sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Dormir bem, comer melhor_8/8
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Dormir bem, comer melhor_7/8
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Dormir bem, comer melhor_6/8
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Dormir bem, comer melhor_5/8
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Dormir bem, comer melhor_4/8
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Dormir bem, comer melhor_3/8
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Dormir bem, comer melhor_2/8
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Dormir bem, comer melhor_1/8
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Insônia e Depressão podem estar Relacionadas a um mesmo Tipo de Gene

Em um estudo com gêmeos, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, descobriram que univitelinos que sofriam de insônia eram significativamente mais propensos que irmãos não idênticos a desenvolver transtornos depressivos. No entanto, não foram identificados genes envolvidos no surgimento dos dois distúrbios.
A pesquisa, no entanto, reforça a hipótese de que ambos têm origem genética. É provável que a resposta esteja nas informações que determinam a produção dos neurotrasmissores serotonina e noradrenalina, que agem tanto no ciclo do despertar do sono quanto na regulação do humor.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
A publicidade de bebidas alcoólicas
Folha de São Paulo
JOÃO LOPES GUIMARÃES JÚNIOR e ILANA PINSKY
Parece legítimo questionar se cervejarias devem ter direito irrestrito de bombardear crianças e adolescentes com um forte assédio publicitário
Entre as cinco intervenções propostas em artigo recente da publicação "The Lancet" para lidar com a crise mundial de doenças não transmissíveis está a redução do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. No Brasil, dados divulgados pelo Ministério da Saúde em abril mostram o aumento do percentual dos que bebem em excesso.
Diversos especialistas em saúde pública alegam ser impossível conceber uma política pública para reverter essa alarmante situação sem combater o estímulo exercido pela publicidade, especialmente a de cerveja, que associa seu consumo a imagens e situações atraentes, divertidas, bonitas ou eróticas.
Veiculada com impressionante frequência, especialmente na TV, a publicidade é capaz de interferir na liberdade de decisão de adolescentes e jovens adultos, por serem eles mais vulneráveis. No entanto, a proposta de proibir a publicidade de cerveja como medida útil para reduzir o alcoolismo vem provocando reação de s etores publicitários e de mídia, que alegam tratar-se de cerceamento de sua liberdade de expressão ou censura.
Será que esses setores corporativos têm razão? A interferência do Estado na economia não é novidade nem arbitrária; é bem-vinda como resultado da evolução do direito para conciliar o capitalismo com a promoção do bem-estar social.
Ora, como promover a saúde e o meio ambiente, por exemplo, sem controlar (quando possível) certas atividades que comprovadamente causam doenças ou poluem?
A imposição de algumas restrições às empresas se justifica, portanto, quando orientadas a proteger eficientemente e na justa medida interesses sociais valiosos.
A lógica é simples: o sacrifício de um direito passa a ser aceitável quando resultar na proteção de outro considerado mais relevante.
Parece-nos legítimo questionar se as cervejarias devem ter direito irrestrito a bombardear crianças e adolescentes com todo tipo de assédio publi citário -altamente sofisticado e persuasivo-, quando argumentos consistentes demonstram a gravidade dos problemas de saúde pública causados pelo álcool e a influência da publicidade sobre esses consumidores. Será que interesses empresariais devem, nesse caso, se sobrepor a interesses sanitários?
Ainda que se reconheça sua importância, a publicidade não pode gozar da mesma proteção legal que merecem as manifestações artísticas, literárias, políticas ou jornalísticas, pois os valores que justificam a defesa intransigente destas absolutamente não estão presentes na mensagem de fim comercial.
Cabe lembrar que, desde 1996, restringiu-se a propaganda de bebidas de alto teor alcoólico, sem que fosse abalado o prestígio de nossa democracia (quem não se lembra do famoso slogan que espalhava pelos meios de comunicação de massa o conceito de que beber cachaça era "uma boa ideia"?).
O que é inadmissível, em uma sociedade verdadeiramente democrática, é a prevalência de interesses econômicos quando está em jogo a saúde de jovens que são persuadidos diariamente a consumir bebidas alcoólicas.
JOÃO LOPES GUIMARÃES JÚNIOR é procurador de Justiça; foi promotor de Justiça do Consumidor.
ILANA PINSKY, psicóloga, é vice-presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas).
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
A dor da alma dói no corpo_3/3
por Laura Ming
Qual é o risco de não tratar a dor na depressão?
