros para elevar a autoestima, podem melhorar o ânimo por um curto período, mas, a longo prazo, aumentam os riscos de permanecer em uma posição social desprivilegiada.

Os sentimentos de impotência diante das demandas de consumo e a falta de influência no meio em que vivem podem levar pessoas com baixa autoestima a pagar mais por produtos e serviços e até a comer mais. A médio e longo prazo, a insistência nessa atitude é capaz de torná-las mais pobres, menos atrativas e rebaixar sua posição social em vez de fazê-la crescer. Saber como e quando essas questões influenciam nossas decisões pode ajudar a quebrar o círculo vicioso.

Em um estudo feito em 2008, os psicólogos Derek Rucker e Adam Galinsky, da Universidade Northwestern, descobriram que  interferir no sentimento das pessoas quanto à sua posição social pode alterar o valor que elas estão dispostas a pagar por produtos. Os pesquisadores pediram a parte dos participantes do estudo que escrevessem sobre as vezes em que se sentiram poderosos e aos demais que discorressem sobre as ocasiões nas quais experimentaram a sensação de impotência diante de uma situação. Em seguida, perguntaram a todos quanto estariam dispostos a pagar por alguns produtos. Aqueles que haviam escrito sobre se sentir incapazes de agir ofereceram valores significativamente maiores por itens de luxo. Conclusão: o desejo de uma solução rápida para sentimentos de frustração tem o poder de colocar os indivíduos que não se sentem influentes em maior risco de acumular dívidas ou, pelo menos, de fazer alguns investimentos questionáveis.

Além de esvaziar nossa carteira, a sensação de inferioridade pode nos fazer ganhar peso. Para chegarem a essa conclusão, o professor de marketing David Dubois, também da Universidade Northwestern, e seus colegas desenvolveram uma técnica: instruíam metade dos participantes a se imaginar como um profissional de alto escalão, com possibilidade de fazer escolhas, e outra parte como um empregado humilde, sem poder de decisão. Em seguida, eles pediram que escolhessem entre um recipiente pequeno e  um grande, nos quais seria servida a mesma quantidade de comida – um pedaço de pizza ou um milk-shake.

Os “funcionários humildes” escolheram os recipientes maiores na maioria das vezes, em relação àqueles que se imaginaram como “patrões”, embora a quantidade de comida fosse a mesma em ambos os casos. Os pesquisadores concluíram que “grandes coisas” podem sinalizar um status mais elevado, o que faz com que as pessoas que se sentem impotentes tendam a comprar produtos com embalagens maiores. Naturalmente, as calorias adicionais contidas nesses pacotes também terão consequências na vida real. De qualquer forma, um dos efeitos colaterais da compra de mais alimento será o ganho de peso – o que, é claro, pode afetar não só a saúde, mas também a maneira como os outros nos veem.

Quando estamos atormentados por sentimentos dolorosos devido ao baixo reconhecimento social, nosso julgamento pode se tornar obscurecido. Podemos focar tanto em como ser mais feliz no momento que nos esquecemos de prestar atenção em como nosso comportamento irá nos afetar a longo prazo. A ligação entre o poder e o tamanho da porção pode explicar, pelo menos em parte, por que a obesidade tem aumentado mais rapidamente entre os americanos mais pobres.

A boa notícia é que manipular o que sinaliza um status social desejado pode orientar as pessoas a fazer melhores escolhas. Quando Dubois e seus colegas alertaram os participantes que a escolha de porções maiores estava relacionada à tentativa de ter maior prestígio social, eles escolheram quantidades menores. Basta estar consciente de que seu comportamento pode estar sob influência de sentimentos de inferioridade para melhorar seu julgamento diante das escolhas.

Por isso, quando você estiver na fila de uma lanchonete, planejando comprar a batata frita tamanho gigante ou aquele refrigerante extra, reflita sobre seu estado emocional. Se alguma coisa o fez se sentir inferiorizado, é provável que você “queira” o tamanho grande por outras razões que não a fome. Tomar consciência das próprias motivações também é útil quando vamos ao supermercado. Se os sentimentos de insegurança estão em alta, seria mais adequado voltar às compras mais tarde, quando se sentir mais confiante. E, assim, ainda fazer um bom negócio.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Álcool em filmes influencia o comportamento dos adolescentes

O Globo


Pesquisa com 6.500 adolescentes americanos mostrou que cenas que mostram bebidas ou nas quais os personagens tomam drinques têm efeito decisivo sobre eles

BOSTON, Massachusetts — Adolescentes que veem muitos filmes em que os personagens consomem álcool têm duas vezes mais chance de começar a beber do que aqueles que assistem a poucas produções com cenas deste tipo, revela uma pesquisa publicada no jornal on-line “BMJ Open”. Pior: estes adolescentes também têm maior tendência (63%) a abusar do álcool, diz o estudo. As constatações levaram os pesquisadores a sugerir que Hollywood adote as mesmas restrições ao álcool que já vem fazendo ao tabaco em seus roteiros.

O grupo trabalhou com uma mostra significativa de 6.500 jovens americanos, com idades entre 10 e 14 anos, que responderam a perguntas sobre seu consumo de álcool durante dois anos. As perguntas levavam em conta também os fatores que os influenciavam, incluindo filmes, publicidade, ambiente doméstico, comportamento dos colegas e vontade de se rebelar. Os jovens foram convidados a apontar, aleatoriamente, filmes que tinham visto nos últimos cinco anos. Os títulos foram escolhidos entre cem blockbusters de cada ano, e mais 32 sucessos de bilheteria do início de 2003, ano da primeira pesquisa.

O tempo de exibição de cenas em que apareciam bebidas alcoólicas ou pessoas tomando drinques foi medido em cada um dos 532 filmes. Ao final, descobriu-se que muitos adolescentes tinham assistido a cerca de quatro horas e meia de imagens relacionadas ao consumo de álcool, e que este índice, em alguns casos, chegava a oito horas.

