quinta-feira, 24 de junho de 2010

Vuvuzela, não!

É hora de gritar bem alto para impedir a proliferação no Brasil dessa praga insuportável que virou a marca registrada do Mundial da África do Sul


A vuvuzela, o símbolo da Copa da África do Sul, cujo ruído multiplicado lembra o barrir de uma manada de elefantes, incomoda muita gente e faz mal à saúde. Especialistas da Universidade de Pretória comprovaram o risco de perda da audição em exposições prolongadas. Em estudo recente, na véspera do Mundial, eles examinaram onze voluntários antes e depois de uma partida de futebol com público de 30.000 pessoas. O grupo esteve sujeito um pico máximo de 140 decibéis e mínimo de 100 decibéis – patamar maior que 125 decibéis é danoso aos tímpanos. A investigação detectou, em todos os testados, “significativa redução da capacidade auditiva”.

Nos estádios, é péssimo. Pela televisão, pior. Na semana passada, a empresa contratada pela Fifa para gravar os jogos decidiu filtrar parcialmente o som. Mas dura é a vida de quem não pode controlar o áudio. Para Júlio César, goleiro do Brasil, ficar parado debaixo das traves é ingrato. “Os jogadores de linha ao menos se movimentam, e esquecem a zoeira ao redor”, disse a VEJA.

O estrondo internacional produz entusiasmo em Neil van Shalkwyk, dono do registro da marca vuvuzela. Ele diz ter vendido 1,5 milhão de unidades na Europa neste ano. Esperto, já conversa com importadores do Brasil. Vai esbarrar em um problema: o cornetão brasileiro, muito comum, produz o mesmo som e é igualmente irritante. O modelo vendido no país é menor (seu comprimento varia entre 50 e 60 centímetros, contra 1 metro da vuvuzela africana). Melhor seria importar outro produto que se espalhou em Johannesburgo: protetores auriculares, que há quinze dias, custavam menos de 10 rands (2,5 reais) e agora são vendidos a 15 rands. E, melhor ainda, banir o maldito monstro sonoro dos nossos estádios.

QUEM GRITA MAIS ALTO

O som da corneta sul-africana ultrapassa o patamar de segurança para os ouvidos estimado por otorrinolaringologistas (em decibéis – dB). Fonte: Departamento de Patologias da Comunicação (Universidade de Pretória)

Sussuro – 20 dB

Biblioteca – 20 dB

Aspirador de pó – 70 dB

Tráfego pesado – 90 dB

Concerto – 110 dB

Motosserra – 110 dB

Turbina de avião – 120 dB

Vuvuzela – 140 dB

Tiro de revólver – 140 dB

Fonte: Revista Veja de 23/06/2010, pg 92, edição nº 2170

Fábio Altaman, de Johannesburgo

Reportagem de Alexandre Salvador

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Comunicação

Movimentos de golfinhos seguem lógica da linguagem humana




Revista

Mente & Cérebro n° 201, de outubro/2009







A “lei da brevidade” da linguagem, proposta pelo filologista americano George K.Zipf, segundo a qual as palavras usadas com freqüência em determinada língua tendem a ser mais curtas, também se aplica à forma como os golfinhos se movimentam na superfície da água. A constatação vem do estudo publicado na revista Complexity por cientistas da Universidade Politécnica da Catalunha, na Espanha, e da Universidade de Aberdeen, na Escócia.

Pesquisadores observaram que esses cetáceos tendem a realizar movimentos simples, seguindo o mesmo padrão usado pelos humanos para encurtar palavras quando estão falando ou escrevendo. Segundo eles, as observações mostram que essa “economia lingüística” segue os mesmos princípios que governam os sistemas biológicos. “Isso nos leva à conclusão de que as tradicionais barreiras entre as disciplinas do comportamento humano e animal devem ser abolidas”, escrevem os autores.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os Enigmas da Adição

Lya Luft

Revista Veja – Edição 2.168, de 09.06.2010


Já escrevi sobre esse assunto. Escreverei mais vezes. Observadores, vítimas ou especialistas nesse humano drama, rodeiam na ponta dos pés o enigma de tanto sofrimento. Os viciados em qualquer droga (incluo aí a droga lícita chamada álcool), suas famílias, testemunhas da dor e decadência de pessoas amadas, as vítimas de violência no trânsito ou em casa, todos são matéria de reflexão e perplexidade. Livros, seminários, teses e teorias em abundância são elaborados em cima da primeira pergunta: por que nos drogamos? E a outra grande indagação: como nos salvamos – se nos salvamos – e por que isso é tão difícil?

