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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Quanto mais Baixa a Autoestima, mais é Difícil Pedir Desculpas

Reconhecer um erro e pedir perdão não é fácil para a maioria das pessoas. Para algumas, ainda, é realmente penoso. “A consciência do erro afeta a autoimagem, o que deixa egos ‘mais frágeis’ “relutantes”, diz o psicólogo Andrew Howell, da Universidade Grant MacEwan, no Canadá, autor de um estudo que relaciona traços de personalidade e “predisposição” para pedir desculpas.

Howell solicitou a homens e mulheres de diferentes idades que assinalassem se concordavam ou não com sentenças de um questionário, como “Por ainda estar com raiva quase nunca consigo me desculpar” e “Se acho que os outros não vão saber o que fiz, prefiro não pedir perdão”. Em seguida, os pesquisadores cruzaram as respostas com testes de personalidade aplicados aos mesmos voluntários.

“Como já esperávamos, as pontuações mais altas em traços como amabilidade e empatia coincidiram com maior aptidão em se desculpar”, explica o psicólogo. Por outro lado, pessoas que disseram sentir vergonha de se desculpar revelaram baixa autoestima, apesar de se sentirem incomodadas ao ferir os sentimentos de outra pessoa. Um dado interessante: participantes com forte senso de justiça, se mostram com mais dificuldade para pedir perdão. “Podemos dizer que ser adepto da filosofia do ‘olho por olho’ e admitir os próprios erros é incompatível”, acredita Howell.

Fonte: Revista Mente & Cérebro n° 228, janeiro/2012, pág. 75

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem_11/12

DISLALIA

Transtorno funcional primário que corresponde ao atraso da fala, à linguagem "bebê".

É um evento oculto que não pode ser controlado diretamente. Dessa maneira, é muito parecido com o processo oculto de aprendizagem, que também não apresenta referência direta e só pode ser mensurado pela observação das alterações no desempenho. Infelizmente, a atenção é um pré-requisito da aprendizagem. Se ambos são mensurados por uma alteração no desempenho é devida à atenção imperfeita, a aprendizagens imperfeitas ou ambas.

A atenção na aprendizagem refere-se à seleção de estímulos dentre os vários utilizados no processo de aprendizagem, a fim de a ele associar a resposta adequada. A criança precisa dispor da atenção seletiva para discernir dentre tantos estímulos àquele que leva a uma resposta apropriada. A atenção deve estar centrada no conteúdo propriamente, não na forma e recursos utilizados na aprendizagem do mesmo. Ao escutar uma explicação oral, além de preocupar-se com a compreensão da mesma, há uma percepção de tom de voz, sotaque, etc; que também fazem parte do estímulo. Caso a atenção não esteja centrada, (atenção seletiva); ela se desviará, não vingando o essencial.

APRAXIAS

Incapacidade de executar os movimentos apropriados a um determinado fim, conquanto não haja paralisias.

ECOLALIA

Repetição da fala do interlocutor.

DISORTOGRAFIA

Escrita com os erros de que tratamos, pode ser o primeiro ou único achado de exame em caso de dislexia leve não examinado logo no início, podendo ter havido, mas já desaparecido, as dificuldades à leitura. Boa parte dos disléxicos melhora razoavelmente nesta matéria, enquanto ainda cometem muitos erros à escrita.

Os disléxicos podem fazer todas as suas escrita em espelho, o que é, entretanto, raro.

Quanto aos erros de omissão, o mais freqüente é suprimirem-se letras mudas ou vogais - BNDT (por BENEDITO), por exemplo.

É comum a tendência à união de duas ou mais palavras numa só, mas se pode também verificar a divisão de uma palavra, que o disléxico escreve em duas partes.

Quanto à pontuação, pode haver dificuldade na colocação de vírgulas.

AFASIA

É a perda parcial ou total da capacidade de linguagem, de causa neurológica central decorrentes de AVC (Acidente Vascular Cerebral), lesão cerebral nas áreas da fala e linguagem. Conforme a extensão e localização da lesão o paciente pode apresentar um ou mais sintomas.

Sintomas:

·perda total ou parcial da articulação das palavras;

·perda total ou parcial da fluência verbal; dificuldade de expressar-se verbalmente; nomear objetos; repetir palavras; contar; nomear, por exemplo, os dias da semana, meses do ano; ou ainda perda da noção gramatical;

·perda total ou parcial da habilidade de interpretação, não reconhece o significado das palavras.

·ler;

·escrever;

·perda total ou parcial da capacidade de organização de gestos para comunicar o que quer.

