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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Para manter as aparências

Passar pelos chamados sonhos de consumo sem ceder a eles pode evitar dívidas, ganho de peso desnecessário e sensação de impotência


por Daisy Grewal
30 de julho de 2012
Revista Mente&Cérebro




Em algum momento, todos ansiamos por nos sentir importantes, poderosos e populares. O desejo por prestígio é um dos aspectos mais essenciais na orientação do comportamento humano – o lugar que ocupamos na escada social pode determinar, entre outras coisas, com quem nos casaremos e quanto tempo viveremos, por exemplo. No entanto, pesquisas recentes sugerem que algumas tentativas para subir na hierarquia social podem ter o efeito contrário em relação ao esperado: certas atitudes, como ostentar grifes ou comer nos restaurantes mais caros para elevar a autoestima, podem melhorar o ânimo por um curto período, mas, a longo prazo, aumentam os riscos de permanecer em uma posição social desprivilegiada.

Os sentimentos de impotência diante das demandas de consumo e a falta de influência no meio em que vivem podem levar pessoas com baixa autoestima a pagar mais por produtos e serviços e até a comer mais. A médio e longo prazo, a insistência nessa atitude é capaz de torná-las mais pobres, menos atrativas e rebaixar sua posição social em vez de fazê-la crescer. Saber como e quando essas questões influenciam nossas decisões pode ajudar a quebrar o círculo vicioso.

Em um estudo feito em 2008, os psicólogos Derek Rucker e Adam Galinsky, da Universidade Northwestern, descobriram que  interferir no sentimento das pessoas quanto à sua posição social pode alterar o valor que elas estão dispostas a pagar por produtos. Os pesquisadores pediram a parte dos participantes do estudo que escrevessem sobre as vezes em que se sentiram poderosos e aos demais que discorressem sobre as ocasiões nas quais experimentaram a sensação de impotência diante de uma situação. Em seguida, perguntaram a todos quanto estariam dispostos a pagar por alguns produtos. Aqueles que haviam escrito sobre se sentir incapazes de agir ofereceram valores significativamente maiores por itens de luxo. Conclusão: o desejo de uma solução rápida para sentimentos de frustração tem o poder de colocar os indivíduos que não se sentem influentes em maior risco de acumular dívidas ou, pelo menos, de fazer alguns investimentos questionáveis.

Além de esvaziar nossa carteira, a sensação de inferioridade pode nos fazer ganhar peso. Para chegarem a essa conclusão, o professor de marketing David Dubois, também da Universidade Northwestern, e seus colegas desenvolveram uma técnica: instruíam metade dos participantes a se imaginar como um profissional de alto escalão, com possibilidade de fazer escolhas, e outra parte como um empregado humilde, sem poder de decisão. Em seguida, eles pediram que escolhessem entre um recipiente pequeno e  um grande, nos quais seria servida a mesma quantidade de comida – um pedaço de pizza ou um milk-shake.

Os “funcionários humildes” escolheram os recipientes maiores na maioria das vezes, em relação àqueles que se imaginaram como “patrões”, embora a quantidade de comida fosse a mesma em ambos os casos. Os pesquisadores concluíram que “grandes coisas” podem sinalizar um status mais elevado, o que faz com que as pessoas que se sentem impotentes tendam a comprar produtos com embalagens maiores. Naturalmente, as calorias adicionais contidas nesses pacotes também terão consequências na vida real. De qualquer forma, um dos efeitos colaterais da compra de mais alimento será o ganho de peso – o que, é claro, pode afetar não só a saúde, mas também a maneira como os outros nos veem.

Quando estamos atormentados por sentimentos dolorosos devido ao baixo reconhecimento social, nosso julgamento pode se tornar obscurecido. Podemos focar tanto em como ser mais feliz no momento que nos esquecemos de prestar atenção em como nosso comportamento irá nos afetar a longo prazo. A ligação entre o poder e o tamanho da porção pode explicar, pelo menos em parte, por que a obesidade tem aumentado mais rapidamente entre os americanos mais pobres.

A boa notícia é que manipular o que sinaliza um status social desejado pode orientar as pessoas a fazer melhores escolhas. Quando Dubois e seus colegas alertaram os participantes que a escolha de porções maiores estava relacionada à tentativa de ter maior prestígio social, eles escolheram quantidades menores. Basta estar consciente de que seu comportamento pode estar sob influência de sentimentos de inferioridade para melhorar seu julgamento diante das escolhas.

Por isso, quando você estiver na fila de uma lanchonete, planejando comprar a batata frita tamanho gigante ou aquele refrigerante extra, reflita sobre seu estado emocional. Se alguma coisa o fez se sentir inferiorizado, é provável que você “queira” o tamanho grande por outras razões que não a fome. Tomar consciência das próprias motivações também é útil quando vamos ao supermercado. Se os sentimentos de insegurança estão em alta, seria mais adequado voltar às compras mais tarde, quando se sentir mais confiante. E, assim, ainda fazer um bom negócio.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

QI e Inteligência Emocional: Tipos Puros_2/2


Do livro: Inteligência Emocional – Daniel Goleman, PhD – Editora Objetiva – pg. 56/58

As mulheres de alto QI puro têm a esperada confiança intelectual, são fluentes no expressar suas ideias, valorizam questões intelectuais e têm uma ampla gama de interesses intelectuais e estéticos. Também tendem a ser introspectivas, inclinadas à ansiedade, à ruminação e à culpa, e hesitam em exprimir sua raiva abertamente (embora o façam de maneira indireta).

As mulheres emocionalmente inteligentes, em contraste, tendem a ser assertivas e expressam suas ideias de um modo direto, e sentem-se positivas em relação a si mesmas; para elas, a vida tem sentido. Como os homens, são comunicativas e gregárias e expressam de modo adequado os seus sentimentos (não, digamos, em ataques de que depois se arrependem): adaptam-se bem à tensão . O equilíbrio social delas permite-lhes ir até os outros. Sentem-se suficientemente à vontade consigo mesmas para ser brincalhonas, espontâneas e abertas à experiência sexual . Ao contrário das mulheres de puro alto QI, raramente sentem ansiedade ou culpa, e tampouco mergulham em ruminações.

Esses perfis, claro, são extremos - todos nós mesclamos QI e inteligência emocional em graus variados. Mas oferecem uma perspectiva instrutiva do que cada uma dessas dimensões acrescenta, separadamente, às qualidades de uma pessoa. Na medida em que a pessoa tem tanto inteligência cognitiva quanto emocional, essas imagens de fundem. Ainda assim, das duas, é a inteligência que contribui com um número muito maior das qualidades que nos tornam mais plenamente humanos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

QI e Inteligência Emocional: Tipos Puros_1/2


Do livro: Inteligência Emocional – Daniel Goleman, PhD – Editora Objetiva – pg. 56/58

O QI e a Inteligência Emocional não são capacidades opostas, mas distintas. Todos nós misturamos acuidade intelectual e emocional: as pessoas de alto QI e baixa inteligência emocional (ou baixo QI e alta inteligência emocional) são, apesar dos estereótipos, relativamente raras. Na verdade, há uma ligeira correlação entre o QI e alguns aspectos da inteligência emocional – embora bastante pequena para deixar claro que se trata de duas entidades bastante independentes.

Ao contrário dos testes conhecidos de QI, não há ainda nenhum formulário único de teste com papel e lápis que produza “uma contagem de inteligência emocional”, e talvez jamais venha a haver. Embora seja ampla a pesquisa sobe cada um de seus componentes., alguns deles, como a empatia, são mais bem testados pela amostragem da aptidão de fato de uma pessoa na tarefa – por exemplo, mandá-la ler os sentimentos de uma pessoa num vídeo de expressões faciais. Entretanto, usando uma mediação do que chama de “maleabilidade do ego”, que se assemelha bastante à inteligência emocional (inclui as principais aptidões sociais e emocionais), Jack Block, psicólogo na Universidade da Califórnia, em Berkeley, fez uma comparação dos dois tipos teóricos puros de pessoas de alto QI versus pessoas de altas aptidões emocionais. As diferenças são reveladoras.