Nem para uma questão nem para a outra há muita explicação ou lógica. Não é errado dizer que nos drogamos para anestesiar angústia, tristeza e frustração; por onipotência juvenil, do tipo “eu sei me cuidar”; por achar que ficamos mais fortes, mais falantes, mais interessantes. A droga cega para os fatos reais, pois bêbados ou impregnados de outra substância somos importunos, chatos, patéticos. Mas não é só isso: existe um componente imponderável, que chamo voz do vórtice sombrio embaixo dessa escada da vida que tantas vezes subimos pelo lado que desce – ele chama para a autodestruição sem freios. A razão de qualquer vício não está n superfície, não é visível. Muitas vezes mesmo para o mais dedicado terapeuta permanece uma enigma, que nem o viciado entende.

Uma vez instalada a audição, o amor da família ou pela família, a ruína financeira, vergonha ou isolamento, pouco adiantam: foi-se o instinto de sobrevivência, último a nos abandonar. Algumas drogas, como o crack (objeto de excelentes campanhas), viciam quase imediatamente. Outras, como o álcool, gozam de criminosa tolerância numa cultura que acha graça nos seus efeitos, ignora seus males e considera natural a propaganda de bebidas, às vezes ligada a esporte ou esportistas. Drogas sintéticas, agora em voga, poriam fim ao poder do traficante, o que não creio. Somos uma geração medicada: remédio para animar, para acalmar, para transar, para sofrer menos, para não sofrer. Para não pensar, talvez: observem mulheres de qualquer classe e idade com aquele típico olhar vazio da “medicada”.

Há quem veja no inocente ritual familiar uma das raízes da tragédia: todo mundo bebe, todo mundo brinda: vinho com água para crianças, champanhe na chupeta do que acaba de ser batizado. Não é tão simples assim. Para os mais ignorantes, o primeiro porre na adolescência é um passo iniciático: um pai.

Divide o cigarrinho de maconha com o filho, achando-se liberal; a mãe finge ignorar os olhos injetados, o fracasso na escola. Nem todos entendem q eu adição, seja de que substância for, não é falta de vergonha ou caráter: é doença grave e sem cura, embora passível de controle. Isso provoca hostilidade, incompreensão e afastamento na família. Além do mais, a maioria dos que bebem ou usam drogas (exceto o crack que cria dependência quase que de imediato) não se vicia o que torna a questão mais complexa ainda: por que uns sim e outros não?

E como nos salvamos? Qualquer adição, para ser superada, exigem um esforço sobre-humano, às vezes pelo resto da existência. A família nem sempre consegui ajudar: o viciado torna-se um estranho, os envolvidos se afastam. Grupos de alcoólicos anônimos e outros são os mais bem-sucedidos, acompanhados de remédios, terapias, quando necessário um período de internação. O medo da morte pode despertar (nem sempre) para a crua realidade: algum novo relacionamento serve de alavanca, se deixar claro: com vício, nada feito.

Os casos de vitória sobre a adição são heróicos: inspiram respeito e admiração; provam que ávida pode superar a morte. Nessa tumultuada arena, a vontade de sair do inferno, o arcaico desejo de sobrevivência, de significado, respeito e reconstrução, às vezes vencem. Ilumina-se o que parecia uma noite definitiva: alguém com alguma ajuda conseguiu abrir a pesada porta para fora dessa prisão, sinal de que outros podem fazer o mesmo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sentidos

Mãos pequenas, sensibilidade

mais aguçada


QUANTO MENOR a área da pele, mais densamente ela é povoada por receptores táteis: execução de tarefas manuais minuciosas costuma ser uma habilidade feminina.