"Adquirida" da criança é considerada como algo excepcional. Ressalta uma redução da expressão verbal com transtornos articulares freqüentes, uma compreensão oral raramente perturbada, uma alexia freqüente acompanhando-se de transtornos da escrita. Afasias pós-traumáticas ou tumorais das quais poderíamos obter certas características: redução da expressão verbal oral, mas, sobretudo escrita, freqüência muito maior dos transtornos da realização da linguagem, em menos grau, da compreensão da linguagem, evolução um tanto favorável quando a lesão não é evolutiva.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem_10/12

Hiperatividade

Muitas vezes, mas não sempre, a hiperatividade associa-se a transtornos de aprendizagem. Pode ser que essa relação não seja mais do que o resultado de um desvirtuamento de seleção no que se refere à criança com transtornos de aprendizagem e também hiperativa, a qual é mais provável que seja encaminhada para estudo do que sua colega iguaImente com dificuldades de aprendizagem, que se senta quieta em seu lugar. De qualquer forma, a presença de hiperatividade em algumas crianças com transtornos de aprendizagem tem sido muitas vezes usada como base da controvérsia sobre a existência de algo errado no cérebro de tais crianças. Para algumas crianças a hiperatividade pode ser perfeitamente o resultado de anormalidades cerebrais, mas para outras pode ser um comportamento adquirido ou nada mais do que a manifestação do máximo da distribuição normal de motilidade humana. Níveis altos de atividade motora podem não ser um problema por si mesmos, mas a reação do ambiente em que a criança vive a essa atividade pode transformá-los em problema.

Os transtornos de aprendizagem são principalmente um problema para a criança; a hiperatividade é principalmente um problema para os adultos que cercam a criança. Como os adultos são os "encarregados'', não é de admirar que a intervenção se concentre no que está perturbando o adulto mais do que naquilo que a criança realmente necessita. Isto é, o tratamento é geralmente dirigido mais à hiperatividade do que ao problema de aprendizagem. Muitas vezes, os adultos ficam satisfeitos desde que a criança se sente quieta, não importando se no momento ela está tendo algum aproveitamento na escola. Parece que a hiperatividade pode muitas vezes ser reduzida mediante a administração de certas drogas relacionadas com a anfetamina. Por uma lógica desvirtuada, isto tem sido novamente usado como prova de que os transtornos de aprendizagem tem sua base em desordens cerebrais.

Há muitas questões metodológicas que precisam ser levadas em consideração se desejamos estudar a eficácia de uma droga. Essas questões constituem obstáculo para estudos verdadeiramente definitivos no campo da hiperatividade e dos transtornos de aprendizagem. Em conseqüência, o conhecimento nessa área é incerto, e o uso difundido de medicação com crianças que têm problemas na escola toca às raias da irresponsabilidade. Os efeitos físicos e psicológicos em longo prazo do uso continuado de agentes químicos poderosos são desconhecidos e é muito alto o potencial do seu uso abusivo. As drogas, portanto, devem ser usadas com muita prudência, principalmente nas intervenções alternativas que não incluem drogas para hiperatividade e problemas de aprendizagem.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem_9/12

Por favor, não deixe os disléxicos serem autocríticos ou se preocuparem excessivamente porque eles podem ser mais lentos que a média em fazer simples + - x ¸ , pois muitos disléxicos inteligentes têm dificuldades mas têm encontrado caminhos para ultrapassá-las ou superá-las. Algumas autoridades locais para Classes de Educação Suplementar cobrem o problema da dificuldade em aritmética, e os professores devem trabalhar em conjunto com programas de TV relevantes que freqüentemente estão disponíveis.

Há, de qualquer maneira, uma dificuldade que deve aparecer, se o aluno tem que completar simples cálculos básicos ( + - x ¸ ) rapidamente, para se manter dentro dos limites de tempo nas provas em que não é permitido o uso de calculadora; o estudante devido a suas dificuldades disléxicas com a sequência, será mais lento que a média. Essa dificuldade pode ser aliviada, de qualquer maneira, em muitos casos porque as Juntas Públicas de Exame estão freqüentemente preparadas para considerar a previsão de tempo adicional para atender às dificuldades específicas dos estudantes disléxicos. Essa previsão de tempo extra é freqüentemente mais valiosa, porque dá tempo para que os candidatos disléxicos confiram onde eles têm copiado os números na seqüência correta, pois, em alguns tipos de dislexia, o estudante pode ocasionalmente inverter números, e por exemplo escreve 259 em vez de 295, etc.

Deve ser lembrado que o Serviço de Emprego tem aceitado por muitos anos que os disléxicos podem ter dificuldades em matemática e tem estado preparado para recomendar aos empregadores o uso de calculadoras em casos individuais.

Essas são só algumas poucas áreas em que muitos disléxicos falham. Elas não são exclusivas dos disléxicos, de qualquer maneira, erros desse tipo tendem a ser mais freqüentes e persistentes que em muitos outros grupos de pessoas.

Não é sugerido que todas ou qualquer das dificuldades acima estejam presentes em qualquer pessoa disléxica; pelo indicado acima, alguns disléxicos podem não mostrar essas dificuldades.

