segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Profissão: A Importância da Escolha_1/6

por Luiz Arnaldo Stevanato

Professor universitário, consultor de RH e psicólogo

Matéria dividida 6 postagens, nos dias 15, 17, 19, 22, 24 e 26 de Agosto.

A escolha da carreira profissional é um dos momentos mais importantes da vida humana. Através de seu trabalho o ser humano s manifesta, se define e se desenvolve.

Sem trabalho toda vida apodrece. Mas, sob um trabalho sem alma, a vida sufoca e morre” (Albert Camus)


Definitivamente o trabalho ocupa um papel de destaque na existência humana. A realização profissional mantém uma estreita relação com a realização pessoal. Por outro lado, uma vida profissional desprazerosa, muito provavelmente estará associada a uma existência pobre de sentido. Seja como fonte de prazer ou sofrimento, o Trabalho ocupa importante posição de foco orientador da existência humana. Muito da identidade do indivíduo é dado pelas opções profissionais que ele faz.

Em seu sentido positivo, o trabalho se constitui como o meio privilegiado de expressão da humanidade. É através do trabalho que ela tenta realizar seus desejos e seus sonhos. O trabalho permite ao ser humano imprimir sua marca na história e na cultura. E é através do trabalho que a humanidade constrói o que convencionamos chamar de civilização.

Um simples vaso de barro feito por um artesão de uma antiga civilização quando é descoberto por uma arqueólogo, é percebido como um símbolo da inteligência e da ação transformadora do homem, que é capaz de deixar suas marcas para além da sua fugaz existência individual.

Da mesma forma que as descobertas arqueológicas dizem muito sobre as antigas civilizações, as opções em termos de carreira dizem muito sobre o indivíduo. Ao decidir por uma profissão ele está escolhendo o meio privilegiado através do qual irá expressar seus valores e habilidades, bem como satisfazer suas necessidades.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Beber muita cerveja aumenta o risco de câncer de estômago

Quem costuma abusar da cerveja tem um novo motivo para mudar seus hábitos. Cientistas descobriram que bebedores frequentes de cerveja ​​têm mais chances de desenvolver câncer no estômago, principalmente se eles possuírem uma determinada variante genética.

Pessoas que bebem de duas a três cervejas por dia durante muitos anos possuem um risco 75% maior de câncer gástrico. Quem tem a variante de gene chamado rs1230025, mesmo não sendo bebedor contumaz, é 30% mais propenso a sofrer da doença em comparação com pessoas que bebem menos de uma cerveja diariamente, segundo o estudo.

“Por sua vez, quem é bebedor crônico de cerveja e ainda ​​possui o rs1230025 corre um risco 700 vezes maior de desenvolver câncer de estômago em comparação com as pessoas sem a variação do gene que consomem menos de um drinque por dia”, afirma Eric Duell, epidemiologista do Instituto Catalão de Oncologia, em Barcelona, ​​Espanha. A variação do gene é comum e está presente em cerca de 20% da população em geral, informa.

Vinho e licor não parecem trazer os mesmos riscos, lembra Duell.

“O câncer parece estar mais ligado ao álcool especificamente da cerveja”, diz. Isso pode ocorrer porque bebedores contumazes são mais propensos a exagerar na cerveja do que em outras bebidas alcoólicas.

Os resultados são correlacionados, ou seja, existe uma relação entre o ato de beber cerveja e o risco de câncer de estômago, mas não se chegou à conclusão de que um causou o outro ou se há outro fator desconhecido na história.
Duell e seus colegas analisaram o consumo de álcool de 521 mil pessoas entre 35 e 70 anos que faziam parte da Perspectiva de Investigação Europeia em Câncer e Nutrição entre os anos de 1992 e 1998. Os pesquisadores observaram se os participantes do estudo consumiam vinho, cerveja ou outras bebidas alcoólicas regularmente, bem como a localização e a severidade do câncer de estômago, se houvesse.

Descobriu-se que as pessoas que consumiam mais de 60 gramas de álcool (o equivalente a quatro ou cinco cervejas) por dia tinham um risco 65% maior de desenvolver a doença no período do estudo do que pessoas que consumiam regularmente de 0,1 a 4,9 gramas de álcool por dia (menos de uma cerveja).