Além disso, cerca de um em cada dez jovens (11%) disseram ter um produto, como uma camiseta ou um chapéu, em que aparecia uma marca de bebida alcoólica. Quase um em cada quatro (23%) disseram que seus pais bebiam álcool pelo menos uma vez por semana em casa, e 29% afirmaram que as bebidas ficavam ao seu alcance, em casa.

Ao longo dos dois anos de pesquisa, a proporção de adolescentes que haviam começado a beber mais do que dobrou, de 11% para 25%, enquanto a proporção daqueles que começaram a beber em excesso, isto é, bebiam pelo menos cinco drinques em uma única sessão triplicou de 4% para 13%.

Pais que bebiam em casa e a disponibilidade de álcool em casa foram fatores associados ao hábito de beber, mas não ao de abusar de álcool. Exposição a cenas com álcool nos filmes, ter um produto com a marca de uma bebida, ter amigos que bebem e rebeldia foram relacionados às duas situações.

Constatou-se ainda que a presença de álcool nos filmes respondia por 28% da proporção de adolescentes que começaram a beber entre uma pesquisa e outra, e por 20% dos que passaram a exagerar no consumo de álcool. A associação não estava relacionada apenas a sequências com personagens tomando drinques, mas também à exibição de cenas em que os produtos apareciam.

“Mostrar cigarros em filmes é proibido nos Estados Unidos, mas é legal que em metade dos filmes de Hollywood haja referência a álcool, independentemente de sua classificação”, disseram os pesquisadores.

Eles ressaltaram que o aparecimento de cigarros em filmes caiu desde que o tabagismo virou um assunto de saúde pública, e sugeriram que a política para o álcool na tela fosse a mesma.

Hollywood tem responsabilidades também fora do país, dado que metade da renda dos seus filmes vem do mercado internacional, acrescentaram. “Como uma gripe, as imagens de Hollywood começam numa região e depois se espalham pelo mundo afora, onde também podem afetar o comportamento dos adolescentes com relação à bebida”, escreveram.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Fumante passa por cinco fases antes de decidir parar

Fantástico - Dr. Dauzio Varella
A tomada de decisão para largar o cigarro resulta de um processo que costuma levar anos ou décadas para se completar. Especialistas demonstram que, do ponto de vista didático, é possível reconhecer cinco estágios pelos quais a maioria dos fumantes passa antes de jogar fora o maço.

A primeira é a Fase de pré-contemplação, quando os fumantes não pensam em mudar seu comportamento e racionalmente veem mais vantagens em fumar do que deixar de fazê-lo. Já a Fase de contemplação acontece quando o fumante sente no corpo alguns problemas causados pelo fumo, tenta reduzir o número de cigarros, mas ainda não se convenceu completamente de que vale a pena ficar livre da dependência.

Na Fase de preparação, o fumante já sabe que o cigarro é seu inimigo, pensa seriamente em largar, mas ainda lhe falta coragem para adotar medidas radicais. É na Fase da ação que finalmente o fumante se confronta com sua condição de dependente e toma a decisão de parar. Muitos dos que estão nesta fase chegam a marcar data para fumar o último cigarro. Mas a etapa mais difícil é mesmo a Fase de manutenção, porque muitos hábitos associados ao fumo precisam ser modificados.

Agora, se houver recaídas, não há problema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os fumantes fazem, em média, três ou quatro tentativas antes de conseguir parar de fumar definitivamente.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fumo causa 50% dos casos de câncer na laringe, diz especialista

Terra.com
THAÍS SABINO
Entre as doenças que o tabagismo pode provocar, estão complicações cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, enfisema pulmonar, bronquite e problemas respiratórios. No entanto, a principal delas é o câncer. De acordo com o oncologista do Hospital Nove de Julho, Ricardo Caponero, "80% dos pacientes de câncer de pulmão são fumantes e 50% dos casos de câncer na laringe estão relacionados ao uso do tabaco".
"A pessoa corre risco a partir do primeiro cigarro. Quanto mais ela fumar e mais tempo, há mais chances de desenvolver câncer nas vias aéreas", explicou. "É como atravessar a rua: na primeira vez, você já corre risco de ser atropelado, mas, quanto mais vezes atravessar, são mais chances de isso acontecer", comparou Caponero.


O oncologista Luiz Adelmo Lodi, da Oncomed de Belo Horizonte, reforçou que não existe uma quantidade mínima de cigarros que seja segura a saúde e que os índices de desenvolvimento de câncer em fumantes é alto. "Do total, 10% de quem fuma vai desenvolver câncer e 90% de quem tem câncer nas vias aéreas é fumante", afirmou Lodi. O profissional completou que 30% dos fumantes morrem da doença.
O pneumologista coordenador das ações de tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Ricardo Meireles, explica que a fumaça do cigarro, tabaco, charuto ou narguilé contém cerca de 4.700 substâncias tóxicas, das quais 60 são comprovadamente cancerígenas. "Esses componentes atuam na alteração celular, levando ao crescimento desordenado das células, o que origina o tumor", disse.
Tabaco e álcool
Segundo Meireles, a associação do fumo às bebidas alcóolicas aumenta em 50% as chances de câncer na cavidade oral e laringe, em relação às pessoas que só fumam ou só bebem.
"A irritação local causada pela fumaça e pelo álcool potencializa os riscos do desenvolvimento de câncer", afirmou o oncologista Valdir de Paula Furtado, do Instituto de Hematologia e Oncologia de Curitiba. O hábito de combinar os dois fatores é mais comum na população de baixa renda. A falta de higiene bucal aumenta ainda mais o risco de câncer na região.