Revista Mente & Cérebro n° 205, pág. 19, de fevereiro de 2010


Resultados de um estudo recém-públicado no The Journal of Neuroscience por cientistas da Universidade McMaster em Ontário, no Canadá, apresentam evidências de que mãos com dedos menores têm sensibilidade tátil mais apurada. A pesquisa explica por que, em geral, mulheres têm maior capacidade de discriminar o toque. Embora os neurocientistas já soubessem da diferença de gênero para esse sentido, só agora foi possível demonstrar que o fator determinante dessa sensibilidade é, na verdade, o tamanho dos dedos. Esse efeito ocorre porque quanto menor a área da pele, mais densamente ela é povoada por receptores táteis, o que a torna mais sensível ao toque. Assim, é possível que homem de mãos pequenas tenha os dedos mais sensíveis do que mulher de mãos grandes.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Inclusão Social










Visitas guiadas para pessoas com deficiência


Revista Mente & Cérebro n° 207, de abril/2010, pág. 9


O Theatro José de Alencar (TJA), em Fortaleza, é o primeiro do país a ter um projeto completo de tradução e acessibilidade para pessoas com deficiência. Com programa de visitas guiadas, tradução e outros recursos, o espaço promove a inclusão no universo lúdico do teatro. A autodescrição, por exemplo, é uma técnica de narração adicional que descreve a ação, a linguagem corporal, as expressões faciais, os cenários e os figurinos durante o espetáculo, o que pode se extremamente útil para aqueles que não enxergam. A tradução é colocada entre os diálogos e não interfere nos efeitos musicais e sonoros do espetáculo. Com o projeto, os visitantes com deficiência têm a oportunidade de “ser apresentados” a pinturas, cores e formas encontradas no pátio, no hall, no palco principal, no jardim e no porão do teatro.

As visitas são marcadas todo dia 17 de cada mês, das 8 às 16 h, e devem ser agendadas. O público é acompanhado por voluntários do Grupo Legendagem e Audiodescrição (Lead), do Curso de Letras e Mestrado em Lingüística da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e do Grupo de Acessibilidade da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS).

Informações: tja@secult.ce.gov.br ou (85) 3101-2583.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Doenças Crônicas

Meditação “engrossa” o cérebro

para reduzir a dor

Revista Mente & Cérebro n° 207, de abril/2010, pág. 18


Pesquisas já mostraram que a prática da meditação zen pode reduzir o limiar de sensibilidade à dor, o que é particularmente interessante para pessoas que sofrem de doenças crônicas como artrite reumatoide ou fibromialgia. O mecanismo que explica esse efeito foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá. Por meio de técnicas de neuroimageamento, os cientistas observaram que uma estrutura central do

Cérebro – o córtex cingulado anterior – é mais volumosa nos adeptos da prática budista do que em pessoas que nunca meditaram. Essa área cerebral não só é responsável pelo processamento dos estímulos dolorosos como participa da emoção e da tomada de decisões. O estudo foi publicado na revista Emotion.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Efeito Lúdico












Palhaços contra a ansiedade pré-operatória

PREOCUPAÇÃO SOB CONTROLE: “terapia do riso” é tão eficaz quanto tratamento com fármacos em crianças antes da cirurgia, revelam resultados de pesquisa.

Revista Mente & Cérebro n° 205, pág. 22, de fevereiro/2010


Ter a companhia de palhaços antes de uma cirurgia reduz a ansiedade de crianças entre 3 e 8 anos tanto quanto uma dose de medicamento ansiolítico. Essa é a conclusão de um grupo de cientistas da Universidade de Tel Aviv, em Israel. Eles dividiram os pacientes em três grupos: um deles recebeu uma dose do analgésico midalozan 30 minutos antes da cirurgia; o segundo teve a visita de dois palhaços em três momentos: na chegada à ala pré-operatória do hospital, durante a entrada na sala de cirurgia e na aplicação da máscara de anestesia. No grupo-controle nenhum medicamento ansiolítico foi usado. Publicados na revista Pediatric Anaesthesia, os resultados mostraram que a terapia farmacológica foi tão eficaz quanto a lúdica e que ambas são melhores que qualquer outro tratamento. O estudo fornece bons argumentos par que hospitais invistam mais em projetos como Doutores da Alegria.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aprendendo a Aprender

A escola do futuro será fonte de alimento para corpo e mente, uma comunidade meritocrática mas libertária, em que alunos e mestres se eduquem mutuamente.