Enorme. É grande a probabilidade de o doente entrar em um círculo vicioso infernal. O cérebro funciona graças a uma rede precisa de conexões, em que um circuito depende de outro. Na depressão, alguns desses circuitos funcionam mal, o que leva à falta de vitalidade, aos problemas de sono e à dor, entre outros sintomas. Se apenas parte desses circuitos é tratada, é grande o risco de o circuito doente prejudicar o equilíbrio dos outros. E quanto mais o tempo passa, pior. Os circuitos responsáveis pela sensação de dor são diabólicos. Se não forem cortados, eles se fortalecerão. É como um músculo. Se usamos a musculatura, ela enrijece. Do contrário, atrofia. Uma pessoa que sente dor durante muito tempo tem circuitos de dor viciados e terá mais dificuldade de ser tratada.
Há casos em que o tratamento se torna inviável?
Para metade dos pacientes que me procuram, os remédios já não funcionam. É tarde demais: a área cerebral responsável por receber a informação de dor está danificada. É como se os circuitos cerebrais da dor estivessem “queimados”. A medicina ainda não descobriu como reverter esse quadro. O máximo a que se chegou até hoje foi uma redução no desconforto causado por essa dor.
Mas diminuir os sintomas já não é um avanço?
Na psiquiatria, um medicamento que apresente melhora de 50% dos sintomas já é aprovado pra tratamento. Nossa meta, contudo, deve sempre ser 100%. Do contrário é como se um médico se desse por satisfeito ao transformar a pneumonia de um paciente em tosse crônica. A depressão é uma doença tão complexa que nos habituamos a buscar apenas a diminuição dos sintomas. Com os antidepressivos mais modernos, em muitos casos, já conseguimos livrar o doente de todos os sintomas. Buscar a remissão da depressão é alinhar a psiquiatria com o resto da medicina.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
A dor da alma dói no corpo_2/3
por Laura Ming
Qual a diferença na manifestação da dor decorrente de um quadro depressivo e dos outros tipos de dor?
Nenhuma. Ela pode se manifestar de várias formas – como a provocada por uma gastrite, cefaléia ou lesão muscular. A sensação é a mesma, mas, quando procuramos o que há de errado no organismo do paciente, não encontramos nada. Apesar de se manifestar em determinada região do corpo (ou nele todo, como acontece em boa parte dos casos) a dor física da depressão está no cérebro do paciente, onde é processada equivocadamente. Dadas as suas características, muitas vezes, o paciente não acredita quando o médico diz que aquele sofrimento físico pode ser sintoma de depressão. A dor causada pela depressão é muito semelhante à chamada dor-fantasma, comum entre os amputados. Uma pessoa que perdeu a perna, por exemplo, pode sentir o pé doer. Isso acontece porque os circuitos da medula espinhal, responsáveis pela transmissão dos estímulos entre o pé e o cérebro, ainda estão lá, funcionando. A percepção da dor é no pé – e não no cérebro.
Analgésicos, portanto, não resolvem o problema.
Não. Esses remédios funcionam bem para uma dor de dente, por exemplo. Normalmente, o cérebro envia estímulos nervosos pela medula espinhal para inibir as sensações consideradas irrelevantes. Não percebemos, por exemplo, quando piscamos ou estamos digerindo o almoço. Existe a sensação, mas o cérebro a interpreta como inútil, não a processa e, portanto, não a sentimos. Quer ver outro exemplo desse mecanismo cerebral? Se eu levar um tiro e precisar fugir, só vou sentir dor quando estiver a salvo. O organismo me protege contra essa dor em defesa da minha sobrevivência. Essa inibição é resultado de um processo químico que se intensifica em situações de emergência. Na depressão, esse processo fica enfraquecido. Ou seja, o paciente sente dor sem que haja estímulo doloroso.
Do ponto de vista evolucionista, até determinado grau, a dor é útil por funcionar como um alerta para o organismo de que algo não vai bem. A dor não teria também essa função na depressão?