O oncologista Caponero explica que em qualquer região do corpo é possível fazer cirurgia para a retirada do tumor, no entanto, existem lugares onde o tratamento com medicamentos é mais aconselhado com o intuito de preservar o órgão. "No caso da laringe, a operação é muito mutiladora, pois pode afetar as cordas vocais e deixar o paciente sem voz para sempre", exemplificou.
Corrente sanguínea e metástase

Apesar de os pulmões dos fumantes serem os mais afetados por tumores, o tabagismo pode desencadear doenças em outros órgãos, quando é absorvido pela corrente sanguínea. O pneumologista do INCA Ricardo Meireles citou pâncreas, rins, estômago, útero, mamas e bexiga como regiões em que o surgimento do câncer está relacionado ao fumo. "Se as toxinas caem na corrente sanguínea, elas podem provocar alteração celular em vários órgãos e causar metástase", disse.

As vias urinárias são afetadas, principalmente, pois fazem parte dos órgãos excretores do corpo, portando, as toxinas passam pela região. De acordo com o oncologista Ricardo Caponero, 30% dos cânceres de bexiga também estão associados ao tabagismo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Que tal não jogar sua bituca no chão?

Campanha explica como o ato de jogas as bitucas de cigarro no chão pode ser prejudicial para o ambiente

Atitude Sustentável - Gisele Eberspacher
A cena se repete em várias cidades, mas principalmente naquelas que proibiram o fumo dentro de lugares públicos. A pessoa fuma na calçada e, naturalmente, joga a bituca na calçada.

Placa que fez Aurelio refletir: na Califória, a multa para quem joga lixo em ambienes públicos é de $ 1.000 (Foto: Aurelio Abreu Guzzoni).
O que muitas pessoas não percebem é que, além de ser lixo, a bituca é um lixo tóxico, que contém alcatrão. Além disso, quando jogadas acesas, podem ainda causar incêndios.A ONG Cigarette Litter calculou que anualmente são jogadas cerca de 4.5 trilhões de bitucas em espaços públicos.


Vendo esse cenário, Aurelio Abreu Guzzoni resolveu se mobilizar para mudar um pouco essa situação. “A ideia começou a surgir a partir de viagens à Califórnia, nos EUA. Lá, eu notei diversas placas nas vias, que alertavam existir multa de mil dólares por jogar qualquer tipo de lixo em espaço público. Comecei a perceber que aqui em São Paulo o hábito de arremessar bitucas em espaço público é feito por quase 100% dos fumantes que estão em veículos no trânsito, por exemplo”.
Para mostrar essa situação, Aurelio gravou imagens dessas situações enquanto andava pela cidade no vídeo acima.

Além da divulgação do vídeo e ações em redes sociais, uma maneira que Aurelio usa para propagar a ideia é conversando pessoalmente com os próprios fumantes. “É claro que há resistência, pois são justo os fumantes que tendem a argumentar que não há lixeiras na cidade, e que a bituca pode até causar incêndio no restante do lixo. Com isso explicamos que o cigarro deve ser apagado por completo, e que mesmo sem porta-bitucas, garrafas de plástico vazias podem servir perfeitamente e as tampas inclusive eliminam o problema do cheiro impregnar no estofado ou nas roupas”, explica Aurelio.
A iniciativa conta com o apoio da ONG “Hold on to your Butt”, que faz um trabalho semelhante em San Diego, na Califórnia. É importante ressaltar que nenhum dos projetos é contra o ato de fumar, mas incentiva apenas que o descarte das bitucas seja feita de modo mais sustentável e segura.

Fonte: UNIAD

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Uso "terapêutico" de álcool por ansiosos leva à dependência

Correio do Estado - DA REDAÇÃO

O hábito de consumir álcool para "afogar as mágoas" e aliviar o estresse pode ser uma porta de entrada para o alcoolismo para pelo menos um tipo de pessoa: aquelas com sintomas de ansiedade, segundo novo estudo de uma universidade do Canadá.

Poucas pesquisas sustentavam essa relação de causa e consequência até agora. Fazendo acompanhamento de saúde e entrevistas com mais de 34 mil pessoas nos EUA, cientistas concluíram que pessoas com problemas como transtorno de pânico ou fobias são especialmente vulneráveis a esse fator de risco.

Pacientes que praticavam o consumo "terapêutico" de bebidas alcoólicas (ou de qualquer outro tipo de droga) contra a ansiedade aumentaram de três a seis vezes o risco de dependência.

Na pesquisa, feita na Universidade de Manitoba (Canadá), 12,6% das pessoas com transtornos de ansiedade desenvolveram alguma forma de alcoolismo após usar a bebida como alívio.

Daqueles que tinham ansiedade, mas não praticavam "automedicação de sintomas com álcool", apenas 4,7% tiveram o problema.

"A análise sugere que 15,9% dos diagnósticos incidentes de transtornos do álcool nessa população podem ser atribuídos à automedicação com álcool", afirmam James Bolton e seus colegas, autores de um estudo publicado na revista "Archives of General Psychiatry".

CÍRCULO VICIOSO

Um outro efeito perverso foi o de que a dependência de álcool ou outras drogas agiu contra a melhora de sintomas de ansiedade a longo prazo. Atuando apenas de forma paliativa e circunstancial, a automedicação tinha uma tendência a se tornar vício.

O abuso de álcool e drogas foi particularmente alto como fator de risco para um tipo específico de transtornos de ansiedade: a fobia social.

Esse é o nome dado ao pavor de interação com outros por medo de reprovação, passar vergonha em público, humilhação etc.

"Uma possível explicação para isso é que a má aceitação social do uso de drogas pode criar um desejo de evitar contato social", afirma Bolton. "Outra é que esses indivíduos já tivessem uma fobia social abaixo do limiar [de diagnóstico], que foi exacerbada pelo uso de drogas."