O tipo alto QI puro (isto é, separado da inteligência emocional) é quase uma caricatura do intelectual, capaz no domínio da mente mas inepto no mundo pessoal .Os perfis diferem ligeiramente para homens e mulheres. O home de alto QI é tipificado – o que não surpreende – por uma ampla gama de interesses e capacidades. É ambicioso e produtivo, previsível e obstinado, e condescendente, fastidioso e inibido , pouco à vontade com a sexualidade e a experiência sensual , inexpressivo e desligado, e emocionalmente frio.

Em contraste, os homens de alta inteligência emocional são socialmente equilibrados, comunicativos e animados, não inclinados a receios ou ruminações preocupadas. Têm uma notável capacidade de engajamento com pessoas ou causas, de assumir responsabilidades e ter uma visão ética; são solidários e atenciosos em seus relacionamentos. Têm uma vida emocional rica mais correta, sentem-se à vontade consigo mesmos, e com os outros e com o universo social em que vivem.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Recomendo_O Poder do Agora



Editora: Sextante

Autor: Eckhart Tolle

ISBN: 85-7542-027-5

Ano: 2002

Número de páginas: 224




O Livro, O Poder do Agora aponta a grande importância, do momento Presente, o Agora, o único momento em que algo pode ser feito.

Nós passamos a maior parte de nossas vidas pensando no passado e fazendo planos para o futuro. Ignoramos ou negamos o presente e adiamos nossas conquistas para algum dia distante, quando conseguimos tudo o que desejamos e seremos, finalmente felizes.

Mas se queremos realmente mudar nossas vidas, precisamos começar neste momento. Essa é a mensagem simples, mas transformadora de Eckhart Tolle: viver no Agora é o melhor caminho para a felicidade e a iluminação.

Assim como, a Gestalt-Terapia, dá ênfase à tomada de consciência da experiência atual (“o aqui e agora”, que inclui o ressurgimento eventual de uma vivência antiga) e reabilita a percepção emocional e corporal, ainda muito censurada na cultura ocidental, que coíbe severamente a expressão pública da cólera, da tristeza, da angústia ... mas também da ternura, do amor ou da alegria (vide postagem dia 16/09/2009, aqui).


Veja este trecho do livro:

Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do Agora? A resposta é óbvia, não é mesmo?

Nada jamais aconteceu no passado, aconteceu no Agora.
Nada jamais irá acontecer no futuro, acontecerá no Agora.

O que consideramos como passado é um traço da memória, armazenado na mente, de um Agora anterior. Quando lembramos do passado, reativamos um traço da memória e fazemos isso agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente. Quando o futuro acontece, acontece como sendo o Agora…

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_11/11

PROTEGENDO SEU FILHO CONTRA OS EFEITOS

NEGATIVOS DOS CONFLITOS CONJUGAIS


Se a criança nunca vê um adulto com quem ela convive se irritar, discutir e resolver suas diferenças com outro adulto, está perdendo lições importantís-simas que podem desenvolver a inteligência emocional.

A chave de tudo é os pais administrarem seu conflito conjugal para torná-lo um exemplo mais positivo do que prejudicial para a criança.

Evite os quatro cavaleiros do apocalipse

Quando o ambiente da criança está contaminado pela atitude crítica, desdenhosa, defensiva e obstrutiva dos pais, a criança fica mais exposta aos efeitos perversos do conflito conjugal.

Cavaleiro nº 1 – Crítica. São os comentários negativos sobre a personalidade do parceiro, em geral num tom que atribui culpa.

Cavaleiro nº 2 – Desdém. É semelhante à crítica, porém vai mais longe. Um cônjuge que desdenha do outro na verdade, tem a intenção de insultá-lo ou feri-lo psicologicamente.

Cavaleiro nº 3 – Atitude defensiva. Quando o marido ou a mulher se sente alvo de desdém, é natural que assuma uma atitude defensiva. Porém, esta é uma atitude muito prejudicial ao casamento, porque os cônjuges não escutam um ao outro, quando acham que estão sendo atacados.

Cavaleiro nº 4 – Obstrucionismo. Se os parceiros não conseguem chegar a uma trégua – e se continuam deixando a crítica, o desdém e a atitude defensiva comandar a relação – estão fadados a conhecer o obstrucionismo. Isso acontece quando um cônjuge se fecha porque a conversa ficou demasiado intensa. Em essência, ele vira uma “parede”, sem dar qualquer indicação de estar ouvindo ou compreendendo o que diz o outro.

Administre seu conflito conjugal

Não use o seu filho como arma em seus conflitos conjugais. Talvez por se sentirem como é precioso o relacionamento que têm com os filhos, o marido e a mulher com raiva um do outro, às vezes sentem-se tentados a “usar” esse relacionamento para se ferir mutuamente. O pai pode tentar limitar o acesso da mãe aos filhos, ou vice-versa. Essa técnica é particularmente comum entre mães que se sentem traídas e impotentes, que acham que o acesso aos filhos é o único poder de barganha que lhes restou da relação conjugal. O problema aumenta quando o pai que não tem a custódia deixa de sustentar os filhos, o que faz que a mãe sinta-se mais ainda no direito de impedir que ele veja os filhos.

A maioria das crianças precisa de apoio tanto do pai quanto da mãe, sobretudo quando obrigadas a viver no fogo cruzado entre ambos. Quando os pais tentam usar a criança para se agredir mutuamente, é a criança quem sai perdendo.

Crie redes de apoio emocional para seus filhos. Quando o casamento dos pais está numa fase muito conturbada, não é incomum os filhos mais velhos – sobretudo adolescentes – desligarem-se da família e irem procurar apoio emocional fora de casa. Podem começar a passar mais tempo com os colegas ou com um hobby. Podem adotar a família de um amigo ou parente que não tenha tantos problemas. É triste ver a criança afastar-se de sua família, mas esse afastamento, às vezes, é um mecanismo positivo para ajudá-la a enfrentar a situação, desde que as pessoas e as atividades que ela escolher sejam influências positivas em sua vida.

Use o treinamento da emoção na discussão dos problemas conjugais. Se há uma hora para falar com os filhos sobre o que eles sentem, é quando irrompe uma crise conjugal. Pode ser difícil para um pai ou uma mãe já tristes ou irritados por causa de problemas conjugais encontrarem energia emocional para conversar com os filhos a respeito, mas é bem provável que os filhos também estejam mal e precisem de uma orientação sobre como lidar com essas emoções.

Reserve algum tempo quando estiver relativamente calmo para conversar com seu filho sobre como ele está reagindo à tensão doméstica. Você pode começar dizendo algo como: “Vi que você ficou quietinho e foi para o quarto quando seu pai e eu estávamos discutindo. Fiquei pensando se essa nossa discussão deixou você nervoso”. Estimule seu filho a falar na tristeza, no medo ou na raiva que ele esteja sentindo. Ouça-o com empatia e ajude-o a rotular as emoções.


O PAPEL CRUCIAL DO PAI


Os psicólogos há muito sustentam que o envolvimento do pai na educação dos filhos é importante. Surgem cada vez mais evidências indicando que os pais envolvidos – e sobretudo aqueles com disponibilidade emocional para os filhos – dão uma contribuição toda especial para o bem-estar dos filhos. Os pais podem influenciar os filhos de algumas maneiras que as mães não conseguem, especialmente no que diz respeito ao relacionamento da criança com os colegas e seu desempenho na escola. Pesquisas indicam, por exemplo, que meninos com pais ausentes têm mais dificuldade de encontrar o equilíbrio entre a afirmação da masculinidade e o autocontrole.

A presença positiva de um pai também pode ser fator significativo nos desempenhos acadêmico e profissional da menina, embora aqui a evidência do pai seja mais ambígua. Porém, fica óbvio que as meninas cujos pais são presentes e interessados, são menos propensas a estabelecer relacionamentos saudáveis com os homens quando se tornam adultas.