Por Sidarta Ribeiro

Revista Mente & Cérebro n° 205, de fevereiro/2010, pág. 26



De onde vêm as desigualdades sociais? Uns enfatizam as diferenças individuais, pois com talento e esforço pessoas de origem humilde podem enriquecer, enquanto filhos de milionários fracassarão se forem inaptos.

Outros crêem que o destino de cada um reflete as chances tidas ou perdidas para desenvolver talentos. O bebê ao nascer sabe chorar, respirar, mamar, excretar, dormir e aprender.

E é justamente aí que se replicam as diferenças sociais, pois as oportunidades de aprender são desiguais entre as classes. Crianças pobres raramente moram em ambientes seguros e instigantes. Muitas escolas são apenas o refeitório da prole. O pacto proposto em novembro de 2009 pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) é que educação seja estratégia política de Estado e não de governos circunstanciais. A revolução que o novo milênio reclama passa pela democratização das oportunidades de aprendizado.

A escola do futuro será fonte de alimento para corpo e mente, uma comunidade meritocrática mas libertária, em que alunos e mestres se eduquem mutuamente e valorizem a criatividade tanto quanto o trabalho árduo. Motivado a explorar um cardápio variado de ciências, humanidades, artes e esportes, todo aluno poderá descortinar seu universo particular de possibilidades, escolhendo o caminho que tiver melhor sabor.

Embora tal futuro esteja longe, progredimos. O bolsa-família inibe com eficácia o trabalho infantil que causa evasão escolar. Uma idéia interessante é a remuneração extra em função do desempenho acadêmico, favorecendo que filhos e pais se interessem pela qualidade do aprendizado. Embora isso soe menor que as recompensas intelectuais e estéticas do conhecimento, muitas famílias simplesmente não vêem na escola o melhor caminho para realizar sonhos.

Para que a instituição cumpra esse papel, é necessário dar aos professores bons salários e ótima formação continuada. Todo jovem precisa ter acesso adequado ao computador e à internet, num ambiente fértil que incite a descoberta, a transformação e a socialização. É preciso nutrir a autoestima, a curiosidade, o rigor e a ética, bem como certa irreverência diante do que se presume sabido. Empolgante aplicação desses princípios ocorre nas unidades da Escola Alfredo Monteverde, no Rio Grande do Norte, que recebem gratuitamente mil alunos da rede pública em turno complementar para uma imersão crítica na ciência.

Para que a revolução se complete precisamos ainda formar pesquisadores capazes de compreender melhor as bases biológicas, psicológicas e pedagógicas do aprendizado humano. Com esse objetivo, realiza-se em março o curso Primeira Escola Latino-americana de Ciências Educacionais, Cognitivas e Neurais, que reunirá, no Chile, 37 especialistas mundiais e 50 alunos de pós-graduação interessados em aperfeiçoar e criar métodos de ensino com base em evidências empíricas, isto é, testados de forma quantitativa em salas de aula.

Como membro do comitê organizador desse grupo, espero aprender mais sobre o aprender.

SIDARTA RIBEIRO é neurobiólogo com Ph.D. pela Universidade Rochefeller e pós-doutorado pela Universidade Duke. Atualmente é chefe de laboratório do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) e professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde investiga as bases neurais do aprendizado, comunicação, sono e sonhos.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Bicho no Lugar do Terapeuta

por Sabine Althussen,
mestre em psicologia clínica pela USP.


Fonte: Revista Mente & Cérebro n° 208, de maio/2010.








Ao longo dos séculos, os animais sempre estiveram próximos do homem, participando de atividades de caça, tração, locomoção, pastoreio, guarda e companhia. Esses vínculos com bichos de estimação transformaram tanto o estilo de vida das pessoas quanto os hábitos dos bichos (embora na maioria das vezes eles sejam vítimas do ser humano). Nas últimas décadas, porém, surgiu um dado novo: o crescente interesse científico pelo estudo do potencial terapêutico dessa interação. Várias possibilidades de intervenção com a participação de animais têm aberto perspectivas de uso de recursos terapêuticos auxiliares para os profissionais da saúde e da educação. Atualmente, muitos reconhecem que em geral os cães reúnem características que facilitam a aproximação com pacientes, como disponibilidade para oferecer carinho, o que desperta o afeto nos seres humanos e instiga o desejo de cuidar do outro – ainda que esse outro seja um cão.