Segundo o pesquisador, o transtorno de ansiedade acompanhado de dependência também é mais difícil de tratar, porque a abstinência pode provocar uma intensificação dos sintomas que são típicos da ansiedade.

"Ao identificar um comportamento real ou potencial de automedicação, os médicos podem trabalhar para prevenir o surgimento simultâneo da comorbidade [ansiedade ligada ao alcoolismo] em certos pacientes", diz.

(Com informações da Folha)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pô! Me pedir pra ler site de maconheiro já é um pouco demais! Ou: questão de lógica elementar

Por Reinaldo Azevedo

Pô, pessoal! Mandar pro Tio Rei link do que sites de maconheiros andam dizendo sobre o blog? Sacanagem, né? Vocês não acham mesmo que vou bater boca com a turma, né? Aliás, deve ser coisa dos próprios autores. É preciso estar meio fumado para achar que vou entrar nessa. Eu lá quero saber o que maconheiros fazem da vida!? Por mim, se quiserem fumar o cocô do cavalo do bandido, não tou nem aí; não é problema meu. Eu debato é política pública.

Liberada a maconha, não há nenhuma boa razão para manter na ilegalidade as demais drogas. “Ah, são mais fortes…” Entendi: vamos permitir a alteração de consciência, mas só um pouquinho… O que deixa essa turma furiosa — e, até que não tenham resposta para isto, deveriam parar de torrar a paciência — é que não há argumento possível para a descriminação do crack, por exemplo. O desastre é muito visível. Daí o esforço para tornar a maconha alguma coisa leve, sem conseqüência, como tomar um Chicabon. O problema de evocar as drogas pesadas é que elas denunciam a real natureza da maconha.

Como o povo é ruim de lógica — e não seria um maconheiro a gostar desse esporte (é claro que os há inteligentes, apesar da droga, não por causa dela) —, as bobagens vão se acumulando. Há pesquisas aos montes, basta procurar, demonstrando que a primeira droga dos usuários de substâncias pesadas foi a maconha. Há uma escala e uma escalada. Aí o sujeito simplesinho diz assim: “Ainda que a primeira droga dessa turma tenha sido a maconha, a verdade é que um monte de gente fica só na maconha”. Mas isso reforça o meu argumento, não o dele. Como? Eu explico.

Se a maconha é a porta de entrada para a espiral sem volta, quanto mais pessoas expostas à primeira droga, maior será o número de pessoas caminhando para o abismo. A legalização da maconha seria apenas um fator de expansão do mercado consumidor das drogas pesadas, em cuja legalização ninguém fala porque a defesa da liberação da maconha só pode ser feita depois do assassinato da lógica. Em suma: AFIRMAR QUE A LEGALIZAÇÃO DA MACONHA DIMINUI O PODER DO NARCOTRÁFICO E UMA FALÁCIA. SÓ AUMENTARIA A CLIENTELA DO TRAFICANTE DAS DROGAS QUE CONTINUASSEM PROIBIDAS. Ou, então, libere-se tudo! E que Deus tenha de nós a piedade que os homens não tiveram.

PS - “Se a pessoa quer o abismo, problema dela”, dirá um “liberal inocente”, achando ser um “liberal liberal”, em oposição a este “liberal conservador”. Infelizmente, não é assim. O exército de zumbis dos crack que vagam hoje pelas nossas cidades evidencia que não se trata apenas de uma questão de escolha pessoal.

Fonte: UNIAD

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_5/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011

Questionário

No último ano você:

- Ficou mais preocupado em jogar videogame, ler sobre os jogos ou planejar a próxima oportunidade de jogo?

- Gastou mais tempo e dinheiro com jogos para atingir o mesmo grau de satisfação de antes?

- Tentou impor limite no tempo de jogo? Em caso afirmativo, obteve sucesso?

- Ficou irritado ou ansioso quando tentou reduzir o tempo?

- Usou os jogos como forma de escapar de problemas?

- Já mentiu para familiares ou amigos sobre o tempo de jogo?

- Já cometeu algum ato ilegal ou antissocial para conseguir acesso a jogos?

- Negligenciou afazeres domésticos ou escolares para ficar mais tempo jogando?

- (Para estudantes) Já teve mau rendimento em prova ou dever de casa por ter passado muito tempo jogando?

- (Para não estudantes) Suas atividades no trabalho já foram prejudicadas por você ter passado muito tempo jogando?

- Precisou de ajuda financeira de familiares ou amigos por ter gastado muito com acessórios, jogos ou taxa de internet?

Avaliação:

Conte 1 ponto para cada “Sim”, 0 ponto para cada “Não” e 0,5 para cada “Às vezes” (com exceção do item 3, que rende 1 ponto apenas se tentou limitar e não obteve sucesso. Acima de 5 pontos pode-se considerar jogo patológico. (Gentile 2009).

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_4/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011


Entrevista

Douglas Gentile, Diretor do Laboratório de Pesquisa de Mídia da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos.

Graduado em psicologia pela Universidade de Nova York, mestre e doutor em psicologia infantil pela Universidade de Minnesota. Atualmente é professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Iowa.

O psicólogo Douglas Gentile coordenou um estudo com mais de 3 mil crianças de Cingapura em idade escolar. A pesquisa, publicada na última edição da revista Pediatrics, constatou que um em cada dez menores era viciado em jogos e a maioria não conseguia se livrar do problema. O artigo também aponta que, embora as crianças já tivessem propensão a desvios de comportamento, o uso excessivo de videogames aparentemente agravou esses transtornos.

- Como o sr. Define o vício em jogos eletrônicos?

Na minha opinião, é um transtorno do controle dos impulsos. Ou seja, o jogador sabe que deveria fazer sua tarefa, mas não consegue frear o impulso de continuar jogando. Isso significa que não é algo nos jogos que é “viciante”, mas que a pessoa permitiu que o hábito tomasse proporção exagerada.