Se, de qualquer maneira, algumas das dificuldades descritas acima são advertidas (por exemplo: lentidão em simples cálculos ( + - x ¸ ), dificuldades em notação, dificuldade em leitura e/ou compreensão de questões matemáticas), se elas estão em desacordo com o que deveria ser esperado para uma pessoa dessa idade e potencial, isto poderá usualmente sugerir que o indivíduo deve ter dificuldade na matemática, como as que são com freqüência encontradas estritamente associadas com aquelas dificuldades lingüísticas comumente conhecidas como dislexia.

Entidade sem fins lucrativos que tem por objetivo o estudo e a pesquisa da dislexia (transtornos específicos de aprendizagem). Sub-Comlte de Psicologia da Associação Britânica de Dislexia.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem_8/12

Diagnóstico precoce

Os pais e os professores devem ser ajudados a reconhecer quando as crianças podem ter dificuldades específicas na aprendizagem da aritmética, averiguando quais, em contraste com a idade e a inteligência, das seguintes características estão presentes.

(As dificuldades em outros aspectos da matemática são mais difíceis de diagnosticar e irão precisar de ajuda de um especialista).

Dificuldade decorrente de lentidão relativa em cálculos simples - a velocidade para fazer cálculos simples (+,-, x, :) parece mais lenta que o esperado para a idade e inteligência?

Dificuldade para decorar tabuadas

Dificuldade em contar para frente - quando é mister contar para frente, ele necessita fazer marcas no papel ou contar com os dedos?

Dificuldade em contar para trás - quando contar para trás de dois em dois ou de três em três desde 30, ou falando qual número está 5 lugares antes de21.

Dificuldade em lembrar-se de "transportar" números - quando se soma uma longa coluna de números, há necessidade de escrever embaixo o transporte de números, e tem preferência para fazer algumas pequenas somas mais do que somar a coluna toda (para assim evitar carregar a memória com transporte de números)? Essa dificuldade com transporte de números também se aplica a cálculos curtos.

Dificuldade de direção - tendência esporádica a colocar números em uma ordem errada, isto é 15 por 51 ou 3 x 7 = 12?

Dificuldade em subtração - a ponte do "10". Pode uma rápida resposta ser dada a 17-9=?, ou necessita contar para cima ou para baixo com os dedos, ou quebrar a soma em estágios, ou ajustar números.

Ex.: 18 - 10 = 8, etc.

Multiplicação e divisão:

Os dois processos devem ser mais lentos e menos precisos devido à carência de conhecimento da tabuada e/ou pela dificuldade para lembrar-se de abaixar os números transportados.

Dificuldade devido a copiar os números incorretamente - em condições de tempo limitado. Ex.: copiando números da lousa ou numa prova, algumas crianças disléxicas têm freqüentemente a tendência a cometer erros ou faltas, ou quando copiam dos seus próprios trabalhos e cálculos no papel na frente deles.

As dificuldades para decorar regras aritméticas e fórmulas matemáticas. Do mesmo modo que os disléxicos vão ter dificuldades para decorar tabuada, alguns deles vão esquecer as regras para +, -, x, :, frações e decimais e fórmulas algébricas e geométricas (essas dificuldades podem geralmente ser diminuídas com aprendizagem multissensorial e confiança em compreender mais que na aprendizagem de cor das regras).

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem_1/12

Algumas vezes a criança apresenta desempenhos que sugerem um distúrbio de aprendizagem, ou seja, apresenta baixo rendimento nas atividades acadêmicas e, também, uma desordem emocional. Qual desses dois problemas apareceu primeiro?

Sejam considerados como origem ou uma decorrência, os problemas emocionais se constituem em comportamentos incompatíveis com o ato de aprender e, por esta razão, precisam ser tratados.

Ambos os aspectos, desempenho acadêmico e problemas emocionais determinam o comportamento da criança e, por isso, são de interesse tanto da psicologia como da educação.

Provavelmente a maioria dos profissionais envolvidos com educação já se deparou com crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. Em alguns casos o problema destas crianças foi resolvido na própria escola. Em outros um professor particular se mostrou eficaz.

Há, entretanto, alunos cujos problemas persistem depois destas interferências. Nestes casos, a intervenção de especialistas é necessária. São os encaminhamentos feitos a fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos ou médicos.

Será fácil perceber a necessidade do envolvimento de todos estes especialistas se nos lembrarmos da grande diversidade de fatores que podem ser responsáveis por estas dificuldades.

Dentre estes fatores, podemos citar:

os problemas emocionais;

os problemas orgânicos (audição, fala e visão);

os hábitos de estudo inadequados;

a falta de motivação;

os problemas de relacionamento com o professor e/ou com os colegas;

a falta de atenção às explicações dos professores;

as deficiências intelectuais;

as carências ambientais etc.

Assim sendo, dependendo do fator predominante na dificuldade que a criança apresenta, um ou outro profissional pode ser o mais indicado.

Veremos aqui, nesta série de 12 postagens, detalhadamente exemplos de casos de distúrbios, como identificá-los e como tratá-los.