A vida da criança é altamente enriquecida quando há um pai emocionalmente presente, legitimador e capaz de confortá-la quando ela está triste. Do mesmo modo, a criança pode ser profundamente prejudicada quando o pai é abusivo, excessivamente crítico ou emocionalmente frio.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_10/11

CASAMENTO, DIVÓRCIO E A SAÚDE EMOCIONAL DE SEU FILHO


Peça a quem teve pais malcasados para descrever suas memórias infantis e provavelmente você vai ouvir histórias tristes, confusas, amargas, cheias de falsas esperanças. Uns talvez se lembrem de como foi doloroso e desorientador ver os pais se divorciarem. Outros talvez tenham tido pais do tipo estóico, daqueles que, apesar de infelicíssimos no casamento, decidem ficar juntos por “causa dos filhos”. Aí, você pode ficar sabendo o sofrimento que foi para um jovem ver as duas pessoas mais importantes para ele, e que ele mais amava, viverem às turras.

Pouco importa que o casal seja casado, separado ou divorciado. Quando os pais vivem se tratando com hostilidade e desprezo, os filhos sofrem. Porque o clima de um casamento – ou divórcio – cria uma espécie de “ecologia emocional” para os filhos. Assim como uma árvore é afetada pela qualidade do ar, da água e do solo em seu meio ambiente, a saúde emocional da criança é determinada pela qualidade dos relacionamentos íntimos que a cercam. O relacionamento conjugal dos pais influencia a atitude dos filhos e suas realizações, sua capacidade de se relacionar e de regular suas emoções. Em geral, quando os pais se dão bem, a inteligência emocional dos filhos desabrocha. Mas os filhos que constantemente presenciam as desavenças dos pais correm graves riscos.

Como os conflitos conjugais e o divórcio podem prejudicar os filhos

Os filhos de pais cujo relacionamento se caracteriza por uma atitude crítica, defensiva e desdenhosa, estão mais sujeitos a manifestar comportamento anti-social e agressivo para com os colegas. Têm mais dificuldade de regular as emoções, de concentrar-se e de acalmar-se quando aflitos.

No início da adolescência, muitos filhos de casamentos desfeitos já estão envolvidos em toda a sorte de complicações juvenis, entre elas, queda do rendimento escolar, vida sexual precoce, abuso de substâncias e delinqüência. Também há alguns indícios, embora não tão fortes, de que os filhos de casamentos conflituosos e de pais divorciados, são mais depressivos, ansiosos e retraídos.

É indiscutível que os filhos ficam aflitos quando vêem os pais brigando. Estudos mostraram que até mesmo crianças pequenas reagem à discussão dos adultos com alterações fisiológicas como aceleração do ritmo cardíaco e elevação da pressão arterial.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_9/11

Dê força a seu filho oferecendo opções, respeitando desejos

Os adultos facilmente esquecem como a criança pode sentir-se impotente. Mas se olhar as coisas da perspectiva dela, você pode ver como a sociedade enfatiza a exigência de fazer a criança obedecer e colaborar. As crianças costumam ter muito pouco controle sobre sua rotina. Bebês sonolentos são arrancados do berço e levados para a creche. Crianças correm para formar filas quando toca a sineta mo pátio da escola. Pais estabelecem regras do tipo: “só come sobremesa se não deixar nada no prato” ou “você não vai sair com essa roupa”. E tem a clássica: “Porque eu estou dizendo”. Você se imagina falando assim com seu marido ou com seus amigos?

A criança precisa treinar pesar os prós e os contras de uma situação, encontrar soluções. Precisa ver o que acontece quando escolhe de acordo com o sistema de valores de sua família e o que acontece quando decide ignorar esses valores. Essas lições podem às vezes ser dolorosas mas, com o treinamento da emoção, podem também ser uma ótima oportunidade para os pais oferecerem orientação.

Os pais podem ficar sabendo que quanto mais cedo a criança aprender a expressar suas preferências e escolher, melhor. Na adolescência, quando há mais liberdade, mas também mais riscos, a falta de responsabilidade pode ser um perigo muito maior.

Deixar a criança escolher, além de lhe dar responsabilidade, ajuda-a a adquirir auto-estima.

Seja honesto com seu filho

Parece que as crianças têm um sexto sentido para saber quando os pais – sobretudo o pai – estão dizendo a verdade. Portanto, preparação emocional deve ser mais do que a repetição vazia de frases como “Compreendo”, ou “Isso também me deixaria uma fera”. Você pode estar dizendo a coisa certa, mas se lhe faltar convicção, não vai se aproximar de seu filho. Na verdade, a falsidade pode desacreditá-lo perante ele, e isso pode prejudicar o relacionamento de vocês.

Leia livros infantis com seus filhos

Da infância até a adolescência, pais e filhos podem aprender muito sobre a emoção com a boa literatura infantil. As histórias podem ajudar a criança a desenvolver um vocabulário para falar sobre os sentimentos e ilustrar as várias formas como as pessoas lidam com a raiva, o medo e a tristeza.

Os livros adequados podem até dar aos pais um meio de falar sobre temas que eles tenham dificuldade em abordar, como “de onde vêm os bebês” e “o que aconteceu com o vovô, quando ele morreu”.

Seja paciente

Para ser um bom preparador emocional, você precisa ter paciência para deixar a criança levar o tempo que for necessário para dizer o que sente. Se seu filho está triste, ele pode chorar. Se estiver irritado, pode bater o pé. Você pode achar desagradável perder tempo com uma criança nesse estado. Pode achar que já tem problemas de sobra. Mas é bom lembrar que o objetivo do treinamento da emoção é explorar e compreender as emoções, não eliminá-las.

Compreenda a base de seu poder enquanto pai ou mãe

Por “base de poder” entendo o elemento da relação entre pais e filhos que permite aos pais imporem limites aos filhos – uma coisa que toda criança quer e é necessário. Para alguns pais, a base de poder pode ser a ameaça, a humilhação ou o castigo físico. Outros, excessivamente permissivos, podem sentir que não têm nenhuma base de poder. Para os preparadores emocionais, a base de poder é o elo que existe entre eles e os filhos.

Para trabalhar as mudanças necessárias é bom ter em mente duas máximas de Haim Ginott: todos os sentimentos são permissíveis, mas nem todos os comportamentos o são e a relação pais e filhos é democrática. Cabe aos pais determinar quais os comportamentos permissíveis.

Acredite na natureza positiva do desenvolvimento humano

Quanto mais se aprende sobre criança, mais se acredita que o curso natural do desenvolvimento humano é uma força espantosamente positiva. Com isso quer se dizer que o cérebro infantil é naturalmente programado para procurar segurança e amor, conhecimento e compreensão. Seu filho deseja ser afetuoso e altruísta. Deseja explorar o que o cerca, descobrir o que causa o raio, como é o cachorro por dentro. Quer saber o que é certo e bom, o que é errado e mau. Quer conhecer os perigos do mundo e como evitá-los. Quer muito acertar, ficar cada vez mais forte e capaz. Seu filho quer ser o tipo de pessoa que você vá admirar e amar.

Quando houver platéia

É difícil ganhar a intimidade e a confiança de seu filho se vocês não têm um tempo só para vocês. Por isso é recomendável que o treinamento da emoção seja feito em particular e não diante dos demais membros da família, de amigos ou estranhos. Assim, evita-se o constrangimento e ambos têm mais liberdade para ser sinceros sem se preocupar com o que os outros vão achar daquela cena.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_8/11

Faça mentalmente um mapa da vida de seu filho

A criança nem sempre sabe expressar as emoções. Seu filho pode um dia amanhecer agoniado, mas não conseguir dizer o que está sentindo nem por que está daquele jeito. Quando isso acontece, é bom estar bem informado sobre as pessoas e os lugares que ele freqüenta e o que acontece em sua vida. Assim, você estará mais apto a explorar o que pode estar deixando o seu filho daquele jeito e ajudá-lo a rotular seus sentimentos. Você também estará demonstrando que dá importância ao mundo dele e isso pode servir para aproximá-lo de você.