Não. O que acontece é que, muitas vezes, por causa da dor, o paciente procura ajuda médica. Quando o especialista tem em mente que esse pode ser um sintoma de depressão, ele pode faze o diagnóstico correto, depois de descartar outras causas possíveis. Em geral, o sofrimento emocional é carregado de estigma. As pessoas têm vergonha de admitir suas angústias e aflições. Parece mais digno dizer que está com dor no pescoço do que dizer que a vida perdeu o sentido. O problema é que a maioria dos médicos não foi treinada para enxergar além da queixa física. Mesmo os psiquiatras têm dificuldade de perceber o que está acontecendo. Em geral, os psiquiatras tem medo da dor física porque não sabem o que fazer com ela. Eles precisam entender que isso faz parte da depressão.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A dor da alma dói no corpo_1/3
Há 30 anos, motivado pelas queixas constantes de seus pacientes, o psiquiatra americano Stephen Stahl, de 59 anos, professor da Universidade da Califórnia, decidiu estudar a relação entre dor física e depressão. Apesar de acometer até 80% dos doentes, um problema raramente á associado ao outro. Especializado em neurologia e farmacologia, ele se dedica a desvendar (e tentar reverter) o desequilíbrio cerebral que faz com que a vida dos deprimidos seja ainda mais penosa. Stahl esteve em São Paulo recentemente para dar uma palestra sobre depressão e dor para médicos brasileiros.
Nessa ocasião, falou a VEJA:
Quando foi estabelecida a relação entre depressão e dor?
No dia a dia dos consultórios, percebíamos que os pacientes deprimidos se queixavam muito de dor – de todos os tipos e intensidades. Vejo isso desde o início da minha carreira, nos anos 80. Por muito tempo, no entanto, eu interpretei essas reclamações como uma fantasia dos doentes. Tenho uma formação acadêmica extensa, especializei-me em neurologia e farmacologia. Olhava para essas queixas com muita desconfiança. Conforme fui me aprofundando nos estudos sobre o cérebro e os circuitos cerebrais, comecei a perceber que estava totalmente enganado. Entendi que os neurotransmissores (substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre os neurônios) envolvidos nos quadros depressivos estavam associados também à sensação de dor e poderiam ser afinados com medicamentos, tal qual um músico afina seu instrumento. Fiquei com muita vergonha ao descobrir que as queixas de meus pacientes eram reais. Em meados dos anos 90, surgiram os antidepressivos com ação em seretonina e noradrenalina (neurotransmissores associados à sensação de bem-estar). Pudemos perceber então que os pacientes relatavam uma melhora no quadro da dor. Essa é a prova de que algumas dores são decorrentes do mau funcionamento dos neurotransmissores. Hoje tento passar esse aprendizado para os médicos mais jovens, para que eles não cometam o mesmo erro que cometi no passado. É assim que a medicina funciona, mudando paradigmas.
Por que até hoje o diagnóstico da dor física associada à depressão é tão difícil?
Nos manuais de medicina, os sintomas da depressão são os seguintes: perda de vitalidade ou de interesse pela vida, dificuldade de concentração, sentimento de culpa, problemas de sono (excesso ou falta dele), pensamentos ou atos suicidas, fadiga, alterações de apetite e peso (tanto ganho quanto perda), comprometimento da habilidade psicomotora (agitação ou lentidão). Nenhum deles está associado à dor. Se um paciente me procura reclamando de insônia, tristeza e dor, não adianta nada eu só tratar a insônia e a tristeza, como a maioria dos psiquiatras faz. O conceito de remissão, de cura completa, prevê o desaparecimento de todos os sintomas depressivos. Oito de cada dez pacientes com depressão moderada ou grave apresentam algum tipo de dor, em maior ou menor grau. Ou seja, estamos falando de milhões de pessoas em todo o mundo que não se recuperam do quadro depressivo completamente, porque continuam a sentir um sintoma que não é reconhecido como do âmbito da doença.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Miguel Chalub: "O homem não aceita mais ficar triste".
Adriana Prado

Chalub afirma que muitos médicos se rendem aos laboratórios farmacêuticos e Indicam antidepressivos sem necessidade.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que a depressão será a doença mais comum do mundo em 2030 – atualmente, 121 milhões de pessoas sofrem do problema. Para o psiquiatra mineiro Miguel Chalub, 70 anos, há um certo exagero nessas contas. Ele defende que tanto os pacientes quanto os médicos estão confundindo tristeza com depressão. “Não se pode mais ficar triste, entediado, porque isso é imediatamente transformado em depressão”, disse em entrevista à ISTOÉ.
Professor das universidades Federal (UFRJ) e Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ele afirma que os psiquiatras são os que menos receitam antidepressivos, porque estão mais preparados para reconhecer as diferenças entre a “tristeza normal e a patológica”. Mas o despreparo dos demais especialistas não seria o único motivo do que o médico chama de “medicalização da tristeza”. Muitos profissionais se deixam levar pelo lobby da indústria farmacêutica. “Os laboratórios pagam passagens, almoços, dão brindes. Você, sem perceber, começa a fazer esse jogo.”