- Para a maioria dos pais, é difícil distinguir a brincadeira prolongada da condição patológica. Como ajudá-los?

Medir o tempo gasto em uma atividade não é maneira adequada de diagnosticar um vício. Por exemplo, muitas pessoas bebem muito álcool, mas não são alcoólatras. Para ser um vício, um adicto deve fazer algo de forma a prejudicar sua vida. E também prejudicar múltiplas área de sua vida, não apenas uma ou duas.

O sr. Acredita que o vício em jogos é um sintoma de uma condição pré-existente?

A princípio pensamos que era um sintoma de outros problemas, como depressão ou fobia social, mas descobrimos que é o oposto. Parece que a depressão, a ansiedade e as fobias sociais pioraram quando o vício piorou e melhoraram assim que o vício melhorou.

Há algum conselho que o sr. pode dar para os pais?

Estabeleça limites claros tanto no tempo de jogo (recomendo não mais de uma hora por dia) quanto no conteúdo (os jogos devem ser apropriados para a idade e não devem incluir ações violentas).

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_3/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011

Sem temor

Para Quézia Bombonatto, da Associação Brasileira de Psicopedagogia, os pais não podem ter medo de colocar limites. O ponto de equilíbrio, diz, vai depender dos valores de cada família.

Como o cérebro de crianças e adolescentes ainda não está totalmente formado, eles têm mais dificuldade para controlar seus impulsos, explica a neuropsicóloga Adriana Foz. “Os pais precisam estar próximos para ampara-los, assim como cuidam de um bebê que está aprendendo a andar”. No caso de crianças menores, continua, cabe aos pais determinar quando, como e para que usar o computador. Com os adolescentes é preciso manter o diálogo. “O mundo digital oferece inúmeras oportunidades de desenvolvimento cognitivo, aprendizagem e diversão. Não temos como negar, nem omitir, mas aprender a fazer um uso saudável e agregador”.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_2/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011


Número mágico

Segundo o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, do Ambulatório de Tratamento de Dependências Não Químicas da Unifesp, não existe um “número mágico” que caracterize a dependência. “Há pessoas que vão sofrer prejuízos com duas horas diárias de uso e outras que podem jogar oito horas e continuar bem. É preciso olhar o contexto”, diz. A relação disfuncional com o jogo, contínua, é sintoma de um problema anterior.

Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP, concorda. Ela realiza um trabalho de orientação por e-mail a dependentes de internet e jogos eletrônicos e conta que o primeiro passo para a recuperação é identificar a dificuldade que levou ao uso abusivo.

Geralmente são jovens introvertidos que não se sentem muito prestigiados na vida real, mas nos jogos conseguem ser os melhores”, conta. Também costumam estar subjacentes problemas de autoimagem e de comunicação com a família.

Proibir o uso do computador ou do videogame, diz Rosa, não é a solução. “O melhor que os pais podem fazer é ter uma atitude preventiva. Para isso é preciso conhecer as possibilidades do mundo virtual, aproximar-se do jovem, acompanhar o uso das tecnologias e ajuda-lo a discriminar o bom do ruim”.

A administradora Angélica tem procurado colocar essa ideia em prática com a filha Gabriela. “Para entrar em um site novo de jogo, ela precisa me avisar antes para eu avaliar o conteúdo. As conversas no MSN também devem ser gravadas e, de vez em quando, dou uma olhada”. Angélica conta que a interação com pessoas desconhecidas por meio dos jogos é o que mais a preocupa.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Uso excessivo de jogos eletrônicos pela geração digital preocupa pais_1/5

Matéria, dividida em 5 partes, que será publicada nos dias 05, 07, 09, 12 e 14 de Setembro

Por Karina Toledo

O Estado de São Paulo, pág. A24, 08.02.2011


Jogos eletrônicos já foram acusados de causar problemas como obesidade, déficit de atenção, timidez e agressividade excessiva. Outros estudos, porém, alardearam seus benefícios no desenvolvimento de noção espacial, habilidades visuais e motoras e no combate ao declínio mental que surge com a idade. A tecnologia, dizem especialistas, não é vilã nem mocinha. O segredo é o uso adequado. Mas, para pais de crianças e adolescentes da geração digital, isso nem sempre é algo fácil de definir.

Alex de Oliveira, de 13 anos, já se recusou a visitar o pai, em outra cidade, para não ficar longe do videogame. “O pai não deixa ele levar, pois acha que Alex joga demais durante a semana”, conta a mãe, Andréa de Oliveira, de 44 anos. Ela diz que tenta impor limites, mas tem dificuldade. “Nunca foi mau aluno. Então, fico sem argumento”.

As angústias da administradora Angélica Bastos, de 33 anos, são parecidas. Ela reclama que a filha Gabiela, de 11 anos, deixa de brincar de patins e nadar com as crianças do prédio para jogar. No fim de semana, não quer passear com a família e, para onde vai, leva um videogame portátil a tiracolo. “Acho um exagero, mas não sei medir se isso a prejudica”, diz.

A diferença entre o uso abusivo e o recreacional da internet e dos jogos eletrônicos ainda é um pântano mesmo para especialistas, diz o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Ambulatório dos Transtornos do Impulso do Hospital de Clínicas de São Paulo. Essa geração digital, diz ele, foi educada sob a perspectiva de estar conectada e tem características muito diferentes das anteriores. “Possuem mais amigos virtuais que reais. Preferem conversas on-line. Até seus bichos de estimação são virtuais”, afirma.