Adiantando, a ABD - Associação Brasileira de Dislexia e Psicólogos com Especialização em Neuropsicologia podem realizar testes de Distúrbios de Aprendizagem.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A publicidade de bebidas alcoólicas

Folha de São Paulo
JOÃO LOPES GUIMARÃES JÚNIOR e ILANA PINSKY

Parece legítimo questionar se cervejarias devem ter direito irrestrito de bombardear crianças e adolescentes com um forte assédio publicitário

Entre as cinco intervenções propostas em artigo recente da publicação "The Lancet" para lidar com a crise mundial de doenças não transmissíveis está a redução do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. No Brasil, dados divulgados pelo Ministério da Saúde em abril mostram o aumento do percentual dos que bebem em excesso.


Diversos especialistas em saúde pública alegam ser impossível conceber uma política pública para reverter essa alarmante situação sem combater o estímulo exercido pela publicidade, especialmente a de cerveja, que associa seu consumo a imagens e situações atraentes, divertidas, bonitas ou eróticas.

Veiculada com impressionante frequência, especialmente na TV, a publicidade é capaz de interferir na liberdade de decisão de adolescentes e jovens adultos, por serem eles mais vulneráveis. No entanto, a proposta de proibir a publicidade de cerveja como medida útil para reduzir o alcoolismo vem provocando reação de s etores publicitários e de mídia, que alegam tratar-se de cerceamento de sua liberdade de expressão ou censura.


Será que esses setores corporativos têm razão? A interferência do Estado na economia não é novidade nem arbitrária; é bem-vinda como resultado da evolução do direito para conciliar o capitalismo com a promoção do bem-estar social.
Ora, como promover a saúde e o meio ambiente, por exemplo, sem controlar (quando possível) certas atividades que comprovadamente causam doenças ou poluem?

A imposição de algumas restrições às empresas se justifica, portanto, quando orientadas a proteger eficientemente e na justa medida interesses sociais valiosos.

A lógica é simples: o sacrifício de um direito passa a ser aceitável quando resultar na proteção de outro considerado mais relevante.
Parece-nos legítimo questionar se as cervejarias devem ter direito irrestrito a bombardear crianças e adolescentes com todo tipo de assédio publi citário -altamente sofisticado e persuasivo-, quando argumentos consistentes demonstram a gravidade dos problemas de saúde pública causados pelo álcool e a influência da publicidade sobre esses consumidores. Será que interesses empresariais devem, nesse caso, se sobrepor a interesses sanitários?

Ainda que se reconheça sua importância, a publicidade não pode gozar da mesma proteção legal que merecem as manifestações artísticas, literárias, políticas ou jornalísticas, pois os valores que justificam a defesa intransigente destas absolutamente não estão presentes na mensagem de fim comercial.
Cabe lembrar que, desde 1996, restringiu-se a propaganda de bebidas de alto teor alcoólico, sem que fosse abalado o prestígio de nossa democracia (quem não se lembra do famoso slogan que espalhava pelos meios de comunicação de massa o conceito de que beber cachaça era "uma boa ideia"?).

O que é inadmissível, em uma sociedade verdadeiramente democrática, é a prevalência de interesses econômicos quando está em jogo a saúde de jovens que são persuadidos diariamente a consumir bebidas alcoólicas.


JOÃO LOPES GUIMARÃES JÚNIOR é procurador de Justiça; foi promotor de Justiça do Consumidor.
ILANA PINSKY, psicóloga, é vice-presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas).

Fonte: UNIAD

segunda-feira, 18 de julho de 2011

QUANDO É DIFÍCIL APRENDER_4/4

Problemas nos estudos podem ter diversas causas. Consultar um psicopedagogo pode ajudar a resolver a questão.

por Vera Fiori

Fonte: Estadão, 26.05.1996


Laços de família

Desde os primeiros passos, os pais devem observar a forma como a criança brinca, se expressa e fala. “Dou uma atenção especial a história familiar da criança”, observa Clélia Pastorello, que atua na área de Psicopedagogia há 18 anos.

E lembra que família é um sistema forte e extremamente dinâmico, que leva à seguinte reflexão: que lugar ela ocupa na vida de uma criança e vice-versa? A partir daí, Clélia desenrola o novelo até estudar com a família, os limites de trabalhar com as necessidades e demandas. A participação dos pais ou do responsável é fundamental durante o acompanhamento psicopedagógico.

Ela lembra ainda que diferentes situações podem prejudicar o processo de aprendizagem, como perdas (morte de alguém querido), deficiências físicas (como surdez), separação dos pais, etc. “A criança que não aprende tem um sintoma e cabe ao psicopedagogo saber as causas”, fala.

Crianças com dificuldades maiores trazem tensões para aprender, apresentando intolerância, hiperatividade, medo de arriscar no novo e falta de concentração.

Também importante é a falta de tempo das crianças. “Brincar significa conhecer e agendas infantis sobrecarregadas, excesso de som, TV e shoppings fazem com que falte tempo para elas mesmas, influindo na aprendizagem”, afiança.