Quando os pesquisadores observaram puramente o consumo de cerveja (em vez do consumo de álcool em geral), o risco de câncer foi ainda mais alto. O mesmo aconteceu no caso de quem bebia muito e ainda contava com a variante genética rs1230025.

O câncer de estômago causou 10.570 mortes nos Estados Unidos ano passado e geralmente atinge pessoas com 65 anos ou mais, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. Uma em cada 114 pessoas serão diagnosticadas com o câncer em algum momento de sua vida.

Os pesquisadores não sabem ao certo porque só a cerveja parece aumentar o risco de câncer gástrico, e o vinho ou licor, não. Entretanto, eles acreditam que seja uma combinação de maior consumo de cerveja do que vinho ou licor, com uma substância cancerígena específica, que é produzidas quando a cerveja é metabolizada.

Quando o álcool é metabolizado no organismo, uma substância cancerígena conhecida como acetaldeído é produzida. A cerveja, em particular, também contém níveis de uma substância cancerígena animal chamada de N-nitrosodimetilamina (NDMA). A exposição prolongada tanto ao acetaldeído quanto ao NDMA, através do hábito diário de beber cerveja, pode desempenhar um papel no risco de câncer gástrico, Duell explica.

“Por causa destes riscos, as pessoas devem evitar o consumo pesado de álcool, embora o consumo de leve a moderado seja aceitável”, diz.
Em seguida, Duell e seus colegas esperam fazer pesquisas adicionais para encontrar mais variantes do gene que pode ter um efeito sobre o risco de câncer de estômago.

Fonte: UNIAD

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Casamento

por José Ângelo Gaiarsa


O segredo da felicidade


Não dá para pensar num casamento feliz para todo o sempre. O segredo da felicidade é perceber quando ela chega na nossa vida, e aproveitá-la até que esse momento se esgote.

Casamento não foi feito para amor nem pra felicidade

O casamento foi feito para impedir o desenvolvimento das pessoas. Criança desenvolve, adolescente desenvolve, e depois você fica maduro e aí não muda mais… Pais e mães não podem se desenvolver muito, sair de casa, procurar cursos, não podem. Em todas as civilizações conhecidas o adulto é tido como o ideal da educação, a criança tem que se tornar igual ao adulto, e aí ela está educada… Isso é um horror!!! Casamento não foi feito para amor nem pra felicidade, mas para garantir o patrimônio e a continuidade do patriarcalismo, porque criança não tem direito nenhum.

Casamento

Casei cinco vezes e diria que um casamento que dura de quatro a sete anos pode ser interessante, dependendo da pessoa, circunstâncias e tudo mais. A segunda: hoje o que eu consideraria ideal, eu diria que é poder ter duas, três, quatro mulheres, amigas, eventualmente coloridas, e elas também terem dois, três, quatro homens. Eu acho que era a solução. Mesmo os bons amigos você não tem vontade de ver sempre. Há certos dias em que você diz: “Ih! Se ele vier aqui hoje vai ser um saco”. E quando se está casado é a mesma coisa.

Autor: José Ângelo Gaiarsa

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vovó e vovô sem sede? Eles precisam de água!

de Conceição Lemes*

23 de janeiro de 2011 às 18:00



Sempre que a vovó ou o vovô têm confusão mental, duas hipóteses atemorizam os familiares: será tumor na cabeça ou mal de Alzheimer?

Na imensa maioria dos casos não é nem um nem outro”, afirma o clínico geral Arnaldo Lichtenstein, do Hospital das Clínicas de São Paulo, professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP e um dos especialistas entrevistados no livro Saúde — A hora é Agora (leia no pé deste texto). “Os principais responsáveis são diabetesdescontrolado, infecção urinária e família que passa o dia inteiro no trabalho, no shopping ou no clube, fora de casa.”

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovó e vovô não têm sede e deixam de tomar líquidos. Como não há gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. E a desidratação no idoso tende a ser grave, afetando todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (dor no peito), coma e até mesmo morte.

Impossível?! Não. Ve ja por quê:

• Ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água. Na adolescência, isso cai para 70%. Na fase adulta, para 60%. Após os 60 anos, temos pouco mais de 50% de água. Isso faz parte do processo naturalde envelhecimento. Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica.

• Mas há outro complicador. Mesmo desidratados, eles podem não sentir vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno funcionam menos.