Até aí, tudo bem. O problema surge quando o jovem começa a migrar da vida real para a virtual e passa a negligenciar atividades comuns. Como esse uso excessivo não deixa sinais físicos,a diferenciação acaba sendo feita pelo prejuízo causado nas diversas áreas da vida, explica o psiquiatra Daniel Spritzer, coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (Geat), do Rio Grande do Sul. “A esfera escolar é geralmente a mais afetada, com uma marcada queda no rendimento”.

Foi o caso do estudante André Muniz, de 17 anos. “Tinha dificuldade de me concentrar durante as aulas, pois ficava pensando no jogo”, conta. Embora seu desempenho nas provas não fosse ruim, tinha a nota prejudicada por não entregar os trabalhos de casa. “Ele tem facilidade e foi bem no vestibular, mas poderia ter uma performance muito melhor no colégio se não fosse os games”, lamenta o pai, Onofre Muniz, de 69 anos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mauá proíbe venda de bebida em postos

Especialistas querem que medida, que vale a partir de sábado, seja aplicada no Estado
O
Estadão.com.br

A partir de sábado, lojas de conveniência dos postos de combustíveis de Mauá, na região do ABC paulista, não poderão mais vender bebidas alcoólicas. É a primeira vez que esse tipo de proibição passa a valer em uma cidade da Grande São Paulo. Enquanto especialistas em medicina de tráfego esperam que a medida seja estendida para todo o Estado, empresários do setor já tentam barrar a lei na Justiça.

Leonardo Soares/AE
Críticas à legislação. Para o sindicato do comércio varejista, a determinação é totalmente inconstitucional e, por isso, pretente entrar com uma ação na Justiça até segunda-feira

Pelo menos dez propostas semelhantes tramitaram pela Câmara Municipal de São Paulo desde 1998 - e todas foram arquivadas. Autor de um desses projetos, o deputado estadual Jooji Hato (PMDB) quer levar a discussão para a Assembleia Legislativa. "Infelizmente não conseguimos aprovar isso em São Paulo. Quero trazer para cá e buscar apoio. Não tenho certeza de que poderei aprovar o projeto, porque a atividade econômica é gerida pelo município", afirma.

Em 2001, um projeto de lei que proibia a venda de bebidas alcoólicas nos postos de gasolina, de autoria do próprio Hato, foi aprovado em duas votações na Câmara, mas acabou vetado pela então prefeita Marta Suplicy (PT).

Na época, a Prefeitura alegou que a legislação municipal sobre postos de combustíveis não permitia a venda de bebidas, o que inviabilizaria uma nova lei sobre o assunto. Os vereadores não derrubaram o veto.

Secretário de Segurança Pública de Mauá, Carlos Wilson Tomaz afirma que a prefeitura propôs a lei para diminuir o número de acidentes de trânsito e evitar que menores de idade consumam álcool.

"Os postos de combustíveis, principalmente aqueles que funcionam 24 horas por dia, tornaram-se pontos de encontro de jovens", diz Tomaz. "Verificamos até menores de idade consumindo bebida alcoólica de forma exagerada. Além de equipamentos de som de carros ligados em volume muito alto, incomodando os vizinhos. E são situações que não acontecem só em Mauá."

A dona de casa Irene Emiliano de Souza, de 42 anos, mora na Rua Edson Andrade Silva, na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital, mas sabe bem do que Tomaz está falando. Vizinha de um posto de combustíveis da Avenida Inajar de Souza, ela reclama do barulho que os frequentadores da loja de conveniência fazem, principalmente nas noites dos fins de semana.

"Isso aqui fica insuportável. O pessoal para o carro dentro do posto, liga o som alto e fica bebendo. Parece que eles não têm o que fazer", diz a dona de casa.

Cliente da loja de conveniência do posto, o operador de telemarketing Celso Rodrigues, de 21 anos, não vê problemas. "É uma loja como outra qualquer. Acho até mais prático, porque funciona a noite toda e é segura, iluminada."

Na Justiça. Os donos de postos de combustíveis de Mauá adiantaram que pretendem contestar na Justiça a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em lojas de conveniência. "No nosso entendimento, essa lei é totalmente inconstitucional", argumenta Toninho Gonzalez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do ABCDMR (Regran). "Vamos entrar com uma ação para derrubá-la no máximo até segunda-feira", promete.

Até lá, os postos devem cumprir a nova legislação, assegura Gonzalez. Os empresários alegam que estão sendo tratados de forma diferente. "Os mercados e bares podem vender cerveja e cigarro, mas nós não? Queremos saber por que o tratamento é diferenciado", diz o sindicalista.

A Prefeitura de Mauá afirma que os bares da cidade já são obrigados por lei a fechar as portas às 23 horas.

"Não acredito que um posto de gasolina vá fechar ou demitir funcionários, porque não vende mais bebida alcoólica. A loja continua funcionando, só não vende um tipo de produto", diz o secretário Carlos Wilson Tomaz.

Multa
O descumprimento da lei municipal de Mauá implica multa de R$ 2.673,40. Em caso de reincidência, o alvará de funcionamento da loja de conveniência será cassado, segundo a prefeitura.

Tiago Dantas / JORNAL DA TARDE - O Estado de S.Paulo

Fonte:
UNIAD

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Beber muita cerveja aumenta o risco de câncer de estômago

Quem costuma abusar da cerveja tem um novo motivo para mudar seus hábitos. Cientistas descobriram que bebedores frequentes de cerveja ​​têm mais chances de desenvolver câncer no estômago, principalmente se eles possuírem uma determinada variante genética.

Pessoas que bebem de duas a três cervejas por dia durante muitos anos possuem um risco 75% maior de câncer gástrico. Quem tem a variante de gene chamado rs1230025, mesmo não sendo bebedor contumaz, é 30% mais propenso a sofrer da doença em comparação com pessoas que bebem menos de uma cerveja diariamente, segundo o estudo.