Erro de escolha

Também pode haver um conflito com a metodologia de ensino. A rotatividade de professores ou faltas excessivas deles acaba refletindo no desempenho do aluno, que perde no conteúdo e sente-se desestimulado. “Nem sempre a escola está adequada ao universo da criança ou do adolescente”, afirma Clélia, que leva a família, muitas vezes, a ponderar sobre a escolha da escola. Guardadas as proporções, a cobrança dos pais deve ter um limite. Afinal, o erro faz parte da construção do conhecimento. É onde você dá saltos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

QUANDO É DIFÍCIL APRENDER_3/4

Problemas nos estudos podem ter diversas causas. Consultar um psicopedagogo pode ajudar a resolver a questão.

por Vera Fiori

Fonte: Estadão, 26.05.1996


Super-mães, cuidado!

Se você é do tipo que arruma a mochila do filho, faz a lição, amarra o cadarço do tênis... cuidado! Segundo a psicopedagoga Geórgia Vassimon, do Getep – Grupo de Estudos e Técnicas Psicodramáticas – a superproteção é uma das causas que prejudica a criança nos estudos. Neste caso, a mãe recebe uma orientação e o aluno é estimulado a criar autonomia.

O drama começa por volta da quinta série, quando a criança sai de uma escolinha acolhedora para uma maior. Podem ocorrer vários problemas: a criança é intuitiva, enquanto a escola exige lógica, ou é mais lenta para assimilar as informações. Outras se expressam muito bem verbalmente, mas têm dificuldades com a escrita ou são imaturas em relação â classe.

Nos casos dos adolescentes, a psicopedagoga diz que a maioria não se organiza para estudar. Faz isso com a TV ou o som ligado e se perde ao fazer uma pesquisa ou até mesmo ao consultar índices.

Também são comuns as dificuldades do jovem com trabalhos que envolvem análise-síntese, como assistir a um filme de época e fazer um resumo dos costumes. Os casos encaminhados via escola ao Getep são sempre analisados por um grupo de trabalho formado por psicólogos, pedagogos, professores de Educação Física, eutonistas e especialistas em letras. “Dessa forma”, diz Geórgia, “cada um contribui com sua especialidade, abrindo novas possibilidades para solucionar as dificuldades de cada aluno”.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

QUANDO É DIFÍCIL APRENDER_2/4

Problemas nos estudos podem ter diversas causas. Consultar um psicopedagogo pode ajudar a resolver a questão.

por Vera Fiori

Fonte: Estadão, 26.05.1996


Longo Prazo

Ao contrário das aulas de reforço, por exemplo, as sessões com o psicopedagogo podem levar até dois anos para que o estudante se sinta mais seguro e fortalecido. A ideia é trabalhar com as deficiências e aprender a valorizar as potencialidades, o que pode levar tempo.

A psicopedagogia estuda a estrutura do pensamento. Quando detecta falhas, deve trabalha-las até obter resultados positivos, assinala Carla Labaki Agostinho.

As dificuldades, diz, começam a surgir por volta da quinta ou sexta séries, quando as exigências aumentam. “Os maiores problemas são com a escrita, leitura e organização nos estudos”.

Segundo Carla, ao ir mal na escola, a criança ou adolescente fica com o auto-conceito em baixa, refletindo isso nas relações com os amigos e a família. “Buscar ajuda é um grande passo”.

Também pode ocorrer uma inadaptação aos métodos da escola, embora alguns pais resistam à ideia. A psicopedagoga conta o caso de um menino de 8 anos que ia muito bem, até que substituíram uma professora. Não deu outra: começou a ter problemas.

Visitando a escola – procedimento de rotina em seu trabalho – constatou que a criança não se adaptava ao método da nova professora. Ela sugeriu aos pais escolas que melhor condiziam com as características do filho. Após certa resistência, eles aceitaram e o menino rapidamente se recuperou nos estudos.

Certos pais escolhem a escola baseados em status, modismos, proximidade de casa, tradição familiar, sem considerar o perfil dos filhos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

QUANDO É DIFÍCIL APRENDER_1/4

Problemas nos estudos podem ter diversas causas. Consultar um psicopedagogo pode ajudar a resolver a questão.

por Vera Fiori

Fonte: Estadão, 26.05.1996


Quando os estudos dos filhos vão de mal a pior, a quem recorrer? Psicólogos, psicopedagogos, ludoterapeutas... Embora com atuações distintas, as atribuições destes profissionais ainda confundem muitos pais. Frequentemente o psicopedagogo é tido com um professor particular de luxo, quando, na verdade, sua atuação é bem mais profunda, já que lida não apenas com o processo de aprendizagem, mas também com o emocional.

Enquanto as aulas de reforço visam o imediatismo como, por exemplo, socorrer o aluno com dificuldades em Matemática, o trabalho do psicopedagogo investiga as causas que levam a essas deficiências.