• Explicamos. Nós temos sensores de água em várias partes do organismo. São eles que verificam a adequação do nível. Quando o nível cai, esses detectores acionam automaticamente o “alarme”. Pouca água significa menor quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais circulando nas nossas artérias e veias. De imediato, então, o corpo “pede” água. Essa informação é passada ao cérebro, a gente sentesede e sai em busca de líquidos. Nos idosos, porém, esses mecanismos atuam menos.

A detecção de falta de água corporal e a percepção de sede estão diminuídas. Alguns ainda, devido a certas doenças, como artrose avançada, evitam se movimentar até para tomar água.

• Resultado: os idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque sentem menos sede. Além disso, para ter desidratação grave, eles não precisam de grandes perdas — por exemplo, diarreias, vômitos ou exposição intensa ao sol. Basta o dia estar bastante quente ou a umidade do ar baixar muito. Nessas situações, perde-se mais água pela respiração e suor e, se não houver reposição adequada, é desidratação na certa. Mesmo que o idoso seja saudável, essa perda prejudica o desempenho das reações químicas e das funções de todo o organismo.

“Por isso, vovós e vovôs, se habituem a beber líquidos”, alerta Lichtenstein. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água de coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água (melão, melancia, abacaxi, laranja e mexerica) também funcionam como líquido. O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

O segundo alerta de Lichtenstein é para os familiares. Ofereçam constantemente líquidos aos idosos da casa. Lembre-lhes de que isso é vital. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que eles estão rejeitando líquidos e, de um dia para outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção. É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.

****

* O doutor Arnaldo Lichtenstein é clínico geral, médico do Hospital das Clínicas de São Paulo, professor colaborador da Faculdade de Medicina da USP e um dos 70 profissionais de saúde entrevistados por esta repórter para o livro Saúde — A Hora é agora, do qual é coautora.

Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade.

Fonte: Vi o Mundo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A dor da alma dói no corpo_3/3

por Laura Ming

Qual é o risco de não tratar a dor na depressão?

Enorme. É grande a probabilidade de o doente entrar em um círculo vicioso infernal. O cérebro funciona graças a uma rede precisa de conexões, em que um circuito depende de outro. Na depressão, alguns desses circuitos funcionam mal, o que leva à falta de vitalidade, aos problemas de sono e à dor, entre outros sintomas. Se apenas parte desses circuitos é tratada, é grande o risco de o circuito doente prejudicar o equilíbrio dos outros. E quanto mais o tempo passa, pior. Os circuitos responsáveis pela sensação de dor são diabólicos. Se não forem cortados, eles se fortalecerão. É como um músculo. Se usamos a musculatura, ela enrijece. Do contrário, atrofia. Uma pessoa que sente dor durante muito tempo tem circuitos de dor viciados e terá mais dificuldade de ser tratada.

Há casos em que o tratamento se torna inviável?

Para metade dos pacientes que me procuram, os remédios já não funcionam. É tarde demais: a área cerebral responsável por receber a informação de dor está danificada. É como se os circuitos cerebrais da dor estivessem “queimados”. A medicina ainda não descobriu como reverter esse quadro. O máximo a que se chegou até hoje foi uma redução no desconforto causado por essa dor.

Mas diminuir os sintomas já não é um avanço?

Na psiquiatria, um medicamento que apresente melhora de 50% dos sintomas já é aprovado pra tratamento. Nossa meta, contudo, deve sempre ser 100%. Do contrário é como se um médico se desse por satisfeito ao transformar a pneumonia de um paciente em tosse crônica. A depressão é uma doença tão complexa que nos habituamos a buscar apenas a diminuição dos sintomas. Com os antidepressivos mais modernos, em muitos casos, já conseguimos livrar o doente de todos os sintomas. Buscar a remissão da depressão é alinhar a psiquiatria com o resto da medicina.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A dor da alma dói no corpo_2/3

por Laura Ming

Qual a diferença na manifestação da dor decorrente de um quadro depressivo e dos outros tipos de dor?