“Por sua vez, quem é bebedor crônico de cerveja e ainda ​​possui o rs1230025 corre um risco 700 vezes maior de desenvolver câncer de estômago em comparação com as pessoas sem a variação do gene que consomem menos de um drinque por dia”, afirma Eric Duell, epidemiologista do Instituto Catalão de Oncologia, em Barcelona, ​​Espanha. A variação do gene é comum e está presente em cerca de 20% da população em geral, informa.

Vinho e licor não parecem trazer os mesmos riscos, lembra Duell.

“O câncer parece estar mais ligado ao álcool especificamente da cerveja”, diz. Isso pode ocorrer porque bebedores contumazes são mais propensos a exagerar na cerveja do que em outras bebidas alcoólicas.

Os resultados são correlacionados, ou seja, existe uma relação entre o ato de beber cerveja e o risco de câncer de estômago, mas não se chegou à conclusão de que um causou o outro ou se há outro fator desconhecido na história.
Duell e seus colegas analisaram o consumo de álcool de 521 mil pessoas entre 35 e 70 anos que faziam parte da Perspectiva de Investigação Europeia em Câncer e Nutrição entre os anos de 1992 e 1998. Os pesquisadores observaram se os participantes do estudo consumiam vinho, cerveja ou outras bebidas alcoólicas regularmente, bem como a localização e a severidade do câncer de estômago, se houvesse.

Descobriu-se que as pessoas que consumiam mais de 60 gramas de álcool (o equivalente a quatro ou cinco cervejas) por dia tinham um risco 65% maior de desenvolver a doença no período do estudo do que pessoas que consumiam regularmente de 0,1 a 4,9 gramas de álcool por dia (menos de uma cerveja).

Quando os pesquisadores observaram puramente o consumo de cerveja (em vez do consumo de álcool em geral), o risco de câncer foi ainda mais alto. O mesmo aconteceu no caso de quem bebia muito e ainda contava com a variante genética rs1230025.

O câncer de estômago causou 10.570 mortes nos Estados Unidos ano passado e geralmente atinge pessoas com 65 anos ou mais, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. Uma em cada 114 pessoas serão diagnosticadas com o câncer em algum momento de sua vida.

Os pesquisadores não sabem ao certo porque só a cerveja parece aumentar o risco de câncer gástrico, e o vinho ou licor, não. Entretanto, eles acreditam que seja uma combinação de maior consumo de cerveja do que vinho ou licor, com uma substância cancerígena específica, que é produzidas quando a cerveja é metabolizada.

Quando o álcool é metabolizado no organismo, uma substância cancerígena conhecida como acetaldeído é produzida. A cerveja, em particular, também contém níveis de uma substância cancerígena animal chamada de N-nitrosodimetilamina (NDMA). A exposição prolongada tanto ao acetaldeído quanto ao NDMA, através do hábito diário de beber cerveja, pode desempenhar um papel no risco de câncer gástrico, Duell explica.

“Por causa destes riscos, as pessoas devem evitar o consumo pesado de álcool, embora o consumo de leve a moderado seja aceitável”, diz.
Em seguida, Duell e seus colegas esperam fazer pesquisas adicionais para encontrar mais variantes do gene que pode ter um efeito sobre o risco de câncer de estômago.

Fonte: UNIAD

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Pediatras defendem fim do álcool na gravidez

O Estado de S. Paulo – Caderno Vida
Livro da Sociedade de Pediatria traz dados científicos sobre efeitos nocivos ao feto

Karina Toledo

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) lançou ontem uma publicação em que defende que as grávidas não consumam álcool - mesmo moderadamente.

A abstinência é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e demais entidades da área, como sociedades de obstetrícia, mas há médicos que liberam uma taça de vinho de vez em quando às pacientes. Estudos brasileiros indicam que de 20% a 40% das gestantes consomem bebida alcoólica.

"Mesmo entre os médicos, a desinformação ainda é grande", alerta Clóvis Constantino, presidente da SPSP. "Além de alertar a população e os profissionais de saúde, queremos sensibilizar o poder público para a necessidade de incluir advertências nos rótulos de bebidas." O livro Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido reúne as principais evidências científicas sobre o tema.


De acordo com a pediatra Conceição Segre, coordenadora do livro, o álcool ingerido pela gestante ultrapassa a barreira da placenta e se acumula no líquido amniótico. Também atinge o feto pelo sangue do cordão umbilical, prejudicando a transferência de nutrientes e oxigênio. Em cerca de uma hora, os níveis de álcool no sangue fetal são iguais aos da mãe. Mas, como o bebê tem massa corporal menor e o fígado imaturo para metabolizar a substância, calcula-se que o efeito tóxico para ele seja oito vezes maior.

Sequelas. As consequências dessa intoxicação permanecem a vida inteira, com intensidade variável, diz Conceição. Nos casos mais graves, que caracterizam a síndrome alcoólica fetal e atingem um a cada mil bebês, ocorrem malformações na face, diminuição no perímetro cefálico - por causa das alterações no sistema nervoso - e retardo no crescimento pré e pós-natal.

Estima-se que para cada caso da síndrome completa haja outros três do chamado "espectro de distúrbios fetais causados pelo álcool". "São alterações neurológicas percebidas apenas mais tarde, quando a criança está em idade escolar", conta a médica. Dificuldades de linguagem, déficit de atenção e hiperatividade são alguns dos efeitos tardios.

"O nível seguro para o consumo é desconhecido. Por isso, a não ingestão de álcool pela grávida e pela mulher que deseja engravidar é a única forma de prevenção", defende Conceição.

O psiquiatra Erikson Furtado, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, conta que um estudo feito nos anos 1980 mostrou que uma única dose de álcool era capaz de provocar o que os médicos chamam de sofrimento fetal - alterações no batimento cardíaco associadas à queda na oxigenação.