Istoé:
- Por que tantas previsões alarmantes sobre o aumento da depressão no mundo?
Miguel Chalub:
- Porque estão sendo computadas situações humanas de luto, de tristeza, de aborrecimento, de tédio. Não se pode mais ficar entediado, aborrecido, chateado, porque isso é imediatamente transformado em depressão. É a medicalização de uma condição humana, a tristeza. É transformar um sentimento normal, que todos nós devemos ter, dependendo das situações, numa entidade patológica.
- Por que isso aconteceu?
Miguel Chalub:
- A palavra depressão passou a ter dois sentidos. Tradicionalmente, designava um estado mental específico, quando a pessoa estava triste, mas com uma tristeza profunda, vivida no corpo. A própria postura mostrava isso. Ela não ficava ereta, como se tivesse um peso sobre as costas. E havia também os sintomas físicos. O aparelho digestivo não funcionava bem, a pele ficava mais espessa. Mas, nos últimos anos, a palavra depressão começou a ser usada para designar um estado humano normal, o da tristeza. Há situações em que, se não ficarmos tristes, é um problema – como quando se perde um ente querido. Mas o homem não aceita mais sentir coisas que são humanas, como a tristeza.
- A que se deve essa mudança?
Miguel Chalub:
- Primeiro, a uma busca pela felicidade. Qualquer coisa que possa atrapalhá-la tem que ser chamada de doença, porque, aí, justifica: “Eu não sou feliz porque estou doente, não porque fiz opções erradas.” Dou uma desculpa a mim mesmo. Segundo, à tendência de achar que o remédio vai corrigir qualquer distorção humana. É a busca pela pílula da felicidade. Eu não preciso mais ser infeliz.
- O que diferencia a tristeza normal da patológica?
Miguel Chalub:
- A intensidade. A tristeza patológica é muito mais intensa. A normal é um estado de espírito. Além disso, a patológica é longa.
- Quanto tempo é normal ficar triste após a morte de um ente querido, por exemplo?
Miguel Chalub:
- Não dá para estabelecer um tempo. O importante é que a tristeza vai diminuindo. Se for assim, é normal. A pessoa tem que ir retomando sua vida. Os próprios mecanismos sociais ajudam nisso. Por que tem missa de sétimo dia? Para ajudar a pessoa a ir se desonerando daquilo.
- Quais são os sintomas físicos ligados à depressão?
Miguel Chalub:
- Aperto no peito, dificuldade de se movimentar, a pessoa só quer ficar deitada, dificuldade de cuidar de si próprio, da higiene corporal. Na tristeza normal, pode acontecer isso por um ou dois dias, mas, depois, passa. Na patológica, fica nas entranhas.
- Ainda há preconceito com quem tem depressão?
Miguel Chalub:
- Não. É o contrário. A vulgarização da depressão diminuiu o preconceito, mas criou outro problema, que é essa doença inexistente. Antes, a pessoa com depressão era vista como fraca. Hoje, as pessoas dizem que estão deprimidas com a maior naturalidade. Não se fica mais triste. Se brigar com o marido, se sair do emprego, qualquer motivo é válido para se dizer deprimido. Pode até ser que alguém fique realmente com depressão, mas, em geral, fica-se triste. O sofrimento não significa depressão. E não justifica o uso de medicamentos.
- Os médicos não deveriam entender este processo?
Miguel Chalub:
- Os médicos não estão isentos da ideologia vigente. O que acontece é: você vem ao meu consultório. Eu acho que você não está deprimido, que está só passando por uma situação difícil. Então, proponho que você faça um acompanhamento psicoterápico. Você não fica satisfeito e procura outro médico, que receita um antidepressivo. Ele é o moderno, eu sou o bobão. Para não ser o bobão, eu receito um antidepressivo logo. É uma coisa inconsciente.
Istoé:
- Inconsciente?
Miguel Chalub:
- Os médicos querem corresponder à demanda. Senão, o paciente sairá achando que não foi bem atendido. Receitando um antidepressivo, eles correspondem à demanda, porque a pessoa quer ser enquadrada como deprimida. Mas há a questão dos laboratórios. Eles bombardeiam os médicos.
- A ponto de influenciar o comportamento deles?