Essa base de conhecimento pode ser como um mapa que os pais conscientemente se esforçam para ter em mente. Considerando esse mapa, um pai ou uma mãe pode dizer: “O mundo do meu filho é este, e as pessoas que povoam esse mundo são estas”. Sei como se chamam e como elas são. Sei o que meu filho sente por cada uma. Esses daqui são os maiores amigos do meu filho e aquele é o inimigo. Meu filho gosta desta professora, acha o preparador divertido, mas aquela professora o intimida. As linhas gerais da escola dele são estas. Sei onde ele se sente melhor e sei quais são os perigos que ele sente que tem de enfrentar aí. O horário dele é este. Ele gosta de tais e tais matérias, em tem dificuldades em tais e tais.

Evite ficar do lado do inimigo

Ao sentir que foi maltratada, a criança pode recorrer aos pais em busca de lealdade, compaixão e apoio. Esta é uma boa oportunidade para os pais agirem como preparadores emocionais, desde que não incorram no erro de “ficar do lado do inimigo”. Isso, naturalmente é tentador, especialmente quando os pais pendem naturalmente para o lado das autoridades mesmas de quem os filhos provavelmente se queixam – figuras como professores, preparadores, patrões ou pais de outras crianças.

Não tente impor as suas soluções aos problemas de seu filho

Uma das maneiras mais rápidas de estragar a preparação emocional é dizer a uma criança que esteja triste ou irritada como você resolveria aquele problema. Para entender por quê, transponha essa malfadada dinâmica para uma situação comum entre um casal. A mulher chega do escritório angustiada porque discutiu com uma colega de trabalho. O marido analisa o problema e, em poucos minutos, traça um plano para resolver o caso. Mas, em vez de sentir-se grata pelo conselho, a mulher sente-se mais angustiada. Porque o marido não lhe deu nenhuma indicação de que compreende o quanto ela está triste e irritada e frustrada. Apenas demonstrou com que simplicidade aquilo tudo pode se resolver. Para ela, isso pode deixar implicado que ela não é muito brilhante, ao contrário, teria pensado naquela solução.

Imagine como a mulher iria sentir-se melhor se, em vez de ir logo lhe dizendo o que fazer, o marido lhe fizesse um carinho. E, enquanto isso, ficasse apenas ouvindo-a expor o problema – e seus sentimentos a respeito – detalhadamente. Depois, ela começaria a formular suas próprias soluções. Em seguida, por já estar àquela altura confiando no marido (e sentindo-se ótima com aquele carinho), ela lhe pediria uma opinião. No fim, o marido tem uma oportunidade de dar um conselho e a mulher tem uma solução que ela pode ouvir. Em vez de sentir-se diminuída, ela sente-se fortalecida e apoiada pelo marido.

É assim que a coisa funciona também entre pais e filhos. Os pais podem ficar frustrados com a má vontade com que os filhos ouvem os conselhos não solicitados – especialmente levando em conta o quanto eles podem transmitir aos filhos em termos de sabedoria e experiência. Mas em geral, não é assim que as crianças aprendem. Propor soluções antes de mostrar empatia pela criança é o mesmo que construir a estrutura de uma casa antes das fundações.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_7/11

ESTRATÉGIAS DE PREPARAÇÃO EMOCIONAL


Não seja excessivamente crítico com a criança, não a humilhe nem caçoe dela

A depreciação prejudica a comunicação entre pais e filhos e a auto-estima da criança.

Educação negativa e desmerecedora tanto pode ser observada no mundo real quanto em laboratório. Pais bem-intencionados acabam minando a auto-confiança dos filhos de tanto corrigir seus modos, ridicularizar seus erros e intervir desnecessariamente, impedindo que a criança execute as tarefas mais simples. Levianamente rotulam os filhos com epítetos que colam na auto-imagem da criança.

Os pais fiquem atentos aos hábitos insidiosos da crítica, do sarcasmo e do menosprezo. Cuidado para não ridicularizarem seus filhos. Dêem-lhes mais espaço à medida em que procuram adquirir novas aptidões, mesmo que isso signifique deixá-los cometer alguns erros. Evitem rotular os defeitos. Especifiquem as ações e não um comportamento caricatural.

Use a técnica do “andaime” e do elogio para preparar seu filho

O “andaime” é uma técnica didática que observamos ser usada com sucesso por famílias com preparo emocional. Primeiro, falam baixo, com calma, dando aos filhos as informações necessárias para iniciar o jogo. Depois, esperam a criança acertar e a elogiam especificamente (apenas especificamente) pelo que ela fez certo.

Esqueça o seu “programa educativo”

Embora os momentos de emotividade sejam grandes oportunidades de identificação, união e estímulo, às vezes são um verdadeiro desafio para os pais que possum um “programa educativo” – isto é, uma meta baseada em algum problema que o pai ou a mãe julga estar sendo prejudicial à criança. Esses programas costumam estar associados ao desenvolvimento de qualidades tais como coragem, parcimônia, bondade e disciplina. Podem variar conforme a criança. Os pais podem achar um filho excessivamente seguro e outro excessivamente tímido.

Embora algumas crianças sejam consideradas preguiçosas ou indisciplinadas, outras são sérias demais, carecendo de espontaneidade e senso de humor. Independentemente do problema em questão, esses programas fazem que os pais vivam atentos ao comportamento do filho, sempre desejando corrigi-lo. Quando surgem conflitos ligados a questões programáticas, os pais vigilantes sentem-se na obrigação moral de deixar claro seu ponto de vista: “Com essa sua cabeça-de-vento, você tornou a esquecer de dar comida para o gato e isso é uma maldade.”; “Com essa sua impulsividade, você gastou parte da sua poupança para a faculdade comprando ingressos para concerto e isso é uma idiotice”.

Para chegar à emoção que gera a má conduta, é melhor evitar perguntas do tipo: “Por que você fez isso?” Essa pergunta soa como acusação ou crítica. É mais provável a criança responder na defensiva do que com alguma informação útil. Tente, então, perguntar com interesse o que ela estava sentindo quando agiu mal.

Para conseguir entrar em contato com o filho, a mãe precisa deixar de lado seu programa de longo prazo para tornar o menino menos “teimoso”, mais dócil. Em geral, os pais reagem à má conduta dos filhos exatamente como não devem. Às vezes, censuram a criança por qualquer defeito, rotulando-as como sendo supersensível, agressiva demais, tímida de mais, desmiolada. Esses rótulos cortam a empatia. Também são destrutivos porque a criança, infelizmente, primeiro vai acreditar nos pais, para depois tentar realizar o que eles disseram, como se aquilo fosse uma profecia divina.

Nenhum pai quer que seu filho fique preguiçoso, retraído, agressivo, burro, covarde, mentiroso. Mas também não é conveniente usar esses defeitos para defini-los. Como esse tipo de rotulação negativa pode ser evitada? A resposta é: evitando críticas aos defeitos da criança. Quando corrigir a criança, focalizar o que está acontecendo com ela naquele momento específico. Em vez de dizer: “Você é descuidada e bagunceira”, diga “Tem brinquedo espalhado pelo quarto inteiro”. Em vez de “Você lê muito devagar”, diga “Se você ler todo dia meia hora antes de dormir, vai começar a ler mais rápido”. Em vez de “Não seja tão tímida”, diga “Se você falar mais alto, o garçon vai ouvir”.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_6/11

PASSO Nº 2 – Reconhecendo a emoção como uma oportunidade de intimidade e orientação

Para muitos pais, ver nas emoções negativas da criança uma oportunidade de união e orientação é um alívio, um desafogo, um grande “ufa”. A cólera da criança deixa de ser um sinal de rebeldia. Seus medos deixam de apontar para a nossa incompetência enquanto pais. E sua tristeza deixa de ser simplesmente “mais uma coisa infernal que vou ter que resolver hoje”.

PASSO Nº 3 – Ouvindo com empatia e legitimando os sentimentos da criança

Quando começa a perceber oportunidades de se aproximar de seu filho e ensiná-lo a buscar soluções para os problemas, você está pronto para dar o passo talvez mais importante do processo de preparação emocional: ouvir com empatia.