Nenhuma. Ela pode se manifestar de várias formas – como a provocada por uma gastrite, cefaléia ou lesão muscular. A sensação é a mesma, mas, quando procuramos o que há de errado no organismo do paciente, não encontramos nada. Apesar de se manifestar em determinada região do corpo (ou nele todo, como acontece em boa parte dos casos) a dor física da depressão está no cérebro do paciente, onde é processada equivocadamente. Dadas as suas características, muitas vezes, o paciente não acredita quando o médico diz que aquele sofrimento físico pode ser sintoma de depressão. A dor causada pela depressão é muito semelhante à chamada dor-fantasma, comum entre os amputados. Uma pessoa que perdeu a perna, por exemplo, pode sentir o pé doer. Isso acontece porque os circuitos da medula espinhal, responsáveis pela transmissão dos estímulos entre o pé e o cérebro, ainda estão lá, funcionando. A percepção da dor é no pé – e não no cérebro.

Analgésicos, portanto, não resolvem o problema.

Não. Esses remédios funcionam bem para uma dor de dente, por exemplo. Normalmente, o cérebro envia estímulos nervosos pela medula espinhal para inibir as sensações consideradas irrelevantes. Não percebemos, por exemplo, quando piscamos ou estamos digerindo o almoço. Existe a sensação, mas o cérebro a interpreta como inútil, não a processa e, portanto, não a sentimos. Quer ver outro exemplo desse mecanismo cerebral? Se eu levar um tiro e precisar fugir, só vou sentir dor quando estiver a salvo. O organismo me protege contra essa dor em defesa da minha sobrevivência. Essa inibição é resultado de um processo químico que se intensifica em situações de emergência. Na depressão, esse processo fica enfraquecido. Ou seja, o paciente sente dor sem que haja estímulo doloroso.

Do ponto de vista evolucionista, até determinado grau, a dor é útil por funcionar como um alerta para o organismo de que algo não vai bem. A dor não teria também essa função na depressão?

Não. O que acontece é que, muitas vezes, por causa da dor, o paciente procura ajuda médica. Quando o especialista tem em mente que esse pode ser um sintoma de depressão, ele pode faze o diagnóstico correto, depois de descartar outras causas possíveis. Em geral, o sofrimento emocional é carregado de estigma. As pessoas têm vergonha de admitir suas angústias e aflições. Parece mais digno dizer que está com dor no pescoço do que dizer que a vida perdeu o sentido. O problema é que a maioria dos médicos não foi treinada para enxergar além da queixa física. Mesmo os psiquiatras têm dificuldade de perceber o que está acontecendo. Em geral, os psiquiatras tem medo da dor física porque não sabem o que fazer com ela. Eles precisam entender que isso faz parte da depressão.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A dor da alma dói no corpo_1/3

Matéria da Revista Veja – edição 221 – ano 44 – nº 14, de 06 de abril de 2011 - págs. 100/101, dividida em 3 partes, nos dias 01, 03 e 05 de Agosto.

por Laura Ming

Há 30 anos, motivado pelas queixas constantes de seus pacientes, o psiquiatra americano Stephen Stahl, de 59 anos, professor da Universidade da Califórnia, decidiu estudar a relação entre dor física e depressão. Apesar de acometer até 80% dos doentes, um problema raramente á associado ao outro. Especializado em neurologia e farmacologia, ele se dedica a desvendar (e tentar reverter) o desequilíbrio cerebral que faz com que a vida dos deprimidos seja ainda mais penosa. Stahl esteve em São Paulo recentemente para dar uma palestra sobre depressão e dor para médicos brasileiros.

Nessa ocasião, falou a VEJA:

Quando foi estabelecida a relação entre depressão e dor?

No dia a dia dos consultórios, percebíamos que os pacientes deprimidos se queixavam muito de dor – de todos os tipos e intensidades. Vejo isso desde o início da minha carreira, nos anos 80. Por muito tempo, no entanto, eu interpretei essas reclamações como uma fantasia dos doentes. Tenho uma formação acadêmica extensa, especializei-me em neurologia e farmacologia. Olhava para essas queixas com muita desconfiança. Conforme fui me aprofundando nos estudos sobre o cérebro e os circuitos cerebrais, comecei a perceber que estava totalmente enganado. Entendi que os neurotransmissores (substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre os neurônios) envolvidos nos quadros depressivos estavam associados também à sensação de dor e poderiam ser afinados com medicamentos, tal qual um músico afina seu instrumento. Fiquei com muita vergonha ao descobrir que as queixas de meus pacientes eram reais. Em meados dos anos 90, surgiram os antidepressivos com ação em seretonina e noradrenalina (neurotransmissores associados à sensação de bem-estar). Pudemos perceber então que os pacientes relatavam uma melhora no quadro da dor. Essa é a prova de que algumas dores são decorrentes do mau funcionamento dos neurotransmissores. Hoje tento passar esse aprendizado para os médicos mais jovens, para que eles não cometam o mesmo erro que cometi no passado. É assim que a medicina funciona, mudando paradigmas.