Entre os problemas apresentados pelas crianças, pode-se destacar a dificuldade de se organizar para os estudos, inaptidão pra leitura e escrita, apatia, falta de concentração, além de dificuldades de raciocínio e fixação de números, letras e sílabas.

Vários fatores fazem com que a criança ou adolescente apresentem mau desempenho escolar: problemas físicos (neurológicos, por exemplo), emocionais, a família e até mesmo o professor. Daí a importância de procurar-se um profissional que, com informações dos pais e do estudante, traçará uma linha de trabalho.

Para solucionar os déficits de aprendizagem, são usadas técnicas terapêuticas como dramatizações, modelagem, jogos (excelentes para o raciocínio), produção de textos e outros meios que ajudam o aluno a se expressar. As sessões, em geral, são feitas duas vezes por semana, e seu custo vai de R$ 40 a R$ 70. No entanto, a maioria dos profissionais estuda uma forma especial de pagamento.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

É hora de procurar ajuda? 3/4

Terceira postagem de 4 matérias que entrarão nos dias 27, 29 de Junho e 01, 04 de Julho.


por Robert Epstein

Doutor em psicologia pela Universidade Harvard


Fonte: Revista Mente&Cérebro - edição 216 - Janeiro 2011 - págs 48 a 53



Em busca de um diagnóstico


Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta (Da redação).

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Mensagens para o Inconsciente_6/8

Sexta postagem da série com 8 postagens, publicada na Revista Mente & Cérebro, edição especial n° 214, de novembro/2010, por Christof Uhlhass.

Mas também os acrônimos sem sentido como anm suscitavam o efeito de uma palavra prime de caráter positivo se antes os indivíduos tivessem lido várias vezes palavras de conotação positiva, como angel (anjo) e warm (calor). Abrams conseguiu até transformar smile em uma palavra subliminar emotivamente negativa: deixou que os indivíduos lessem várias vezes smut (sujo) e bile (bílis). O psicólogo deduz que, em nível subliminar, reconhecemos apenas fragmentos das palavras na memória. Em 2007, a empresa coreana Xtive lançou um programa de computador que sussurrava em frequências não audíveis frases bem-humoradas como "desligue esse treco" às pessoas dependentes do computador. Os produtores argumentam que a mensagem subliminar pode curar a dependência. Existe até "CDs subliminares" à venda: em geral, são inofensivas gravações de textos extraídos do seu contexto, acrescidos à música relaxante, que ajudam as pessoas a pegar no sono (pelo menos tem esse efeito para boa parte delas).

No entanto, não existe uma indicação com relação ao efeito exato desse material. E há poucas pesquisas em curso: do ponto de vista científico, esses produtos são pouco discutidos. Por definição, quem os compra não sabe que alcance têm as mensagens "disfarçadas" - se é que realmente tem algum efeito. Essas propostas estão quase totalmente em desacordo com a definição científica do estímulo subliminar. Se, por um lado, pesquisadores como Stanislas Dehaene usam esses recursos para medir o limite da consciência, por outro alguns supostos especialistas se apropriam do assunto e propõem uma "programação da mente", apostando que um estímulo imperceptível do inconsciente pode fazer a fantasia humana alçar voo. Porém, se excluírmos o que foi demonstrado pela ciência, o efeito que se pode obter com essas técnicas é pura questão de fé.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mensagens para o Inconsciente_4/8

Quarta postagem da série com 8 postagens, publicada na Revista Mente & Cérebro, edição especial n° 214, de novembro/2010, por Christof Uhlhass.

Em 2000 surgiu o temor de possíveis influências políticas ocultas quando, para combater o adversário político Al Gore, um assessor da equipe de George W.Bush sugeriu iluminar muitas vezes em uma propaganda eleitoral a palavra bureaucrats (burocratas) e, por três centésimos de segundo apenas, as quatro últimas letras:rats, ou seja, ratos. Mas o uso da palavra "negativa" realmente influenciava os eleitores? O grupo de pesquisa coordenado pelo neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene, pesquisador do Collège de France, emParis, estudou de que maneira os estímulos subliminares podem ser captados. O pesquisador Lionel Naccache, membro da equipe, forneceu a primeira demonstração direta da influência das palavras com conteúdo emotivo. Ao acompanhar três pacientes epiléticos que tinham em seu cérebro eletrodos para o tratamento da patologia, chamou sua atenção que palavras subliminares com forte dose emotiva exercem influência sobre a amígdala, uma região cerebral determinante no processamento de emoções. "Tais vocábulos modificavam a atividade da amígdala, justamente coo acontece com a elaboração consciente", afirmou Naccache.