Ouvintes dotados de empatia usam os olhos para detectar sinais físicos das emoções de seus filhos. Usam a imaginação para ver a situação da perspectiva da criança. Usam as palavras para traduzir, de forma tranqüilizadora e acrítica o que estão ouvindo e para ajudar a criança a nomear suas emoções. Mas o que é mais importante, usam o coração para sentir verdadeiramente o que a criança está sentindo.

Para entrar em sintonia com as emoções de seu filho, você precisa prestar atenção à linguagem corporal, às expressões faciais e aos gestos dele. Naturalmente você já conhece aquela testa franzida, aquela boca contraída, aquele sapateado. O que isso lhe diz sobre o que ele está sentindo? Preste atenção para que seu filho também possa ler sua linguagem corporal. Se o seu objetivo é falar de uma maneira descontraída e atenciosa, assuma uma postura que traduza isso. Sente-se ao mesmo nível que ele, respire fundo, relaxe e concentre-se. Sua atenção mostrará a seu filho que você o leva a sério e está disposto a perder algum tempo com os problemas dele.

PASSO Nº 4 – Nomear e verbalizar as emoções

Uma etapa difícil e extremamente importante no trabalho de preparação emocional é ajudar a criança a ir nomeando as emoções que vai sentindo. Pode-se usar uma série de rótulos para ajudar a criança a definir o seu problema como “tensa”, “preocupada”, “magoada”, “furiosa”, “triste” e com “medo”. Fornecer as palavras dessa maneira pode ajudar a criança a transformar um sentimento amorfo, assustador e incômodo em algo definível, enquadrado e que faz parte da vida. Raiva, tristeza e medo tornam-se experiências que todo mundo tem e com as quais todo mundo é capaz de lidar.

Nomear as emoções e demonstrar empatia são coisas que andam juntas. Um pai vê o filho chorando e diz: “Você está muito triste, não está?” Ora, não só o filho compreendeu como também tem uma palavra para descrever aquele sentimento intenso.

Estudos indicam que o ato de rotular as emoções pode ter um efeito calmante sobre o sistema nervoso, ajudando a criança a se recuperar mais rápido de incidentes desagradáveis. Embora não saibamos ao certo como se dá esse efeito calmante, a teoria diz que falar sobre uma emoção na hora em que a estamos sentindo ocupa o hemisfério esquerdo do cérebro, que é o centro da linguagem e da lógica. Isso, por sua vez, pode ajudar a criança a se concentrar e a se acalmar. Ensinar a criança a se acalmar traz enormes mudanças. A criança capaz de se acalmar sozinha desde cedo revela vários sinais de inteligência emocional: tem mais capacidade de concentração, relaciona-se melhor com os colegas, tem melhor desempenho acadêmico e é mais saudável.

Quanto maior a precisão com que a criança expressar seus sentimentos, melhor. Portanto, veja se pode ajudá-la a dizer exatamente como se sente. Se estiver irritada, por exemplo, ela pode também estar frustrada, furiosa, confusa, enciumada ou sentindo-se traída. Se estiver triste, pode estar sentindo-se magoada, abandonada, enciumada, vazia, deprimida.

PASSO Nº 5 – Impondo limites e ajudando a criança a encontrar soluções

Depois de ter perdido tempo ouvindo uma criança e ajudando-a a rotular e compreender o que sente, provavelmente você entrará naturalmente no processo de solucionar os problemas. Esse processo pode ter também cinco etapas: 1) Impor limites; 2) Identificar objetivos; 3) Procurar possíveis soluções; 4) Avaliar propostas de soluções baseadas nos valores de sua família; 5) Ajudar a criança a escolher uma solução.

  1. Impor limites

    É importante a criança entender que seus sentimentos não são o problema, seu mau comportamento é que é. Todos os sentimentos e todos os desejos são aceitáveis, mas nem todos os comportamentos o são. Portanto, tem-se que impor limites aos atos e não aos desejos.

    Isso faz sentido quando você considera que não é fácil para a criança mudar como ela se sente diante de determinada situação. Sua tristeza, seu medo ou sua raiva não desaparecem apenas porque a mãe diz: “Pare de chorar”, ou “Você não deveria estar se sentindo assim”. Dizer a uma criança como ela deve sentir-se só a faz desconfiar do que ela sente, o que a deixa insegura e a faz perder a auto-estima. Por outro lado, se dizemos à criança que ela tem o direito de sentir – mas pode ser que haja formas mais adequadas de expressar o que sente – ela fica com o caráter e a auto-estima intactos. E fica sabendo que tem a seu lado um adulto compreensivo para ajudá-la a deixar de se sentir arrasada e encontrar uma solução.

    Os pais devem estabelecer regras para os filhos baseados nos seus próprios valores, embora devam aceitar que a criança seja criança. Excesso de permissividade, por outro lado, é aceitar atos indesejáveis, tais como comportamento destrutivo. Deve-se evitar o excesso de permissividade por ser algo que “causa ansiedade e faz que, cada vez mais, a criança exija privilégios que não podem ser concedidos”.

    Ao impor limites de comportamento, os pais devem informar a criança sobre as conseqüências da transgressão. Bater também ensina, por exemplo, que a agressão é um meio apropriado de conseguir o que se quer. Estudos mostram que as crianças que apanham têm mais tendência a bater nos colegas, especialmente nos menores e mais fracos. Bater também pode trazer conseqüência a longo prazo. Pesquisas indicam que as crianças tornam-se tanto mais agressivas quanto mais severamente tenham sido castigadas fisicamente. Na adolescência, têm mais probabilidade de ser violentas e tolerar a violência de seus relacionamentos. E, finalmente, as pessoas que recebem castigos físicos na infância têm menos propensão a cuidar dos pais idosos.


  1. Identificar objetivos

    Depois de ter ouvido a criança com empatia, rotulado sentimentos e definido o que ele não pode fazer, o próximo passo deve ser identificar objetivos associados à solução de problemas. Se não lhe parecer lógica esta ordem, você pode estar se apressando.


  1. Procurar possíveis soluções

    Trabalhe junto com a criança para fazê-la encontrar uma solução para o problema. As idéias dos pais podem ser uma bênção. Se você realmente quer que a criança seja a dona da solução, deve puxar por ela para que apresente idéias.


  1. Avaliar propostas de soluções baseadas em seus valores familiares

    Agora é a hora de analisar cada idéia apresentada, decidindo as que devem ser postas em prática e as que devem ser descartadas. Sugira que seu filho considere separadamente cada solução, fazendo as perguntas abaixo;

  • A solução é justa?

  • Vai dar certo?

  • É segura?

  • Como vou me sentir? Como os outros vão se sentir

    Este exercício lhe dá mais uma oportunidade de explorar com a criança a necessidade de impor limites a certos comportamentos.


  1. Ajudar a criança a escolher uma solução

    Embora você queira estimular a criança a pensar por si mesma, esta também é a hora certa para dar suas opiniões e fornecer orientação. Neste ponto, não tenha medo de dizer a seu filho como lidou com problemas semelhantes quando era criança. O que a experiência lhe ensinou? Que erros você cometeu? Que decisões foram motivo de orgulho para você? Transmitir seus valores enquanto ajuda a criança a resolver problemas difíceis é muito mais eficaz do que simplesmente apresentar conceitos abstratos, sem qualquer relação com a vida da criança.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_5/11

OS CINCO PASSOS


PASSO Nº 1: Percebendo as emoções da criança

As pessoas podem ser emocionalmente conscientes – e por conseguinte estar aptas para o trabalho de preparação emocional – sem ser muito expansivas, sem ter a sensação de estar se “descontrolando”. Ser emocionalmente consciente simplesmente significa a capacidade de reconhecer e identificar as próprias emoções e os próprios sentimentos e perceber emoções do outro.