Miguel Chalub:
- Se for um médico com boa formação em psiquiatria, mesmo que não seja psiquiatra, ele saberá rejeitar isso, mas outros não conseguem. Eles se baseiam nos folhetos do laboratório. Não é por má-fé. Os laboratórios proporcionam muitas coisas. Pagam passagens, almoços, dão brindes. O médico, sem perceber, começa a fazer o jogo. Porque me pagaram uma passagem aérea ou me deram um laptop, acabo receitando o que eles estão querendo.
- O médico se vende?
Miguel Chalub:
- Sim. Por isso é que há uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibindo os laboratórios de dar brindes aos médicos. Nenhum laboratório suborna médico, não que eu saiba, nem vai chegar aqui e dizer: “Se você receitar meu remédio, vou lhe dar uma mensalidade.” Mas eles fazem esse tipo de coisa, que é subliminar. O médico acaba tão envolvido quanto se estivesse recebendo um suborno realmente.
- Esse lobby é capaz de fazer um médico receitar certo remédio?
Miguel Chalub:
- Aí é a demanda e a lei do menor esforço. Se o paciente chegar se queixando de insônia, por exemplo, o que o médico deveria fazer era ensiná-lo como dormir. Ou seja, aconselhar a tomar um banho morno, um copo de leite morno, por exemplo. Mas é mais fácil, tanto para o paciente quanto para o médico, receitar um remédio para dormir.
- Os demais especialistas também receitam remédios psiquiátricos, não?
Miguel Chalub:
- Quem mais receita antidepressivos não são os psiquiatras, são os demais especialistas. Os psiquiatras têm uma formação para perceber que primeiro é preciso ajudar a pessoa a entender o que está se passando com ela e depois, se for uma depressão mesmo, medicar. Agora, os outros, não querem ouvir. O paciente diz: “Estou triste.” O médico responde: “Pois não”, e receita o remédio. Brinco dizendo o seguinte: se você for a um clínico, relate só o problema clínico. Dor aqui, dor ali. Não fale que está chateado, senão vai sair com um antidepressivo. É algo que precisamos denunciar.
- Os psiquiatras deveriam ser os únicos autorizados a receitar esse tipo de medicamento?
Miguel Chalub:
- Não acho que seja motivo para isso. Os outros especialistas têm capacidade de receitar, desde que não entrem nessa falácia, nesse engodo.
- Mas os demais especialistas estão capacitados para receitar essas drogas?
Miguel Chalub:
- Em geral, não.
- É comum o paciente chegar ao consultório com um “diagnóstico” pronto?
Miguel Chalub:
- É muito comum. Uma vez chegou um paciente aqui que se apresentou assim: “João da Silva, bipolar”. Isso é uma apresentação que se faça? Quase respondi: “Miguel Chalub, unipolar”. É uma distorção muito séria.
- O acesso à informação, nesse sentido, tem um lado ruim?
Miguel Chalub:
- A internet é uma faca de dois gumes. É bom que a pessoa se informe. A época em que o médico era o senhor absoluto acabou. Mas a informação via Google ainda é precária. Muitas vezes, a depressão, por exemplo, é ansiedade. Mas as pessoas não querem conviver com a ansiedade, que é uma coisa desagradável, mas que também faz parte da nossa humanidade. Tenho uma paciente que disse: “Ando com um ansiolítico na bolsa. Saí de casa, me aborreci, coloco ele para dentro.” Então é isso? Se alguém me fala algo desagradável, eu tomo um ansiolítico? Isso é uma verdadeira amortização das coisas.
- O que causa a depressão?
Miguel Chalub:
- Esse é um dos grandes mistérios da medicina. A gente não sabe por que as pessoas ficam deprimidas. O mecanismo é conhecido, está ligado a uma substância chamada serotonina, mas o que o desencadeia, não sabemos. Há teorias, ligadas à infância, a perdas muito precoces, verdadeiras ou até imaginárias – como a criança que fica aterrorizada achando que vai perder os pais. As raízes da depressão estão na infância. Os acontecimentos atuais não levam à depressão verdadeira, só muito raramente. Justamente o contrário do que se imagina. Mas mexer na infância é muito doloroso. Não tem remédio para isso. Precisa de terapia, de análise, mas as pessoas não querem fazer, não querem mexer nas feridas. Então é melhor colocar um esparadrapo, para não ficar doendo, e pronto. É a solução mais fácil.
- O antidepressivo é sempre necessário contra a depressão?
Miguel Chalub:
- Quando é depressão mesmo, tem que ter remédio.
Miguel Chalub:
- O que é felicidade para o sr.?