O cientista Raphael Gaillard, outro pesquisador da equipe de Paris, demonstrou que palavras fugazes com conteúdo emotivo entram na consciência antes daquelas com sentido neutro. Durante sua experiência, mudou o tempo em que um vocábulo apresentado de forma subliminar é disfarçado, aleatoriamente, pela exibição de várias letras na mesma cena. No caso daquelas neutras, de cada dois pacientes um se lembrava do que estava representado na tela.
Quando se tratava de termos com conotação negativa, três em cada duas pessos se recordavam deles. Gaillard concluiu que o conteúdo emotivo de uma palavra pode reduzir o limiar da percepção consciente. E que as palavras percebidas de que possamos nos dar conta são elaboradas de maneira específica, de acordo com o seu conteúdo semântico. É muito improvável que com esses artifícios seja possível manipular as pessoas, porque, quando o estímulo não atinge a consciência, a influência dura pouco tempo. A experiência de Gaillard demonstra serem determinantes não apenas a duração da percepção, mas também o seu conteúdo. Além disso, os estímulos subliminares são elaborados de acordo com a atividade que a pessoa está desempenhando naquele momento.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mensagens para o Inconsciente_3/8

Terceira postagem da série com 8 postagens, publicada na Revista Mente & Cérebro, edição especial n° 214, de novembro/2010, por Christof Uhlhass.

Como deve ser o estímulo para que passe despercebido? Pode ser de vários tipos, como demonstraram experiências desenvolvidas por psicólogos e neurocientistas. Sem que saibamos, o cérebro entende palavras, intterpreta a mímica dos rostos, decifra símbolos e capta sons. Numerosas experiências de priming (facilitação) desvendam a influência dos símbolos que escapam à consciência: um impulso desencadeado abaixo do patamar limite, o prime, influencia a reação a um estímulo percebido conscientemente, o target (alvo). Os exemplos clássicos dessas experiências têm base nos números; os participantes veem na tela um número entre 1 e 9 e devem classificá-lo apertando a tecla esquerda se inferior a 5 e a direita, se superior. É uma tarefa tão simples que, em geral, ninguém costuma errar.

A ação dos estímulos subliminares se manifesta principalmente no tempo da reação: os indivíduos reagem mais rápido se, antes do estímulo-target percebido conscientemente, aparecer ligeiramente um estímulo-prime subliminar, que requer apertar a mesma tecla. Se, por exemplo, um 7 for rapidamente iluminado antes de um 8 percebido conscientemente, os participantes decidem com mais rapidez apertar a telca correta. Ao contrário, um 4 subliminar os faria hesitar por mais tempo. A experiência também funciona se o número estiver escrito por extenso, como no caso de "sete". As palavras com significado emotivo, como "medo", também influenciam a escolha, e a mímica dos rostos, mais ainda.

A elaboração subliminar da expressão facial foi acompanhada em 2007 pelos psicólogos Monika Kiss e Martin Eimer, pesquisadores da Universidade de Londres, por meio do registro de medidas com o eletroencefalograma (EEG). Durante a experiência, 14 participantes eram orientados a diferenciar as fotos de pessoas com expressão assustada ou neutra. Os voluntários conseguiam realizar a tarefa com desenvoltura se o rosto fosse exibido por 200 milissegundos. Quando o tempo era reduzido para 8 milissegundos, as respostas eram eventuais. Neste caso, o estímulo podia ser definido como subliminar. Mesmo assim, o eletroencefalograma mostrava as mesmas variações que têm origem também com a percepção consciente. O "mito da ação subliminar" tem, portanto, uma base empírica: estímulos não captados conscientemente provocam reação que pode ser medida no cérebro. Não é aceitável, porém, falar de uma manipulação profunda dos nossos julgamentos e decisões.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Síndrome do Impostor_4/4

Quarta postagem da série com 4 postagens, publicada na Revista Mente & Cérebro, edição especial n° 213, de outubro/2010, por Birgit Spinath - Professora de psicopedagogia da Universidade de Heidelberg-Alemanha.

Afinal, quem ou o que é responsávl tanto pelos acontecimentos bons quanto ruins em nossa vida? Quando respondemos a essa questão, estamos fazendo uma "atribuição" - conferimos uma razão aos fatos estabelecendo relações de causa e efeito. Segundo o psicólogo Martins Seligman, da Universidade da Pensilvânia, Filadélfia, toda pessoa possui um estilo de atribuição com o qual explica preferencialmente os eventos de sua vida, que inclui três dimensões: os motivos para um acontecimento podem estar dentro ou fora da própria pessoa (interno versus externo); eles podem ser duradouros ou passageiros (estável versus instável); e eles podem se aplicar a várias situações ou a apenas uma única (global versus específico).

O estilo de atribuição já foi muitas vezes associado à saúde mental: as pessoas psiquicamente saudáveis tendem a considerar eventos positivos de forma internalizada, estável e global ("Nem sempre acerto, mas sou inteligente"); no caso de acontecimentos negativos, valorizam aspectos externos, instáveis e específicos ("Desta vez eu dei azar, mas isso não vai, necessariamente, acontecer sempre.") Pessoas depressivas frequentemente apresentam o padrão inverso: consideram-se sempre responsáveis pelos fracassos e explicam sus próprias realizações pela sorte. Evidentemente, não se trata de negar a realidade ou subestimar aspectos concretos ou subjetivos: realmente há fatores que escapam à compreensão racional e posturs psíquicas (ou mesmo dificuldades) que sabotam boas intenções. Mas analisar cada situação, sem tentar encaixá-la em "modelos prontos" - sempre sorte ou sempre incompetência - nos torna menos onipotentes e mais tolerantes com nossos erros e acertos.