COMO O MACHISMO PODE AFETAR A PERCEPÇÃO EMOCIONAL


O conforto que uma pessoa sente em expressar emoções, em parte, é influenciado por fatores culturais. Estudos multiculturais provaram que italianos ou latinos, por exemplo, costumam ser mais apaixonados e explosivos; que os japoneses ou escandinavos são mais inibidos e estóicos. Essas influências culturais, no entanto, não afetam a capacidade de sentir. O fato de não demonstrarem afeição, raiva ou tristeza não significa que as pessoas não tenham esses sentimentos. Nem significa que sejam incapazes de reconhecer as emoções do outro e reagir a elas. Sem dúvida nenhuma, pessoas de todos os meios culturais têm capacidade de perceber os sentimentos dos filhos.


QUANDO OS PAIS SENTEM-SE DESCONTROLADOS


Dar-se ao luxo de sentir também pode ser complicado para os pais que têm medo de se deixar descontrolar por emoções negativas como raiva, tristeza e medo. Pais desse tipo evitam sobretudo reconhecer a própria raiva para que as coisas não fujam de controle. Talvez receiem que os filhos se afastem deles ou que copiem seu estilo emocional, descontrolando-se também. Em geral, ainda receiam magoar física ou psicologicamente os filhos.

Os pais que se sentem descontrolados por alguma emoção, em geral apresentam uma ou mais das características abaixo:

  • São sujeitos àquele tipo de emoção (raiva, tristeza ou medo).

  • Acham que sentem essa emoção de forma excessivamente intensa.

  • Têm dificuldade de se acalmar após experimentar sentimentos intensos.

  • Ficam confusos e não sabem o que fazer quando se emocionam muito.

  • Odeiam o modo como se comportam quando estão emocionados.

  • Vivem se defendendo das emoções.

  • Quando reagem de forma neutra (com calma, compreensão, solidariedade) estão representando.

  • Acham que sensibilidade é uma coisa destrutiva e até imoral.

  • Acham que precisam de ajuda por causa daquela emoção.

Mães e pais com essas características às vezes têm tanto medo de se descontrolar que se tornam “superpais”, ocultando as emoções dos filhos. (Mas podem ter ataques de raiva com o cônjuge – que às vezes acontecem diante dos filhos). Tentando disfarçar a raiva, esses pais às vezes ignoram ou deixam passar oportunidades de se emocionar com os filhos. A ironia é que, escondendo o que sentem, esses pais podem estar criando filhos ainda com menos capacidade de lidar com as emoções negativas do que teriam se eles tivessem aprendido a deixar seus sentimentos se manifestarem de uma forma não abusiva. Por isso, os filhos crescem emocionalmente distantes dos pais.

E ficam carentes de exemplos para aprender como lidar de forma eficiente com as emoções negativas.

Se você sentir que corre o risco de magoar seriamente seu filho física ou psicologicamente, procure ajuda profissional.

Finalmente, os pais que temem descontrolar-se talvez devam lembrar-se do poder curativo do perdão. Todos os pais eventualmente cometem erros, perdendo a cabeça com os filhos, dizendo ou fazendo coisas de que depois se arrependem. A partir de quatro anos, a criança é capaz de entender o conceito de “perdão”. Então, não perca a oportunidade de voltar atrás e consertar uma situação quando sentir remorso.

Diga a seu filho o que sentia na hora do incidente e o que sentiu depois. Isso pode servir como um exemplo positivo para ele aprender a lidar com sentimentos de remorso e tristeza. Talvez seu filho até possa ajudá-lo a encontrar soluções que ajudarão vocês dois a evitar desentendimentos e conflitos futuros.

Embora o processo de conscientização da emotividade dure toda a vida, uma nova maneira de ver as coisas pode trazer resultados imediatos evidentes para os pais. Uma mãe que finalmente se permita sentir raiva está em muito melhor posição de admitir o mesmo sentimento no filho. Após reconhecer a própria tristeza, um pai está muito mais apto a ouvir a tristeza do filho ou da filha.

Entre os sinais de que a criança tem algum problema emocional, estão a fome exagerada, perda de apetite, pesadelos, queixas de dor de cabeça e dor de estômago. A criança que já está acostumada a usar o vaso sanitário pode voltar a urinar na cama.

Se desconfia que seu filho está triste, irritado ou com medo, é bom tentar colocar-se no lugar dele, ver o mundo da perspectiva dele.

Quando se comove por causa de seu filho, quando sabe que está sentindo o que ele está sentindo, você está tendo empatia, que é a base do trabalho de preparação emocional. Se é capaz de se emocionar junto com seu filho – mesmo que às vezes isso seja difícil ou incômodo – você pode dar o próximo passo, que é aproveitar os momentos carregados de emoção para ganhar a confiança de seu filho e orientá-lo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_4/11

PREPARO EMOCIONAL E AUTOCONTROLE


A inteligência emocional da criança é determinada até certo ponto pelo temperamento – isto é, os traços de personalidade com os quais se nasce - , mas ela também é moldada pelas interações da criança com os pais. Essa influência começa nos primeiros dias de vida, quando o sistema nervoso imaturo da criança está se formando. A experiência que a criança tem com a emoção enquanto seu sistema nervoso parassimpático ainda está em formação pode ser muito importante para o desenvolvimento do tônus do seu vago – e, por conseguinte, para seu bem-estar emocional – no futuro.

Os pais têm uma excelente oportunidade, portanto, para influenciar a inteligência emocional dos filhos, ajudando-os desde o berço a aprender técnicas calmantes de comportamento. Por mais indefeso que seja um bebê, ele é capaz de ver, pelo modo como reagimos ao seu desconforto, que a emoção tem direção; que é possível passar de um estado de intensa agonia, raiva e medo a um estado de conforto e recuperação. Os bebês cujas necessidades emocionais não são levadas em conta, por outro lado, não têm a oportunidade de aprender isso. Quando choram de medo, tristeza ou irritação, apenas ficam mais assustados, tristes e irritados ainda.


OS CINCO PASSOS FUNDAMENTAIS DA PREPARAÇÃO EMOCIONAL


Empatia: A Base do Trabalho de Preparação Emocional

Imagine como seria ser criado numa casa em que não há empatia. Imagine essa casa como um lugar em que seis pais esperam que você esteja sempre alegre, feliz e calmo. Nela, a tristeza ou a raiva são consideradas sinais de fracasso ou prenúncios de desastre. Mamãe e papai ficam ansiosos quando você está “de moral baixo”. Dizem que preferem vê-lo satisfeito e otimista, “olhando para o lado bom”, nunca se queixando, nunca falando mal das pessoas ou das coisas. E você, sendo apenas uma criança, conclui que seus pais têm razão. Quem tem mau humor é mau. Então você faz o que pode para não decepcioná-los.

E o que você aprende crescendo nesse ambiente de fingimento? Bem, primeiro aprende que seus pais são completamente diferentes de você, porque não parecem ter todos esses sentimentos ruins e perigosos que você tem. Você aprende que, por ter esses sentimentos, você é o problema. Sua tristeza estraga tudo. Sua raiva é um constrangimento para o clã. Seus medos atrapalham a família. A família provavelmente seria perfeita se não fosse você e suas emoções.

Com o tempo, você aprende que é bobagem falar com seus pais sobre a sua vida interior. E isso faz com que você se sinta só. Mas você também aprende que desde que você finja estar alegre, todo mundo convive otimamente bem.

Obviamente, isso pode confundir – especialmente à medida que você vai crescendo e vendo cada vez mais provas de que às vezes a vida é uma chatice. Chega o dia do seu aniversário e você não ganha o brinquedo que estava querendo. Seu melhor amigo arranja outro melhor amigo e deixa você sozinho na fila da cantina. Você põe aparelho nos dentes. Perde a sua avó predileta.

E, no entanto, você não deveria ter esses sentimentos negativos todos. Então você vira uma mestre do disfarce. Melhor ainda, faz tudo o que pode para não sentir. Aprende a evitar situações que gerem conflito, raiva e dor. Em outras palavras, evita relacionar-se intimamente com as pessoas.