Miguel Chalub:
- A OMS tem uma definição de saúde muito curiosa: a saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social. Essa é a definição de felicidade, não de saúde. Felicidade, para mim, é estar bem consigo mesmo e com o outro. Estar bem consigo mesmo é também aceitar limitações, sofrimento, incompetências, fracassos. Ou seja, felicidade também é ficar triste de vez em quando.
~ o ~
"É TÃO SOLITÁRIO QUANDO VOCÊ NÃO CONHECE NEM A SI MESMO".
by Red Hot Chilli Peppers
~ o ~
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Ligações entre estresse, ansiedade e depressão

sábado, 28 de agosto de 2010
Ingestão de álcool na gravidez eleva risco de depressão
O repórter
O consumo de álcool na gravidez está relacionado a sofrimento psiquiátrico durante e após a gestação. Segundo o estudo Uso de álcool na gestação e sua relação com sintomas depressivos no pós-parto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, existe uma associação entre o aumento de sintomas depressivos na gravidez e no pós-parto e o aumento de ingestão de bebidas alcoólicas.
A psicóloga Poliana Patrício Aliane, autora do estudo, afirma que não há uma única causa da depressão em gestantes. “São vários fatores de risco que contribuem para um desfecho”, descreve. “Pré-disposição genética, insatisfação na vida pessoal ou na relação conjugal, são alguns desses fatores e o consumo de álcool vem se juntar a eles.”
A pesquisa também indica uma maior prevalência de depressão pós-parto entre as mulheres que tiveram ao menos um binge alcoólico durante a gravidez. O binge é caracterizado pela ingestão de cinco ou mais doses alcoólicas em uma única ocasião, sendo que uma dose contém 12 gramas de álcool puro. “Uma lata de cerveja, por exemplo, contém uma dose de álcool”, descreve Poliana.
O estudo trabalhou na análise de um grupo de 177 mulheres grávidas. A média de consumo encontrada por gestante foi de 163,7 gramas de álcool ou quase 14 doses ao longo dos nove meses de gestação. “Essa é uma quantia elevada se levarmos em conta que o recomendado é que não se consuma nada”, explica Poliana, que ressalta: “Qualquer consumo já impõe um risco à saúde do bebê. Não existe um valor mínimo de segurança.”
Outro novo fator encontrado foi um predomínio de sintomas depressivos ao longo da gestação e não no pós-parto. Do total de gestantes, aproximadamente 20% apresentaram sintomas de depressão durante a gravidez, ante 14,7% que se mostraram deprimidas no pós-parto.
Quadro depressivo
Os sintomas da depressão em qualquer pessoa, seja ou não gestante, podem ser divididos em dois grupos. Os sintomas do grupo principal são um sentimento constante de tristeza e desânimo e a chamada anedonia, caracterizada pela perda de interesse e prazer pelo que antes proporcionava tais sensações. Alterações de apetite e de sono, cansaço excessivo, falta de energia e dificuldade de concentração fazem parte do grupo de sintomas secundários.
Para a depressão ser diagnosticada, o paciente deve apresentar ao menos um sintoma do grupo principal e três ou quatro do secundário. Porém, no caso da depressão pós-parto algumas características particulares podem estar presentes. “Algumas mães passam a ter pensamentos obsessivos e sentimentos ambivalentes acerca do bebê e sentem opressão pela responsabilidade de cuidar dos filhos”, explica Poliana.
O quadro depressivo pode ser superado com tratamento psiquiátrico e psicológico, no qual as possíveis causas envolvidas são exploradas para serem tratadas ou amenizadas. De acordo com o grau da doença, remédios também podem ser prescritos pelo psiquiatra.
Para diminuir o consumo
Atualmente, Poliana trabalha no desenvolvimento de um protocolo de intervenções breves para reduzir o consumo de álcool na gestação. “As intervenções exigem alguma adaptação porque o uso de álcool durante a gravidez traz mais consequências, como maior risco de aborto, de partos prematuros e riscos para o próprio bebê”, explica.
O protocolo ainda está fase de elaboração e é desenvolvido pelo Programa de Ações Integradas para Prevenção e Atenção ao Uso de Álcool e Drogas na Comunidade (PAI-PAD), da FMRP. Em sua tese de doutorado, Poliana pretende verificar a eficácia da intervenção breve na redução do consumo de álcool entre gestantes.
O estudo de Poliana foi orientado pelo professor Erikson Felipe Furtado, do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP, também coordenador do PAI-PAD.
Fonte: UNIAD