O primeiro relato da participação de animais em tratamento de saúde na sociedade ocidental contemporânea é do final do século XVIII, na Inglaterra. O Retiro de York, instituição psiquiátrica que empregava métodos terapêuticos considerados mais humanos para a época, mantinha coelhos, gaivotas, falcões e aves domésticas nos pátios e jardins frequentados pelos pacientes. Essas criaturas eram, geralmente, muito familiares, e acredita-se que, muito mais que um prazer inocente, despertavam sentimentos de sociabilidade e benevolência nos internos.



No século XIX houve um grande crescimento da participação de animais nas instituições mentais de vários países. Mais tarde, quando os primeiros textos científicos começaram a ser publicados, tal prática já não era tão rara. Em 1944, James Bossard escreveu um artigo sobre o papel dos animais domésticos na família, em especial para crianças pequenas. Mas foi na década de 60 que o psicólogo americano Boris M.Levinson iniciou uma série de estudos de situações clínicas nas quais a presença do animal era fundamental no processo terapêutico. Um cachorro, por exemplo, poderia satisfazer a necessidade humana de lealdade, confiança e obediência. A relação da criança com o animal permite nuances num nível intermediário, que diferem das interações estabelecidas com pessoas e objetos inanimados. Afinal, ainda nos primeiros anos é possível perceber que brinquedos não podem dividir sentimentos, pois não são viso, não crescem nem respondem. Segundo Levinson, diferentemente da relação que estabelece com a boneca, a criança pode conceber o animal como parte de si mesma, de sua família, capaz de passar pelas mesmas experiências que vive. Esse relacionamento oferece ao pequenos a possibilidade de se expressar com mais liberdade.

Posteriormente aos estudos de Levinson, merecem destaque as pesquisas dos psiquiatras Samuel e Elizabeth Corson. Na década de 80, eles usaram cães na psicoterapia em instituições psiquiátricas. A experiência foi realizada com 50 pacientes com alto grau de introversão que não respondiam ao tratamento convencional e relutavam em estabelecer contatos. Apenas três deles não apresentaram melhoras em seu estado clínico . Os demais desenvolveram gradualmente, desejo de independência, sentimento de autoestima e senso de responsabilidade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Internet favorece agilidade mental de idosos

Neuroimageamento revela que após experiência tecnológica atividades de algumas regiões cerebrais aumentam


Não importa a idade nem a experiência prévia com mouse e teclado, o uso da internet faz bem ao funcionamento cerebral – e os resultados já aparecem depois de poucas semanas de treino. É o que constata um estudo realizado por neurocientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles apresentado na última reunião da Sociedade de Neurociências, em Chicago. Eles acompanharam um grupo de 24 pessoas saudáveis de 55 a 78 anos, sem familiaridade com computadores. Elas passaram por duas semanas de treino, nas quais fizeram exercícios de navegação e busca na internet durante uma hora todos os dias. Sua atividade cerebral foi analisada duas vezes, antes e depois do experimento, por meio de ressonância magnética funcional. Os resultados foram comparados aos de outro grupo que já usava computador diariamente. O neuroimageamento revelou que, após a experiência tecnológica, houve aumento da atividade de regiões do cérebro responsáveis pela linguagem, leitura, memória, habilidades visuais e tomadas de decisão. Além disso, o nível de atividade cerebral se equiparou ao do grupo que já lidava com computadores cotidianamente.

Fonte: Revista Mente e Cérebro, 15 de Janeiro de 2010, nº 204
Fonte da Imagem: © monkey business images/shutterstock

Comentário:

Sempre que puderem, as pessoas com mais de 50 anos, não só devem fazer uso da internet, mas também ter uma ocupação, um trabalho, leitura, aprender línguas, fazer palavras cruzadas e jogos do tipo xadrez, com uma certa disciplina em relação a horário. Também é recomendável ter compromissos sociais e praticar atividades físicas. Manter sempre uma atividade mental contribui para retardar ou até evitar as temidas demências (Alzheimer) das pessoas idosas.