Por que até hoje o diagnóstico da dor física associada à depressão é tão difícil?

Nos manuais de medicina, os sintomas da depressão são os seguintes: perda de vitalidade ou de interesse pela vida, dificuldade de concentração, sentimento de culpa, problemas de sono (excesso ou falta dele), pensamentos ou atos suicidas, fadiga, alterações de apetite e peso (tanto ganho quanto perda), comprometimento da habilidade psicomotora (agitação ou lentidão). Nenhum deles está associado à dor. Se um paciente me procura reclamando de insônia, tristeza e dor, não adianta nada eu só tratar a insônia e a tristeza, como a maioria dos psiquiatras faz. O conceito de remissão, de cura completa, prevê o desaparecimento de todos os sintomas depressivos. Oito de cada dez pacientes com depressão moderada ou grave apresentam algum tipo de dor, em maior ou menor grau. Ou seja, estamos falando de milhões de pessoas em todo o mundo que não se recuperam do quadro depressivo completamente, porque continuam a sentir um sintoma que não é reconhecido como do âmbito da doença.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Amigos, pais e baladas influenciam jovens a começar a fumar, diz estudo

G1

Levantamento da Unifesp aponta início do uso do cigarro aos 14 anos. Pesquisa ouviu 2.691 estudantes de escolas particulares de São Paulo.

Um levantamento feito com estudantes do ensino médio de escolas particulares da cidade de São Paulo constatou que muitos adolescentes experimentam o uso do cigarro aos 14 anos de idade, e os fatores que levam os jovens a começar a fumar varia entre homens e mulheres.



A pesquisa foi feita pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que ouviu 2.691 estudantes das escolas particulares, pertencentes às classes socioeconômicas A, B e C.

O estudo permitiu comprovar que a influência dos amigos, a relação com os pais e a presença dos jovens nas “baladas” são fatores importantes na iniciação ao cigarro. De acordo com a pesquisa, pais fumantes influenciam tanto meninos quanto meninas. “A relação dos jovens em casa também é um fator que se mostrou preponderante”, explica Zila Van der Meer Sanchez, uma das coordenadoras da pesquisa. “No caso das meninas, quanto menos atenção dos pais maior é o risco de ela começar a fumar. Já os meninos são influenciados pelos amigos e por uma eventual morte dos pais.”

Ainda de acordo com a pesquisa, o contato dos jovens do ensino médio com o cigarro ainda é esporádico. Entre os entrevistados, 14% tinham fumado pelo menos um cigarro nos últimos mês. A maioria usou o cigarro no máximo 5 dias no mês. Apenas 3% dos entrevistados fumavam todo dia.

Os dados da pesquisa foram coletados em 2008, antes do início da lei antifumo em São Paulo, que foi promulgada no ano seguinte. A prevalência do cigarro nas baladas mostrou que enquanto a chance de fumar entre os meninos aumentava em mais de 800% quando a frequência a baladas é intensa, nas meninas sobe para 1.400%.

O Cebrid prepara um novo levantamento sobre uso de tabaco, álcool e drogas entre os jovens. Os números preliminares mostram que no ensino médio das escolas públicas, por exemplo, a incidência é um pouco maior, de 17,5% comparada aos 14% registradas nas escolas particulares. E a iniciação ao cigarro nas escolas públicas se dá em média aos 13 anos e seis meses.

Fonte: UNIAD

quarta-feira, 27 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Dislexia existe?