"Pacientes relatam que depois de beber percebem o bebê mais inquieto. Isso pode ser sinal de sofrimento fetal", diz a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). "Há a cultura de que se pode beber um pouquinho. Mas, de pouquinho em pouquinho, faz-se um consumo regular", afirma.

Antonio Moron, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que alguns médicos adotam uma postura mais liberal para parecer mais "simpático" às suas pacientes. "A crença de que só uma tacinha não faz mal é muito difundida, mas é um conceito totalmente errôneo."

Autorização. As colegas de trabalho Fernanda Guerra, de 33 anos, e Cintia Castellanos, de 29, estão grávidas do primeiro filho. As duas contam que foram autorizadas por seus obstetras a consumir álcool moderadamente. "Passei por vários médicos até escolher um para fazer o pré-natal e o parto. Todos disseram que não tinha problema beber só um pouquinho", conta Fernanda. Apesar da autorização, ambas optaram por não arriscar.

Já a estudante Iara (nome fictício), de 24 anos, revela que sentia muita vontade de tomar vinho quando esperava a filha, hoje com 7 meses. "O médico disse que depois do primeiro trimestre não havia problema em consumir o equivalente a uma taça por semana. E eu aguardava esse dia muito ansiosa."

''Minha mãe sempre bebeu muito, mesmo quando estava grávida''

Depoimento

L.M.M.

37 ANOS, ROTEIRISTA

"Tenho 37 anos e sou filha de uma alcoólatra que morreu de cirrose há três meses, aos 60 anos. As melhores amigas da minha mãe comentavam que ela bebia muita cerveja, mesmo quando estava grávida de mim e dos meus irmãos.

Não consumo atualmente nenhuma bebida alcoólica. Sempre sofri de depressão, mesmo na infância, quando não se imagina que uma criança possa ter uma doença tão complexa. Eu e meus irmãos estamos sempre tristes nas fotos.

Quando adolescente, provei bebida e senti a voz do sangue gritar bem alto. Amei aquele gosto, como se fosse um leite materno! Amigas repararam que eu não sabia parar. Bebia a garrafa toda, até cair. Tive de me disciplinar severamente para parar. Bebi muito, sem limites, durante três anos.

Entrei na faculdade e a vontade de vencer na vida cresceu, mas o pavor de ficar como minha mãe me amedrontava. Hoje, passo longe de bebida, mas se alguém abre uma garrafa de vinho, é como um canto de sereia. Quase saio correndo. No Natal, grávida de sete meses, quase cedi à tentação."

Fonte: UNIAD

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Droga derivada do crack tem efeito devastador

TV Brasil

Dr. Antônio Geraldo, Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, esclarece nessa entrevista os malefícios da nova droga, o Oxi. Você já ouviu falar em Oxi? É o nome da droga que vem preocupando autoridades de todo o país. Derivada do crack, ela tem um efeito devastador no organismo. O vício vem rápido e pode ser fatal.

Assista à reportagem no site da ABP: clique aqui

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Síndrome do Impostor_2/4

Segunda postagem da série com 4 postagens, publicada na Revista Mente & Cérebro, edição especial n° 213, de outubro/2010, por Birgit Spinath - Professora de psicopedagogia da Universidade de Heidelberg-Alemanha.


A expressão "fenômeno do impostor" foi usada pela primeira vez no final dos anos 70 pela psicóloga Pauline Clance, da Universidade do Estado da Geórgia, em Atlanta. Segundo ela, os pacientes que apresentavam essa manifestação têm uma dolorosa consciência de suas fraquezas. Ao mesmo tempo, tendem a supervalorizar a capacidade e os pontos fortes dos outros - e sempre se consideram em desvantagem. Não é de admirar que essas pessoas tenham baixa autoestima.

Clance já supunha que principalmente as mulheres eram sucetíveis a esse tipo de funcionamento psíquico. Em um estudo recente, realizada na Universidade de Heidelberg, Alemanha, Christiane Roth examinou, junto comigo, a disseminação da síndrome do impostor entre estudantes de psicologia. Como se trata de um curso com vagas limitadas e bastante concorrido, a maioria dos estudantes havia sido muito bem-sucedida na escola - eles preenchem, portanto, uma importante condição para o fenômeno do impostor. E, de fato, a porcentagem de mulheres dentro dogrupo que relatou ter esse tipo de pensamento autopersecutório era evidentemente mais alta do que entre os estudantes sem esse peso na consciência.

Vários outros estudos apoiam essa constatação. A suposição leva a crer que o fenômeno também contribui para o fato de as mulheres ainda estarem raramente representadas em posições de ponta em sua vida profissional. Apesar de as meninas terem, em média, melhores notas escolares e completarem os estudos universitários com frequência bastante aproximada à de seus colegas do sexo masculino, aparentemente o sucesso parece imerecido para muitas delas. O tema, entretanto, ainda é controverso.

Mas como é possível que pessoas que sempre conseguem ter bons desempenhos, muitas vezes até acima da média, não acreditem em sua capacidade? Os sentimentos associados à síndrome do imostor são provavelmente tão perseverantes porque se estabilizam em um círculo vicioso psíquico. Para que a "fraude não seja revelada" em uma situação que dependa do deesempenho, como, por exemplo, uma prova, as pessoas adotam uma entre duas estratégias: "
overdoing" (fazer demais) ou "underdoing" (fazer de menos). No primeiro caso, se preparam de forma exageradamente longa e intensiva para uma situação onde seu desempenho será avaliado. Com isso, elevam a probabilidade de obterem um bom resultado. E, se isso ocorre - e geralmente ocorre - atribuem o sucesso não a sua capacidade, mas ao grande esforço. Ao mesmo tempo, têm consciência de que não poderão sempre empenhar-se, o que reforça o medo de não conseguir o resultado semelhante no futuro.