Mas, e se as coisas fossem diferentes? E se você fosse criado numa família em que a prioridade, em vez da alegria, fosse a compreensão e a empatia? Imagine se seus pais perguntassem “Como vai você?” porque realmente quisessem saber a verdade. Talvez você não se sentisse impelido a responder “Vou bem”, todas as vezes, porque saberia que eles agüentariam se você dissesse “Hoje o meu dia foi brabo”. Eles não tirariam conclusões precipitadas, nem ficariam achando que cada problema era uma catástrofe que eles precisavam consertar. Simplesmente ouviriam o que você tivesse para dizer e depois fariam o possível para compreender a ajudar você.

Em sua forma mais básica, empatia é a capacidade de sentir o que o outro sente. Como pais dotados de empatia, ao ver nossos filhos chorarem, conseguimos nos ver no lugar deles e sentir sua dor. Ao vê-los irritados, batendo o pé, podemos sentir a frustração e a raiva que eles sentem.

Como a empatia pode ter tanta força? Creio que por fazer que os filhos vejam os pais como alidados.

Quando procuramos compreender a experiência de nossos filhos, eles se sentem amparados. Sabem que estamos do lado deles. Quando deixamos de criticá-los, de fazer pouco do que sentem, ou de tentar desviá-los de seus objetivos – eles nos dão entrada. Abrem-se conosco. Dão opiniões. Suas motivações ficam menos misteriosas, o que, por sua vez, faz que haja mais compreensão.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_3/11

COMO O PREPARO PODE REDUZIR OS RISCOS DA CRIANÇA


Não resta dúvida de que os pais de hoje enfrentam problemas que os de antigamente não enfrentavam. Enquanto nos anos 60 a preocupação dos pais podia ser se o filho ia beber na noite da formatura, hoje passou a ser com a venda de cocaína nas escolas de segundo grau. Há pouco, os pais temiam a possibilidade de suas filhas adolescentes engravidarem. Atualmente, já na quinta série, estão falando de AIDS com os filhos.

Hoje não basta educar as crianças, dando-lhes uma boa formação escolar e incluindo-lhes sólidos princípios éticos. As famílias de hoje também precisam se preocupar com algumas questões mais básicas de sobrevivência. Como podemos imunizar as crianças contra a epidemia da violência que vem grassando entre a juventude? Como podemos convencê-los a adiar o início da atividade sexual até terem maturidade suficiente para fazer escolhas responsáveis e seguras? Como incutir-lhes uma dose suficiente de respeito próprio para que não abusem de drogas nem de álcool?

Uma criança que está sofrendo emocionalmente não deixa os problemas na porta da escola. Conseqüentemente, em todo o país, as escolas vêm acusando um aumento dramático de problemas de comportamento nesta última década. As escolas públicas – muitas já sem recursos devido a uma política antiimpostos – estão tendo que prestar um número cada vez maior de serviços sociais às crianças emocionalmente carentes.


PREPARAÇÃO EMOCIONAL COMO UM PASSO EVOLUTIVO


Muitos adultos não acham nada demais rir de uma criancinha irritada. Muitos pais bem intencionados ignoram os medos e preocupações dos filhos, como se isso não tivesse importância. “Não há nenhum motivo para você ter medo”, dizemos a uma criança de cinco anos que acorda de um pesadelo. “Então, você não viu o que eu vi”, deveria ser a resposta. Mas essa criança começa a aceitar a avaliação que o adulto faz da situação em que ela se encontra e aprende a duvidar do próprio julgamento. Com os adultos constantemente invalidando seus sentimentos, ela perde a confiança em si mesma.

Assim, herdamos uma tradição de fazer pouco dos sentimentos da criança, simplesmente porque ela é menor, menos racional, menos experiente e mais fraca que os adultos em volta dela. Levar a sério as emoções da criança exige empatia, capacidade de ouvir e vontade de ver as coisas pela ótica dela.

O psiquiatra Lloyd deMausse (ensaio de 1974) descreve que educar uma criança “tornou-se menos um processo de dominar a vontade da criança do que treiná-la, orientá-la para o caminho certo, ensinando-a a adaptar-se e socializando-a”.

Agora sabemos que a força do relacionamento do casal afeta o bem-estar dos filhos, e podemos ver o imenso potencial de um relacionamento onde há mais envolvimento dos pais com os filhos. E, finalmente, podemos documentar que, para que a criança possa desenvolver sua inteligência emocional, é fundamental os pais perceberem os próprios sentimentos.

Haim Ginott (psicólogo) escreveu entre os anos 50 e 60 que as afirmações de compreensão devem preceder os conselhos. Ele não encoraja os adultos a dizerem às crianças como devem sentir-se porque isso só faz que as crianças não confiem no que sentem. Ele diz que as emoções das crianças não desaparecem quando os educadores dizem “Não se sinta assim”.

Ao contrário de muitos educadores, Ginott não desaprova que a pessoa se irrite com a criança. Na verdade, ele acha que os adultos devem expressar honestamente sua irritação, desde que ela seja dirigida a um problema específico e não agrida a personalidade nem o caráter da criança.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_2/11

OS EFEITOS DA PREPARAÇÃO EMOCIONAL

O que muda quando a criança tem educadores preparadores emocionais?

Crianças que têm preparo emocional são fisicamente mais saudáveis e apresentam melhor desempenho acadêmico do que as que não têm. Essas crianças se dão melhor com os amigos, têm menos problemas de comportamento e são menos propensas à violência. E o que é mais importante, têm menos sentimentos negativos e mais positivos. Em resumo, são mais saudáveis emocionalmente também.

As crianças com preparo emocional são mais maleáveis. Elas não deixam de ficar tristes, irritadas ou assustadas em circunstâncias difíceis, mas têm mais capacidade de se acalmar, sair da angústia e procurar atividades produtivas. Em outras palavras, são mais inteligentes emocionalmente.

Os problemas que as crianças enfrentam hoje, associados à dissolução da família, incluem fracasso na escola, rejeição por outras crianças, depressão, complicações de saúde e comportamento anti-social. Isso pode também afetar filhos de lares onde há conflito, mesmo quando os pais não se divorciam. Os filhos que vêem os pais constantemente brigando têm mais dificuldades de fazer amigos. O conflito conjugal afeta o trabalho escolar da criança e a torna mais sujeita a doenças.

As crianças que passaram por treinamento emocional, embora sejam mais tristes do que as outras, ficaram protegidas dos efeitos deletérios experimentados por tantas outras que passaram por essa experiência. Conseqüências clássicas do divórcio e dos conflitos conjugais como baixo rendimento escolar, agressividade e problemas com os colegas, não ocorrem em crianças que receberam o treinamento da emoção. O que sugere que esse treinamento oferece às crianças a primeira defesa comprovada contra o trauma emocional do divórcio.

É comprovado também que o pai que adota o estilo de preparador emocional contribui enormemente para o desenvolvimento emocional da criança. Quando o pai leva em conta os sentimentos dos filhos e tenta ajudá-los a resolver os problemas, eles se saem melhor na escola e nas relações pessoais. Em compensação, o pai emocionalmente distante, aquele que é rude, crítico ou que faz pouco das emoções dos filhos, pode prejudicá-los. Os efeitos da interação da mãe com os filhos são significativos, mas a influência do pai pode ser muito mais extrema, seja esse efeito bom ou mau.

Não devemos presumir, porém, que é melhor um pai qualquer do que nenhum. Ao mesmo tempo que um pai emocionalmente presente pode ser altamente benéfico para a vida da criança, um pai frio e cruel pode ser extremamente nocivo.

Praticar o treinamento da emoção não garante o fim das brigas em família, das agressões verbais, dos sentimentos feridos, da tristeza nem da tensão. O conflito é inerente à vida em família. No entanto, quando adotar o treinamento da emoção você vai se aproximar mais de seus filhos. E, quando houver mais intimidade e respeito em casa, os problemas entre os membros da família parecerão fáceis de suportar.