De olho na trapaça

Segundo a psicóloga Pauline Clance, da Universidade do Estado da Geórgia, em Atlanta, o sentimento subjetivo de ser um farsante, em geral, surge pela primeira vez no início dos estudos universitários ou, ainda com mais frequência, no começo da vida profissional - uma fase em que mesmo pessoas acostumadas ao sucesso precisam lidar com exigências mais intensas. Muitas vezes, quem atravessou o período escolar sem grande esforço não aprendeu a se preparar adequadamente para situações que dependem de seu desempenho e a atribuir seu sucesso à própria capacidade.


Alguns especialistas se perguntam, entretanto, se as pessoas com síndrome do impostor realmente fingem ser mais do que são - o que, em parte, justificaria seu sentimento de estar enganando as pessoas. O psicólogo Joseph Ferrarri, da Universidade DePaul, investigou essa questão e constatou que os impostores imaginários tendiam menos a cometer atos fraudulentos do que as pessoas do grupo de controle que não se consideravam trapaceiras.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Síndrome do Impostor_1/4

Primeira postagem da série com 4 postagens, publicada na Revista Mente & Cérebro, edição especial n° 213, de outubro/2010, por Birgit Spinath - Professora de psicopedagogia da Universidade de Heidelberg-Alemanha.

Muita gente acredita que não merece o sucesso, mesmo quando trabalhou duro para atingir seus objetivos e é reconhecida por suas realizações. Essas pessoas, na maioria mulheres, sentem-se farsantes e convivem com o medo constante de que o suposto engodo seja descoberto.

Foi realmente uma prova excelente. Você não quer iniciar seus créditos de pós-graduação sobre esse tema? Passe em minha sala para uma conversa." Assim a professora se despede de Lina após sua prova final do ano letivo. A matemática recém-formada, no entanto, não consegue se alegrar com o elogio. Em sua cabeça circula um turbilhão: "Essa professora é realmente simpática, e ela só me perguntou coisas fáceis. Foi sorte! Agora eu preciso evitar uma conversa mais técnica ou ela ainda vai perceber que só blefei - e vai descobrir que sei muito pouco, bem menos do que deveria!" Lina fica remoendo esses pensamentos até ter certeza: apesar de ter obtido excelente nota nos exames, não vai aceitar a oferta da professora em hipótese alguma.

Aprovada com louvor na prova para a qual estudou muito, a jovem sente-se uma farsante. Lina é atormentada pela "Sindrome do Impostor". Pessoas afetadas por esse fenômeno não acreditam que seus sucessos possam ser atribuídos à sua própria capacidade. Em alguns casos, estão convencidas que a boa avaliação de seu desempenho deve-se apenas ao seu charme ou a seus relacionamentos. Em outros, convencem-se de que foram beneficiadas simplesmente por um feliz acaso. Mas com frequência comparam-se a outras pessoas e duvidam da própria capacidade. Curiosamente, essas ideias surgem com frequência em pessoas com bom currículo e até com histórico de ótimos desempenhos.

Trata-se inicialmente da tendência a não se considerar responsável por resultados positivos, atribuindo-os a circunstâncias externas. Pessoas com essa síndrome, porém, vão além: elas se sentem realmente impostoras que obtiveram sucesso por meio de fraude e não o mereceram. E, por causa disso, vivem com o medo constante de que alguém descubra sua suposta farsa.

Nos últimos anos, alguns pesquisadores estudaram características psíquicas daqueles que costumam se torturar com esses pensamentos. O psicólogo Scott Ross, da Universidade DePauw, em Greencastle, no estado americano de Indiana, concluiu em 2001 que as pessoas afetadas pelo sentimento de que são uma fraude, de maneira geral, apresentam baixa autoestima, às vezes disfarçada por atitudes aparentemente arrogantes ou simpatia exagerada. Isso é associado à sensação frequente de medo, sem causa específica, segundo descobriram em 2006 as psicólogas Shamala Kumar e Carolyn Jagacinski, da Universidade Purdue, em West Lafayette, Indiana, ao realizar uma enquete com 130 estudantes.

Em alguns casos, o medo de ser descoberto pode estar associado a distúrbios psíquicos ou deficiências físicas. Em 2002, a psicóloga Naijean Bernard, da Universidade Southern Illinois, em Carbondale, coordenou uma equipe de pesquisadores que examinou quase 200 universitários por meio de questionários. Os estudiosos descobriram uma ligação entre os pensamentos associados à síndrome do impostor e tendências depressivas - uma constatação várias vezes confirmadas nos anos posteriores.