Enviado por luisnassif, sex, 11/02/2011 - 12:01

Por Alexandra M. Mello

Caro Luis Nassif,

Há alguns meses, falei sobre a visão da pediatra Maria Aparecida Moysés no meu blog (coxi-Xan-do) e fiquei surpresa com a quantidade de reações desproporcionais que causei em pais de crianças com diagnóstico de dislexia. É bem provável que tenham chegado ao meu blog, por meio de buscas que tinham o nome dela como palavras-chave. Talvez, eu tenha sido infeliz com o título da postagem ("Dislexia existe?") e com ele, tenha causado tanto furor. Com "Dislexia existe?", eu questionava a existência dela como distúrbio neurológico e não, das dificuldades reais em leitura e escrita. Estas, podem ser determinadas por inúmeros fatores e combinações. A precipitação dos diagnósticos é realmente assustadora. Abaixo, está o link para a postagem e todos os comentários. Um abraço. Alexandra.

http://xan-mello.blogspot.com/2009/11/dislexia-existe.html

Do coxi-Xan-do

Dislexia existe?

O que já foi cegueira verbal congênita, lesão cerebral mínima, dislexia específica de evolução, dislexia de desenvolvimento, entre outros nomes, é hoje a tão falada e tão pouco conhecida dislexia. Na Câmara Municipal de São Paulo, há um projeto de lei do vereador Juscelino Gadelha (PSDB), feito em parceria com a ABD (Associação Brasileira de Dislexia) e já aprovado em primeira instância, que propõe um programa para diagnosticar alunos disléxicos em toda a rede de ensino, e encaminhá-los para tratamento.

Especialistas de Instituições como o Conselho Regional de Psicologia, a USP e a Unicamp são contrários à aprovação do projeto por acreditarem que a dislexia, como doença neurológica de quem tem dificuldades para ler e escrever, nunca foi devidamente comprovada. Segundo eles, um projeto assim contribui apenas para a estigmatização de crianças, desconsiderando as questões sociais.

No dia 21 de setembro deste ano, houve um seminário na Câmara, para se discutir o tema antes da segunda votação. Uma das palestrantes convidadas, a Doutora Maria Aparecida Afonso Moyses, professora titular em Pediatria Social da Unicamp, fez uma brilhante explanação sobre as razões da não aprovação do projeto pelas Instituições citadas.

Ela traz inicialmente a definição da doença mais aceita pelos autores e entidades que defendem a existência da dislexia e à partir daí, vai questionando a falta de embasamento científico, tanto para o reconhecimento da dislexia como distúrbio neurológico, como para a forma como é feito o diagnóstico.

Segundo esta definição oficial, a dislexia seria um distúrbio neurológico, que comprometeria apenas a escrita e a leitura. Para confirmação, utiliza-se instrumentos de escrita e leitura. Ou seja, usa-se linguagem escrita para diagnóstico da dislexia que tem como único comprometimento justamente a linguagem escrita. Do ponto de vista médico e científico, isso é totalmente contraditório. Uma avaliação assim só vai confirmar a existência da própria dificuldade e não, se há ou não distúrbio neurológico.

Durante a palestra, a professora Maria Aparecida questiona a falta de rigor científico em alguns exames. Um exemplo é a existência de simetria de neurônios no plano frontal para comprovação do diagnóstico de dislexia. A falha no rigor é mostrada num estudo (curiosamente do mesmo autor que defende esse diagnóstico) que mostra que 16% da população "normal" também tem a tal simetria.

Um outro exemplo é a presença de ectopia neuronal (quando um neurônio que deveria estar numa região, vai para outra), em algumas áreas do cérebro. Aqui, a falta de rigor está na ausência de estudos da ectopia neuronal na população dita normal. Para a professora, é complicado dizer que uma doença neurológica se caracteriza por questões que também estão presentes em qualquer pessoa que tenha dificuldade para ler e escrever, pelos mais diferentes motivos. Ela dá como exemplo exames de neuroimagem que precisam ativar o cérebro na função que está sendo avaliada. No caso da dislexia, essa ativação se dá, novamente, por meio de instrumentos de escrita e leitura. Uma pessoa que não sabe ler, em consequência de uma alfabetização mal sucedida por exemplo, pode ter essa função diminuída como uma reação saudável a testes que tenham como objetivo avaliar seu desempenho em leitura. São duas as principais questões que ela nos deixa: uma, se as dificuldades em leitura e escrita não seriam reflexo da diversidade, não só de seres humanos, como também das condições a que estão expostos e não, consequência de distúrbios neurológicos. A outra, se os exames de neuroimagem não detectariam a consequência no cérebro de não saber ler, e não, a sua causa.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/dislexia-existe