O treinamento da emoção não significa o fim da disciplina. Na verdade, quando há intimidade entre você e a criança, seu envolvimento na vida dela é maior e, conseqüentemente, sua influência sobre ela é mais forte. Você está em posição de ser firme, quando for necessário ser firme. Quando vê as crianças errando ou sendo relapsas, você as adverte. Não tem medo de impor limites. Quando se decepciona com elas, quando sabe que elas podem fazer melhor, você não tem medo de lhes dizer isso. E porque existe um elo emocional entre você e a criança, o que você diz é importante. Ela respeita as suas opiniões e não quer desagradar você.

Esse trabalho exige uma boa dose de dedicação e paciência, mas essencialmente é um trabalho de treinamento como outro qualquer. Se quer ver a criança lidar com os sentimentos e as tensões e desenvolver relacionamentos sadios, você não cala nem ignora demonstrações de emoção negativa. Une-se à criança e oferece orientação.

Avós, professores e outros adultos podem servir de preparadores emocionais para uma criança, mas os pais estão em melhor posição para o desempenho dessa função.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Educando Crianças com Inteligência Emocional_1/11

PREPARAÇÃO EMOCIONAL

(A chave para a criação de crianças emocionalmente inteligentes)

Como lidar com as crianças quando os ânimos esquentam. Todos desejamos ser justos com as crianças, tratá-las com respeito e paciência. Queremos ensiná-las a enfrentar os problemas e criar amizades fortes e saudáveis.

Para se educar uma criança, o intelecto só não basta. É preciso mexer com uma dimensão da personalidade que vem sendo ignorada na maioria dos conselhos dados aos educadores nos últimos trinta anos. É preciso mexer com a emoção.

A percepção emocional e a capacidade de lidar com os sentimentos determinam o sucesso e a felicidade da pessoa em todos os setores da vida, inclusive o das relações familiares. Inteligência emocional significa perceber os sentimentos das crianças e ser capaz de compreendê-los, tranqüilizá-los e guiá-los. Inteligência emocional envolve a capacidade de controlar os impulsos, adiar a gratificação, motivar-se, interpretar as insinuações da sociedade e lidar com os altos e baixos da vida.

A família é a nossa primeira escola de aprendizado emocional. Nesse cadinho íntimo, aprendemos como nos sentir em relação a nós mesmos e como os outros reagirão aos nossos sentimentos; como pensar sobre esses sentimentos e que escolhas temos ao reagir; como interpretar e expressar esperanças e medos.

Basicamente há dois tipos de educadores: os que orientam as crianças no mundo da emoção e os que não orientam.

Assim como o preparador físico de um atleta, o educador ensina às crianças estratégias para lidar com os altos e baixos da vida. Não se opõem às manifestações de raiva, tristeza ou medo delas. Nem as ignoram. Ao contrário, aceitam as emoções negativas como coisas que fazem parte da vida e aproveitam os momentos de exaltação emocional para ensinar-lhes importantes lições de vida e construir um relacionamento mais íntimo com eles.

Entre os educadores incapazes de ensinar inteligência emocional às crianças, identificam-se três tipos:

  • Simplistas, que não dão importância, ignoram ou banalizam as emoções negativas da criança;

  • Desaprovadores, que são críticos das demonstrações de sentimentos negativos das crianças e podem castigá-las por exprimirem as emoções;

  • “Laissez-faire”, que aceitam as emoções e demonstram empatia por elas, mas não orientam nem impõem limites.

O que faria de diferente uma preparadora emocional? Poderia começar como condescendente mostrando empatia, compreendendo a tristeza da criança. Mas iria além, orientando-a sobre o que fazer com os sentimentos desagradáveis.

O processo de preparação emocional se dá em cinco etapas:

1 – Perceber as emoções da criança;

2 – Reconhecer na emoção uma oportunidade de intimidade ou aprendizado:

3 – Ouvir com empatia, legitimando os sentimentos da criança;

4 – Ajudar a criança a encontrar as palavras para identificar a emoção que está sentido;

5 – Impor limites ao mesmo tempo em que explora estratégias para a solução do problema em questão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

"O VERDADEIRO SENTIDO DAS COISAS"

Este vídeo irá mudar a forma como as pessoas vêm o consumo e os produto, é um alerta importante para todos os consumidores.

Um pequeno documentário educativo que apresenta importantes informações sobre questões ambientais e sociais dentro da temática do consumo de produtos, que representa um assunto urgente e de vital importância para a sobrevivência de todo o Planeta e da espécie Humana, para o presente e o futuro.

A História das Coisas é um documentário rápido e repleto de fatos que olha para o interior dos padrões do nosso sistema de extração, produção, consumo e lixo. Todas as coisas que compramos e usamos na nossa vida afetam as sociedades e o ambiente a nível local e mundial, mas a maioria destes fatos são propositadamente manipulados e escondidos dos nossos olhos pelas empresas e políticos, cujos objetivos principais são o lucro e o poder.

Isso é obtido através do consumo exacerbado que só pode ser realizado à custa de toda a vida na Terra, de sofrimento, exploração e destruição ambiental.

A História das Coisas expõe assim as conexões entre diversas questões ambientais e sociais, demonstrando com fatos, que ao consumirmos de forma inconsciente e desmedida, estamos destruindo o mundo e a nós mesmos.

É hora de tomarmos consciência do problema, para criarmos um mundo mais sustentável e justo para todos, para o planeta Terra e para futuras gerações.

EDIÇÃO E MONTAGEM: CRSS3
Aracatiara/Amontada/Itapipoca/Itarema

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

As tuas mãos são para proteger

Spot publicitário espanhol para televisão da Campanha “Tus manos son para proteger”, contra os castigos físicos a crianças.

Esta campanha, cujo slogan é “Levanta la mano contra el castigo físico” é da responsabilidade conjunta do Conselho da Europa e do Ministério de Educação, Política Social e Desporto de Espanha.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Apenas um cão...

Homenagem de Sandra Dee (atriz americana) ao seu cão Nino

De vez em quando escuto alguém me dizer:

Pára com isso! É apenas um cão!

Ou então: Mas é muito dinheiro para se gastar com ele! É apenas um cão.

Essas pessoas não sabem do caminho percorrido, do tempo gasto ou dos custos que significam "apenas um cão".

Muitos dos meus melhores momentos me foram trazidos por "apenas um cão".

Por muitas horas em minha vida, minha única companhia era "apenas um cão", e eu não me sentia desprezada.

Muitas de minhas tristezas foram amenizadas por "apenas um cão".

E naqueles dias sombrios, o toque gentil de "apenas um cão" me deu conforto e motivo para seguir em frente.

Se você também é daqueles que pensam que ele é "apenas um cão", com certeza deve entender bem expressões como "apenas um amigo", "apenas um nascer de sol", "apenas uma promessa".

"Apenas um cão" deu à minha vida a verdadeira essência da amizade, da confiança, da pura e irrestrita felicidade.

"Apenas um cão" faz aflorar a compaixão e a paciência que fazem de mim uma pessoa melhor.

Por causa de "apenas um cão" eu me levanto cedo, faço caminhadas e olho com mais amor para o futuro.


Porque pra mim - e para pessoas como eu - não se trata de "apenas um cão", mas da incorporação de todos os sonhos e esperanças do futuro, das lembranças afetuosas do passado, da pura felicidade do momento presente.

"Apenas um cão" faz brotar o que há de bom em mim e dissolve meus pensamentos e as preo-cupações do meu dia. Eu espero que algum dia algumas pessoas entendam que não é "apenas um cão", mas é aquilo que me torna mais humana e me permite não ser "apenas uma mulher". Então, da próxima vez em que você escutar a frase" É apenas um cão", apenas sorria para essas pessoas porque elas apenas não entendem.

"Todos os seres vivos tremem diante da violência. Todos temem a morte, todos amam a vida. Projete você mesmo em todas as criaturas. Então, a quem você poderá ferir? Que mal você poderá fazer?"-BUDA

"Se as experiências em animais fossem abandonadas, a humanidade teria alcançado um avanço fundamental.” - RICHARD WAGNER

Autor: Sandra Dee - Traduzido para o Português por Cris Sousa
Fonte: http://humancat.com